As polêmicas que marcaram estes últimos dias de final de mandato, e ano legislativo é encarada pela maioria dos vereadores como "trâmite normal" no melhor estilo "uma hora alguém teria que fazer". A aprovação do 13°- salário ainda não é o último episódio dos projetos polêmicos propostos no apagar das luzes deste ano e da despedida da presidente da Casa, vereador Maria Galera cuja gestão ficará marcada por decepção, sobretudo na causa animal. A começar pela sua postura tão logo eleita, deixando o grupo que trabalhou em prol de sua causa animal e sua eleição, para aliar-se então ao grupo do prefeito buscando alcançar seus objetivos pessoais.
De suas metas no cargo, como o Centro de Zoonoses, ou canil municipal, nada saiu do papel. E isto, aliado a outros fatores como mudanças na estrutura do legislativo, criação de cargos e a aprovação de projetos polêmicos como o aumento dos próprios salários, pode ter lhe custado a reeleição. Sua rejeição ficou patente nas urnas, mesmo recebendo uma gorda fatia do fundo partidário.
Em relação ao 13°- salário, já aprovado em primeira discussão, a proposição feita pela Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas presidida pelo vereador reeleito Augusto Semprebom, justifica que a decisão tomada com apoio da maioria foi apenas promover a regulamentação dos vencimentos que é amparado por decisão do STF-Supremo Tribunal Federal. "Conversamos com todos os vereadores, e os mesmos sinalizaram como positivo. Nós somos trabalhadores como outro qualquer com descontos de INSS e Imposto de Renda todos os anos. Se fosse em outro momento todos os vereadores seriam contrários porque lá atrás, era opção do vereador escolher se contribuiria ou não. Hoje isso não acontece mais, e torna-se uma obrigação. Portanto, a Comissão decidiu por apresentar a proposta e colocá-la sob apreciação e votação do plenário", justificou Semprebom.
O vereador também reeleito, Ilseu Zapelini complementou a justificativa fazendo um parâmetro entre os salários dos atuais secretários municipais, com os salários de 2017, quando era equivalente ao salário de um vereador. "O salário dos secretários municipais aprovados pelo legislativo passa a valer à partir de 2025, na faixa de R$ 13 mil reais, enquanto o salário de vereadores, ficará no patamar de R$ 9 mil reais. Portanto as pessoas que acham que a gente legisla em causa própria, desconhece a situação e diz coisas indevidas", observa sugerindo que a população deva acompanhar mais o exercício legislativo e tomar ciência do trabalho dos vereadores.
Já o vereador Pedro Chimentão deixou claro que entende a legalidade do projeto, mas discorda da questão "moral" sugerindo que tal medida deveria ser tomada antes das eleições e que estas medidas de imediato geram descontentamento da população. Se fosse para vigorar à partir de 2029, seria favorável. Votar agora, fica a impressão que estão legislando em causa própria.

O vereador Gilson Mensato (foto) por sua vez, discorda da posição colocada por Semprebom, alegando que sequer foi convidado para a discussão e discorda da posição colocada como justificativa. "Conduzir a Câmara com coerência e transparência na aplicação de recursos, não é mérito a ser propalado, mas uma obrigação de cada vereador eleito", observa reafirmando que esta votação é um fator em benefício próprio e mesmo que fosse reeleito, seu voto continuaria contrário.
"Eu acho que não é o momento para fazer isso. Acho que esse projeto deveria vir antes das eleições. É um projeto infeliz. Aliás, por ocasião da votação do aumento de salários que passa a valer à partir do ano que vem, no projeto já estava incluso o 13°- salário, mas foi retirado", observou Mensato dando a entender que a medida em dose dupla, poderia prejudicar a imagem dos vereadores e consequentemente as pretensas reeleições. "E porque votar agora, depois que passaram-se as eleições e faltam 20 dias para acabar o ano. A legislatura acaba na próxima segunda feira. A Câmara trabalhou tão bem e agora vai ficar manchada por isso", pontuou.
Para Augusto Semprebom, a posição de Mensato soa hipocrisia. "Não é legislar em causa própria. Somos nós que fazemos as leis e votamos. Em algum momento esta decisão teria que ser tomada e votada por alguém. Eu não vejo nenhum problema em ser coerente ou fazer parte de alguma decisão polêmica. Eu represento a cidade de Ibiporã e o faço muito bem. As pessoas conhecem o meu trabalho e esta situação vai voltar em benefício das pessoas e das crianças que eu atendo", finalizou.

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