A tentativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Ibiporã de culpar os moradores pelas falhas no sistema público é inaceitável. Justificar os gargalos e a lentidão da fila de espera com base no índice de 18,6% de faltas no CAIS/CREMI é uma estratégia clara para desviar o foco de uma gestão que deixa muito a desejar.
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Apontar o dedo para o cidadão é ignorar os problemas estruturais crônicos que a própria secretaria não resolve. Moradores de Ibiporã relatam diariamente, tanto em reportagens locais quanto nas redes sociais, a realidade nua e crua do atendimento no município:
Espera interminável por exames cruciais: A demora para conseguir exames básicos e avançados de cardiologia ou ginecologia arrasta-se por meses, deixando pacientes sem diagnóstico e expostos a riscos graves de saúde.
Fila travada para reabilitação: A busca por sessões de fisioterapia é outra saga, onde a falta de vagas e de profissionais agrava o sofrimento de quem convive com dores crônicas ou precisa de recuperação urgente.
Canais de atendimento ineficazes: Tentar ligar para desmarcar ou reagendar uma consulta costuma ser uma tarefa impossível, com telefones que ninguém atende e falta de clareza nas informações.
Falha crônica de comunicação: Os pacientes muitas vezes sequer recebem uma confirmação clara e antecipada sobre a data e o horário do atendimento.
Eficiência se Constrói com Gestão, Não com Desculpas
Uma taxa de ausência perto de 20% é o reflexo de um fluxo de comunicação municipal que está completamente quebrado, e não de uma "falta de conscientização" generalizada da população. Uma gestão moderna e verdadeiramente comprometida resolve esse problema com busca ativa, lembretes automáticos e humanização do serviço, em vez de emitir notas oficiais para constranger o cidadão.
Faltas em consultas acontecem em qualquer sistema de saúde. O que não pode acontecer é o poder público usar esses números como escudo para mascarar a escassez de médicos especialistas, a falta de investimentos e a desorganização administrativa que penaliza a comunidade. A saúde de Ibiporã precisa urgentemente de soluções práticas e respeito ao contribuinte, não de transferência de culpa.
Diante de um cenário tão caótico, a pergunta que ecoa em Ibiporã é inevitável: o que leva o prefeito a manter o mesmo modelo de gestão e não promover mudanças administrativas urgentes na Secretaria de Saúde? A insistência em blindar a liderança da pasta e transferir a culpa para o cidadão acende um sinal de alerta sobre as reais prioridades da administração municipal.
Quando um serviço essencial como a saúde pública falha consecutivamente e nada muda, a população tem todo o direito de questionar os bastidores dessa escolha política.
Compadrinhamento Político: Muitas vezes, cargos de liderança na saúde são tratados como moedas de troca política, onde a fidelidade partidária ou acordos de bastidores pesam mais do que a competência técnica e a capacidade de entrega.
Falta de Autocrítica e Soberba: Admitir que a gestão falha em áreas como ginecologia, fisioterapia e cardiologia exigiria que o prefeito reconhecesse o erro. Escolher a narrativa de que "o povo é o culpado" é o caminho mais cômodo para tentar salvar a própria imagem de forma artificial.
Comodismo e Falta de Cobrança Efetiva: Enquanto as reclamações ficarem restritas às redes sociais e aos desabafos nos corredores do CAIS/CREMI, sem que haja uma pressão institucional ou legislativa contundente, a prefeitura tende a empurrar o problema com a barriga, tratando a saúde como uma crise passageira e não como prioridade absoluta.
A Urgência da Mudança
Manter uma secretaria que se recusa a modernizar seus canais de comunicação, que não resolve as filas de exames e que prefere expor o morador a assumir as próprias falhas é um erro grave de liderança. O prefeito precisa entender que a omissão também é uma escolha — e, neste caso, uma escolha que custa a saúde e a dignidade do povo de Ibiporã. O município não precisa de justificativas oficiais; precisa de coragem política para mudar o que não funciona.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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