Não há duvida que hoje vivemos numa geração de jovens analfabetos, alienados da realidade (exceto seu mundinho digital de cada dia) com rara exceções. Não conhecem história, não sabem o que é geografia, e sequer aprenderam a votar. As universidades estão tomadas por nóias e vermelhinhos. Um destes, travestido de professor universitário esteve numa boca livre na casa de um vizinho e, de repente, o desavisado soltou esta pérola: “Me lembro como se fosse ontem, quando os militares derrubaram aquele cachaceiro do Jânio”. Tentei argumentar que o presidente na época já era o João Goulart (Jango), mas como ele já tinha tomado umas, relevei mas numa coisa ele tinha razão: o político era chegado numa água que passarinho não bebe.
Jânio Quadros foi um personagem folclórico da nossa política. Ganhou as eleições em 1960 com um discurso de que iria varrer a corrupção do país. Tanto que o símbolo da sua campanha era uma vassoura! Essa Filosofia da Vassoura também incluía a moralização dos hábitos brasileiros. Foi nessa onda que ele realizou diversas proibições. Algumas, polêmicas.
O primeiro decreto dessa limpeza moral foi proibir o funcionamento dos jóqueis-clube de segunda a sexta. Nos fins de semana as apostas estavam liberadas. Mas só maiores de 21 anos poderiam ver os pangarés correrem. E depois dessa, vieram outras: proibição das rinhas – briga de galos. É isso aí, Jânio! Naquele tempo, era comum esse tipo de “diversão”. Mas como não podiam mais ir pro ringue, os cocós foram pra panela.
Proibição do lança-perfume – uma misturinha gelada à base de cloreto de etila, éter, clorofórmio e essência cheirosa. Muito popular no Carnaval. Ficava dentro de um frasco sob pressão e era esguichada entre os foliões nas ruas e salões pra dar uma espécie de barato perfumado. Hoje chamam de Loló. Mesma coisa. Tudo é Droga.
Restrição da participação de menores de 18 anos em programas de rádio e televisão, veto ao uso de maiôs nos concursos de beleza e na TV, e censura aos biquínis nas praias e piscinas – tinha fiscais pra coibir essa indecência. Rolava até multa! Usar trajes de banho na praia… onde já se viu uma coisa dessas!?
O ex-professor de Geografia era um bebedor voraz: vinho, mé, engasga gato, aquela que matou o guarda… O que viesse o homem entornava. Certa vez, um jornalista perguntou por que ele bebia tanto? Também conhecido por respeitar a norma culta da língua, saiu-se com essa: “Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia". Mas renunciou por quê? “Fi-lo porque qui-lo” teria dito Jânio.
Em 25 de agosto de 1961, ele escreveu uma carta (um tipo de comunicação escrita utilizada num passado remoto) pro Congresso Nacional, abandonando o barco com a justificativa de que “forças terríveis” o impediam de governar. Nem esquentou a cadeira: ficou menos de sete meses no cargo. E não abria o bico sobre quem ou o que seriam essas forças.
Falar sobre a renúncia com ele era proibido. Muitos anos após o ocorrido, num rega bofe na casa de um amigo, percebendo que o homem já estava chamando Jesus de Genésio de tão bêbado, um convidado arriscou tocar no assunto. Tomou uma invertida: “Renunciei porque a comida no Palácio da Alvorada era uma droga como é aqui! E a companhia era quase tão ruim quanto”.
Mas, quando estava pra bater as botas, confessou ao seu neto o que muitos já suspeitavam. O danadinho tentou dar um autogolpe. Botou na cabeça que voltaria com mais poderes ainda – nos braços do povo e com o apoio do exército. Afinal, a elite brazuca não ia com a cara do vice, Jango, que tinha ido dar um rolezinho lá na China. Só que deu tudo errado.
Resumindo: o vice assumiu, teve um golpe de estado em 1964 e vivemos numa ditadura militar (ruim só para vagabundo e puxa-fumos) por mais de 20 anos que por sinal, deixou muita saudade. Agora a merda está feita, taí o resultado arrebentando o país hoje comandado pelo crime organizado, e um presidente que só abre a boca para piorar ainda mais o quadro político econômico. Só quem viveu, a ditadura pode entender o que quero dizer!


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