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Terça-feira, 07 de Julho de 2026
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Psicólogo "Don Ruan" que atuava no CRAS é preso após divulgação de vídeo comprometedor

Delegado diz que vídeos de psicólogo preso após ser filmado violando sexualmente paciente no Paraná indicam 'conduta habitual'

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Psicólogo
Alex Sandro Lourenço tem 47 anos Reprodução/Redes Sociais
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    O delegado Fernando Vieira afirma que vídeos do psicólogo filmado violando sexualmente uma paciente durante uma consulta em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, indicam que a "conduta seria habitual". Alex Sandro de Lourenço, de 47 anos, foi preso em flagrante na noite de quarta-feira (25) após a polícia receber filmagens feitas por vizinhos do consultório que tinham visão do interior das janelas e registraram o crime sendo cometido.

   A RPC e o g1 tiveram acesso às imagens, mas não vão divulgá-las por respeito à vítima e devido ao caso estar em sigilo de Justiça. A defesa do psicólogo negou as acusações.   Após a prisão ser realizada, os vizinhos entregaram outras gravações feitas, em dias diferentes, mostrando situações similares sendo cometidas pelo psicólogo contra outras possíveis vítimas. "Existem outras imagens e outros vídeos de outras situações com outras mulheres que denotam que essa conduta seria habitual por parte dessa pessoa, desse psicólogo, desse profissional - que é regularmente inscrito no Conselho Regional de Psicologia, mas que não tem uma conduta, a meu ver, pelo que foi apurado, adequada pra exercer essa profissão", afirma Vieira.

   Segundo a polícia, a prisão foi motivada por uma mulher que estava sendo atendida pelo psicólogo momentos antes.     Ela relatou que estava em tratamento e, no meio da sessão, ele perguntou se poderia abraçá-la, a jogou contra uma parede e a beijou à força - prática que caracteriza crime. A mulher contou que começou a chorar e foi expulsa do escritório.

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   A prisão aconteceu após os vizinhos chamarem a Polícia Militar (PM-PR) enquanto socorriam a paciente, que estava em estado de choque, conta o delegado. "Mas existem [outros] vídeos dele beijando pessoas que, aparentemente, são pacientes em estado de vulnerabilidade, e também de uma mulher, uma terceira pessoa, fazendo sexo oral nesse psicólogo, dentro daquele consultório. [...] Isso vai ser apurado com muita cautela, para identificar se eram situações consensuais com esposa, com namorada ou com alguém que ele mantinha relacionamento", complementa Vieira.

Crime foi tipificado como 'violação sexual'

    O caso foi tipificado como violação sexual mediante fraude, cuja pena, em caso de condenação, pode chegar a até seis anos de prisão. No Código Penal, este crime é definido como conjunção carnal ou prática de "ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima". O delegado justifica a tipificação do crime afirmando que entendeu que Lourenço "utilizou da profissão dele, da confiança dele de psicólogo, para ludibriar [as vítimas] de forma ardilosa".

   Vieira também reforça que outras possíveis vítimas podem procurar a Polícia Civil para fazer denúncias. A corporação atende pelo telefone 197. "Eu acredito que com a divulgação dessa situação - e é por isso que a gente está fazendo esse trabalho explicando o que aconteceu - possam surgir pessoas que talvez entendessem que aquela conduta pudesse fazer parte de um procedimento de psicologia, mas que não faz. Não existe tratamento em que você precisa fazer sexo oral num psicólogo, você precisa beijar psicólogo. Isso é totalmente vedado porque é crime", reforça.

Psicólogo negou crimes à polícia

   O delegado Fernando Vieira também contou que, no interrogatório, o suspeito negou os crimes e alegou que foi a paciente que tentou beijá-lo. O delegado refuta e diz que as imagens mostram o oposto. Em nota, o advogado de defesa do psicólogo, José Mauricio Barros Junior, disse que em razão da complexidade do caso vai se manifestar apenas no processo judicial, mas adiantou garantir que Alex Sandro de Lourenço é inocente. "Nesse momento, [a defesa] refuta veementemente as acusações, uma vez que não são expressão da verdade dos fatos, o que será comprovado em sede processual”, afirmou.

   Em nota, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) disse que o profissional tem inscrição secundária ativa (por também atuar no estado, mas ter a inscrição principal no Rio Grande do Sul) e afirma que possui procedimentos de apuração de denúncias em trâmite. "Os procedimentos, que correm em sigilo por força de legislação, podem resultar em penalidades diversas, incluindo a cassação do registro profissional. Todos os esforços serão empenhados para colaborar com as autoridades dentro das atribuições legais deste Conselho", informa o CRP-PR.

   Preso em casa Lourenço foi detido na própria casa na quarta-feira porque, segundo a polícia, logo após o crime ele foi embora do consultório. Equipes da PM foram até a residência e o prenderam em flagrante. No dia seguinte a Justiça atendeu ao pedido da polícia e converteu a prisão em preventiva - sem prazo para soltura. Paralelamente, a equipe de investigação tenta identificar as outras pacientes que aparecem nas filmagens para ouvi-las e, se necessário, inclui-las como vítimas no inquérito policial. 

FONTE/CRÉDITOS: g1PR
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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