Com a facilidade da contratação de empréstimos ilegais on-line, agiotas têm expandido a atuação em diversas regiões e quem pode imaginar que isto não acontece aqui, está enganado. Ibiporã não ficou de fora. Os criminosos usam as redes sociais para atrair vítimas, prometendo transferir quantias por meio do PIX e, posteriormente em caso de atraso ou inadimplência, passam a aterrorizar as famílias. A atuação da rede conhecida como “agiotas do PIX” é alvo constante de operações policiais. Outro golpe é a promessa de antecipação do FGTS e empréstimo consignado a juros abusivos que podem chegar até 30% do valor repassado.
Já foram identificados que em Ibiporã há pessoas postando em redes sociais, esta “prestação de serviços”, atraindo vítimas com a promessa de soluções mágicas e dinheiro fácil e rápido. Se alguém já foi vítima deste tipo de ação, deve procurar a delegacia e denunciar. A policia só irá investigar se houver vítima e denúncia. Jargões atrativos como, “Chama no Zap”, fazemos isso totalmente on line, ou “Antecipe seu FGTS, saque aniversário, sem consulta Serasa/SPC e sem parcelas mensais, são o chamariz para o golpe, ou ainda, se você trabalhou entre período 'X" e "Y" tem dinheiro para receber...consulte-nos. É golpe! Fique atento.
Na região a Policial Civil já identificou casos em que pessoas foram ameaçadas e extorquidas após entrarem em contato com esses grupos. Algumas das vítimas, apesar de trabalharem no serviço público, estão com a condição financeira comprometida em razão de uma série de empréstimos que acabaram se tornando uma bola de neve.
A advogada Sofia Coelho, especialista em direito público e do consumidor relata que as ameaças aos clientes são constantes. “São pessoas que estão fragilizadas tanto emocional quanto financeiramente e acabam se envolvendo com agiotas que mantêm perfis em redes sociais e prometem transferir dinheiro instantaneamente”, explicou.
De acordo com a defensora, uma de suas clientes recebeu ameaças graves, por telefone. “Geralmente esses autores dizem conhecer toda a família da vítima, sabem onde seus filhos estudam e, com medo, [a vítima] acaba não registrando ocorrência policial, por também saber que agiu irregularmente ao pedir empréstimo a um agiota”, disse.
Perito em crimes desta modalidade, Helmut Günter Schneider explica que, há pelo menos três tipos de problemas com a prática do empréstimo informal por meio do PIX. “O primeiro e a mais claro deles é que essa prática pode constituir crime, caso haja cobrança de juros superior à taxa permitida por lei. O segundo decorre do meio pelo qual esses empréstimos são operacionalizados, uma vez que a informalidade e ausência de controle acerca dessas transações podem facilitar a prática do crime de usura ou, ainda, de receptação, caso esses valores tenham origem ilícita. Por fim, dada a ausência de controle na concessão do crédito, há considerável risco de inadimplemento, situação na qual cogita-se que a cobrança dessas dívidas possa ser feita por meios informais e até criminosos”, alerta.
Casos
Ediana de Sousa da Silva, 34 anos, procurou a polícia para denunciar um golpe do qual foi vítima, praticado por Jhonatas Stalone dos Anjos Maia, nome usado pelo acusado. Ele se apresentava como agiota e ofereceu empréstimo de R$ 10 mil em troca de uma garantia no valor de R$ 200. A quantia do suposto “sinal” foi transferida pela vítima via PIX, mas, após o depósito, o golpista alegou que Ediana ainda precisaria pagar uma taxa referente ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), no valor de R$ 170, do qual ela não dispunha. E perdeu os R$ 200.
Já uma mulher de 28 anos procurou a Polícia Civil para registrar ocorrência de extorsão. Ela diz ter entrado em contato com um agiota pelo Facebook, solicitando o valor de R$ 500 emprestado. O criminoso aceitou, desde que ela retornasse o dinheiro em 60 dias no total de R$ 950. A vítima não conseguiu pagar a dívida e, um mês depois recebeu um telefonema do indivíduo com ameaças e exigindo R$ 6 mil. Ele dizia que, caso tomasse o calote, iria “arrancar a cabeça” da mulher.
A dívida deveria ser paga no último dia 17. Desesperada, dois dias antes, ela realizou um PIX de R$ 1 mil para o agiota, mas ele telefonou exigindo o restante da quantia. A mulher registrou ocorrência e encaminhou as informações para a polícia. A Policia Civil chega aos estelionatários por meio de rastreamento dos aparelhos de telefone utilizados para as postagens das propagandas do golpe nas redes sociais. Agiotagem é crime com pena prevista de 6 meses a 2 anos de detenção e multa. O termo agiotagem também é utilizado como sinônimo de usura. Administradores de grupos de whatsApp que aceitam este tipo de propagandas no grupo também podem ser autuados como corresponsáveis, por conivência a prática delituosa e responder conjuntamente por crime de estelionato.


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