A engenharia política dos bastidores começa a desenhar os rumos das próximas disputas eleitorais em Ibiporã. Segundo o ex-vereador Gilson Mensato, o Podemos articula uma estratégia de expansão focada em musculatura partidária, atração de novas lideranças e consolidação como uma força indispensável no cenário local. Alinhado com Lu Bonato, atual presidente da sigla no Paraná, Mensato assume a presidência da comissão executiva ou provisória do partido em Ibiporã.
O Podemos já detém uma cadeira na Câmara, com o vereador Professor Abreu. Para Gilson Mensato, o grande segredo para o fortalecimento da legenda em um município de médio e pequeno porte não reside no acaso, mas sim na precisão de arranjos que unem a representatividade local ao peso das cúpulas estaduais.
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O "manual" das articulações bem-sucedidas para o crescimento de uma sigla partidária baseia-se em três pilares fundamentais: a densidade eleitoral das chapas de vereadores, a identificação com as demandas comunitárias e o alinhamento com os centros de poder financeiro e político do estado.
Em Ibiporã, Mensato utiliza sua experiência no Legislativo para costurar pontes. O foco principal está na atração de nomes testados nas urnas e lideranças orgânicas de bairros e setores produtivos, garantindo que o partido não dependa de apenas uma grande figura, mas sim de um grupo coeso capaz de somar votos de legenda expressivos.
No entanto, o verdadeiro diferencial para o sucesso do Podemos na cidade está na sua forte conexão com o diretório estadual no Paraná. Atualmente, o partido vive um momento de reposicionamento estratégico e robustez sob a liderança do deputado federal Felipe Francischini, principal articulador político da sigla no estado e figura central na aliança de centro-direita que molda o Paraná para os próximos anos.
Ao lado de outras referências, como o experiente Luiz Carlos Hauly (nome histórico da região de Londrina), o Podemos paranaense ganhou musculatura ao integrar grandes coalizões e dar sustentação a projetos majoritários. A importância dessas figuras estaduais para Ibiporã é prática e estratégica.
Em municípios de menor extensão territorial, o acesso direto a deputados federais e estaduais de peso significa a garantia de envio de emendas parlamentares, verbas de custeio para a saúde e investimentos em infraestrutura. Para o eleitorado local, um partido forte na cidade é aquele que demonstra capacidade de trazer soluções reais vindas de Curitiba e Brasília.
Ao alinhar a liderança e o conhecimento de terreno de Gilson Mensato à chancela política de Felipe Francischini no Paraná, o Podemos de Ibiporã pavimenta um caminho sólido. O segredo do fortalecimento da sigla, portanto, revela-se na habilidade de transformar o prestígio dos grandes gabinetes do estado em avanços tangíveis e representação legítima dentro da comunidade.
A Postura Inegociável como Ativo Político no Legislativo
No tabuleiro da política municipal, onde a pressão do Poder Executivo frequentemente molda os rumos do Parlamento, perfis que sustentam uma postura firme e independente tornam-se exceções emblemáticas. A trajetória de Gilson Mensato em Ibiporã ilustra esse modelo de atuação, caracterizado por uma posição no Legislativo classificada nos bastidores como "inegociável" — um contraponto direto ao pragmatismo fisiológico que muitas vezes esvazia a função fiscalizadora dos parlamentos modernos.
O grande desafio das câmaras municipais contemporâneas reside no risco da submissão. É comum observar legisladores que, ao ingressarem em mesas de negociação por cargos ou benesses políticas, convertem-se em figuras meramente decorativas. Ao abrirem mão da autonomia em troca de conveniências temporárias, esses agentes políticos anulam o princípio constitucional da separação e harmonia entre os poderes, transformando o Legislativo em uma extensão burocrática e carimbadora, o chamado "puxadinho do Executivo", ou — o popular "rolo compressor" — da vontade do prefeito de turno.
A valorização de um perfil sério e inflexível nas convicções vai além do simples elogio à ética; trata-se de uma necessidade de sobrevivência institucional. Quando um político mantém sua independência, ele assegura que os projetos de lei sejam verdadeiramente debatidos, que os recursos públicos sejam fiscalizados com rigor e que os interesses da população de Ibiporã prevaleçam sobre acordos de bastidores.
Essa postura impõe respeito técnico e político, forçando o Executivo a dialogar por meio do argumento e do interesse público, e não pela cooptação. Para o fortalecimento do Podemos, essa identidade baseada na firmeza de posições funciona como um poderoso ativo de credibilidade.
Em comunidades de médio e pequeno porte, onde o eleitor acompanha de perto a conduta pessoal de seus representantes, a seriedade que recusa o papel de peça decorativa atrai a confiança do eleitorado desgastado com a política tradicional. Assim, a postura inegociável deixa de ser apenas uma escolha de conduta para se consolidar como o alicerce de um projeto político que busca crescer com autoridade moral e substância prática. Já outros, preferem a coleira do prefeito, e disputar utopicamente uma cadeira que nunca vai alcançar. Mas o que vale mesmo a estes pseudos políticos, é a gorda fatia do fundão eleitoral, e um contador bem pago para maquiar a prestação de contas.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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