A condução de políticas públicas na administração do prefeito de Ibiporã, José Maria Ferreira (PSD) não vem sendo vista com bons olhos pelo vereador Hugo Furrier (MDB). Foi esta a impressão que deixou expressa ao usar da palavra no grande expediente do legislativo na sessão passada.
Quando os recursos financeiros são limitados, a decisão de investir pesadamente em grandes obras como rotatórias, reformas de prédios ou projetos de embelezamento urbano podem acabar utilizando verbas cruciais que seriam destinadas à manutenção, modernização e custeio de unidades de saúde, além da contratação de profissionais e compra de insumos.
Para o vereador é inadmissível que um serviço prioritário como uma emergência odontológica, por exemplo, cujo cidadão precisa de atendimento rápido, tenha que esperar 45 dias para extrair um dente. “É relato de cidadão que procura o vereador para reclamar”, disse. “Eu recebi relato de duas pessoas que foram ao posto de saúde para uma consulta, e não tinha ginecologista. Pessoas que precisam fazer acompanhamento, e não encontram o profissional. E pior, ninguém sabe responder quando vão encontrar um”, relatou.
Na ótica de Furrier, esta é a situação que vem se apresentando na forma como está sendo conduzida a saúde. O vereador alerta que algumas políticas públicas nesta administração estão priorizando obras em detrimento da atenção primária e preventiva seja nas unidades básicas de saúde, seja na UPA que deveriam ser tratadas como prioridade, mas não são.
“Vou dizer uma coisa aqui, se você tem uma casa, antes de você trocar de carro, você tem que ver se sua casa tem comida, se a geladeira está cheia... agora, o que está acontecendo? Nós estamos investindo em lago, isso e aquilo, e obra, obra, obra...e a saúde de Ibiporã, está ficando onde?", questionou.
E chama a atenção do prefeito: “Vamos cuidar da saúde, prefeito José Maria. Esquece lá (o lago) e depois a gente sabe que o senhor vai fazer mesmo...vem dinheiro da Itaipú... mas vai dinheiro do município também. E o povo reclamando para tirar um dente”, dando a entender que é justamente aí que falha a prioridade. E também coloca em discussão a demora das obras, como a reforma da prefeitura que se arrasta. Nesses casos, o dinheiro já investido é desperdiçado e a população não usufrui nem da obra concluída, nem dos serviços de saúde que poderiam ter sido aprimorados com esses recursos.
A reforma da UPA também foi outro ponto de reclamação. Relatou que lá “a grade está mais suja, está mais enferrujada. A pessoa vai procurar um atendimento de saúde, e está daquela maneira? O que adianta a gente ficar trazendo obra, e não conseguir finalizar? Prefeito, o senhor tem mais três anos, fica tranquilo, vamos devagar, vamos de boa. Vamos aí tratar da comunidade, da saúde. Não precisa correr, não. O senhor vai
ter muita obra para entregar ainda”, finalizou.

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