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Sabado, 31 de Outubro de 2026
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A “Catedral do Tempo” e o Helicóptero Invisível

Finalmente o prédio da maquiagem será reaberto a população, depois de mais de três anos

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
A “Catedral do Tempo” e o Helicóptero Invisível
📸Divulgação/NCS/PMI
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   Há quem diga que o tempo é relativo, mas em Ibiporã ele ganha uma dimensão quase mitológica. A reforma da prefeitura já superou o tempo de construção de algumas pirâmides do Egito e caminha a passos largos para se tornar a oitava maravilha do mundo moderno — ou pelo menos a mais demorada e investigada.

    É impossível falar dessa reforma sem cronometrar o seu ritmo — ou a falta dele. A obra durou tanto tempo que os operários originais provavelmente já estão elegíveis para a aposentadoria. Há quem diga na cidade que o projeto não seguia um cronograma de engenharia, mas sim o calendário Maia, tamanha a mística envolvendo a sua data de conclusão.
 
  Se a velocidade da reforma fosse comparada à de uma lesma, a lesma exigiria uma retratação por ofensa à sua agilidade. Pontos de ônibus mudaram de lugar, gerações nasceram e os andaimes continuavam lá, imutáveis, como monumentos ao atraso. Cada aditivo de prazo assinado pelo prefeito parecia uma piada de mau gosto com o cidadão que financiou essa lentidão cinematográfica.

   Os cidadãos mais jovens mal se lembram de como era a fachada original do prédio sem a icônica moldura de tapumes desbotados e poeira. A obra se arrastou há anos em um ritmo tão frenético que, se um pedestre piscasse os olhos enquanto passasse em frente, corria o risco de ver um operário mudando um tijolo de lugar... ou talvez não, já que o sumiço de funcionários no canteiro parecia padrão.

   A apoteose do ridículo, contudo, ganhou as redes sociais com contornos de pura computação gráfica: em um vídeo institucional produzido por Inteligência Artificial para promover a gestão, um helicóptero virtual surgiu nos céus de Ibiporã para retirar, dramaticamente, um lençol que cobria o prédio reformado.

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    A peça publicitária soa como piada de mau gosto. Mostra uma administração tão desconectada do chão da fábrica que prefere gastar fosfato gerando “helicópteros de mentira” na internet a colocar equipes de verdade para consertar ventiladores queimados e fiações expostas nos centros comunitários da periferia.

   Enquanto o Ministério Público tenta descobrir para onde foi o dinheiro real dos aditivos, o morador fica com a fantasia digital. Para a atual gestão, o importante não é o teto que falta na casa do trabalhador, mas a beleza do teto sob o qual o prefeito assina os aditivos da própria fortaleza. E a população segue esperando a obra acabar. Quem sabe na próxima semana!

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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