Na sessão da Câmara Municipal de Ibiporã, na última segunda feira durante o Grande Expediente, o vereador Hugo Furrier (MDB) destacou uma indicação oficial apresentada em conjunto com o vereador Professor Mohamed (PL). O documento cobra a retomada, revitalização e efetiva implantação do memorial na antiga chácara do artista.
Hugo Furrier, que acompanhou de perto a execução do projeto original, e contribuiu financeiramente para a obra, lamentou o atual cenário da área. Segundo o parlamentar, o local recebeu investimentos significativos no passado para a construção de pista de caminhada, reforma de imóveis, iluminação e paisagismo, mas acabou esquecido pelo poder público.
Atualmente, o espaço apresenta sinais severos de depredação e descaso. Para os vereadores, a falta de manutenção coloca em risco um patrimônio histórico, artístico e ambiental de grande valor para o município. A indicação segue para análise do Executivo Municipal.
Memória esquecida
Quem foi Henrique de Aragão? O homenageado que dá nome ao espaço na Vila Beatriz foi um dos maiores ícones da arte sacra no Brasil e um pilar cultural de Ibiporã. Nascido na Paraíba em 1931, Joaquim Henrique de Aragão estudou artes na Itália e na França antes de escolher Ibiporã para viver e criar, a partir de 1965.

Reconhecido internacionalmente, ele foi escultor, pintor, poeta e dramaturgo. Deixou sua marca registrada em monumentos públicos e igrejas de todo o Paraná, como a pintura da cúpula da Igreja Matriz de Ibiporã e o famoso monumento "O Viajante", em Londrina.
Aragão faleceu em 2015, aos 84 anos, deixando um legado que hoje, segundo os parlamentares e a comunidade, sofre com o descaso público.
"Dói ver isso virar um mocó", desabafa moradora.
A comunidade da Vila Beatriz acompanha diariamente o reflexo do abandono. Em entrevista a aposentada Maria das Dores, de 68 anos, moradora vizinha da antiga chácara do artista, relata o medo que tomou conta da região.
"Quando fizeram a pista de caminhada e limparam as casinhas, a gente achou que o bairro ia ganhar um ponto turístico lindo.
Mas o tempo passou, o poder público esqueceu daqui e o mato tomou conta. Hoje, o local virou um 'mocó'.
A gente não vê famílias passeando, só vê pessoas entrando aí no escuro para usar drogas.
Dá muito medo e uma tristeza profunda ver a memória do Seu Henrique tratada com tanto desmazelo", lamenta a moradora.



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