O presidente da Câmara de Vereadores de Ibiporã, Rafael Eik Ferreira, foi surpreendido por duras cobranças da comunidade local após realizar uma visita de caráter político a uma escola do município. O parlamentar, que se movimenta como pré-candidato a deputado estadual, viu o ato — tradicionalmente utilizado como plataforma de aproximação eleitoral — transformar-se em um fórum de contestação e exigência de resultados práticos por parte da população.
A reação dos moradores joga luz sobre o descompasso entre o discurso político e as demandas estruturais urgentes do município. Exemplo disso é a recente Indicação nº 248/2026, que formalizou o pedido de um estudo de viabilidade para a construção de um passeio público em um terreno municipal localizado na Rua Anderson Liuti, no Residencial Tucanos.
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A solicitação, que parte da própria comunidade, expõe a precariedade da infraestrutura urbana básica no bairro. Moradores reivindicam segurança, acessibilidade e mobilidade urbana há tempos, alertando para os riscos diários enfrentados por crianças e idosos que são obrigados a dividir o espaço viário com veículos devido à ausência de calçadas. Mais do que estética, a implantação do passeio público é cobrada como uma obrigação de conservação e organização do patrimônio que pertence ao próprio Município.
A Pedagogia da Realidade: Estudantes na Prática Cidadã
Se por um lado a visita política gerou desconforto pela cobrança direta, por outro, a mobilização de alunos do Colégio Batista trouxe uma lição prática de cidadania. As propostas que motivaram a indicação legislativa nasceram justamente do contato dos estudantes com as ferramentas do Poder Legislativo.
Ao identificarem os problemas cotidianos do Residencial Tucanos e formatarem soluções viáveis, os jovens demonstraram que a educação para a cidadania não deve se limitar à teoria dos livros ou a palanques institucionais. A transformação de uma visita escolar em participação comunitária ativa inverteu a lógica tradicional: em vez de os estudantes apenas ouvirem promessas, foi o poder público que se viu obrigado a processar e encaminhar as demandas reais da população.
Resta saber se a provocação da comunidade e o protagonismo dos estudantes resultarão em obras concretas no Residencial Tucanos ou se a Indicação nº 248/2026 será apenas mais um documento protocolado em ano de pretensões eleitorais.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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