Há quem diga que o tempo é relativo, mas em Ibiporã ele ganha uma dimensão quase mitológica. A reforma da prefeitura já superou o tempo de construção de algumas pirâmides do Egito e caminha a passos largos para se tornar a oitava maravilha do mundo moderno — ou pelo menos a mais demorada e investigada.
Os cidadãos mais jovens mal se lembram de como era a fachada original do prédio sem a icônica moldura de tapumes desbotados e poeira. A obra se arrastou há anos em um ritmo tão frenético que, se um pedestre piscasse os olhos enquanto passasse em frente, corria o risco de ver um operário mudando um tijolo de lugar... ou talvez não, já que o sumiço de funcionários no canteiro parecia padrão.
A apoteose do ridículo, contudo, ganhou as redes sociais com contornos de pura computação gráfica: em um vídeo institucional produzido por Inteligência Artificial para promover a gestão, um helicóptero virtual surgiu nos céus de Ibiporã para retirar, dramaticamente, um lençol que cobria o prédio reformado.
Um espetáculo pirotécnico digital digno de Hollywood para inaugurar uma maquiagem milionária! Medríocre prefeito!
A peça publicitária soa como piada de mau gosto. Mostra uma administração tão desconectada do chão da fábrica que prefere gastar fosfato gerando “helicópteros de mentira” na internet a colocar equipes de verdade para consertar ventiladores queimados e fiações expostas nos centros comunitários da periferia.
Enquanto o Ministério Público tenta descobrir para onde foi o dinheiro real dos aditivos, o morador fica com a fantasia digital. Para a atual gestão, o importante não é o teto que falta na casa do trabalhador, mas a beleza do teto sob o qual o prefeito assina os aditivos da própria fortaleza. E a população segue esperando a obra acabar. Quem sabe na próxima semana!

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