Já se foram dois anos... entregue porém sem inauguração. Até porque a diferença entre o que se previa e o que foi entregue, não só frustrou as expectativas como levanta dúvidas entre o chamado custo benefício. Após seis meses de tapumes, desvios dignos de um rali no Saara, já que não é qualquer piloto de boleia que contorna o monumento de caminhão ou ônibus, sem subir na faixa. E o custo disso? Um orçamento que faria a NASA repensar seus custos. E assim, esta administração, somou mais uma grande e importante obra. E com a primeira praia PET integrada do Paraná.
A Expectativa: O Projeto “Dubai Tropical”
No projeto em 3D postado nas redes sociais, a rotatória parecia uma mistura de Fontana di Trevi com o Centro Espacial Kennedy. Jatos de água coreografados subiam a 5 metros de altura, iluminados por LEDs sincronizados com o hino da cidade, enquanto o asfalto ao redor brilhava como se tivesse sido polido com seda. Era um projeto ousado, futurista, quase intergaláctico.

A Realidade: O Chafariz “Cachorro com Sede”
O que foi entregue, porém, é uma obra-prima do minimalismo precário. O Chafariz: No centro da ilha de concreto (que já apresentou rachaduras antes mesmo de ser liberado), brota um cano de PVC timidamente pintado de prata. O “espetáculo das águas” resume-se a um filete intermitente que lembra muito uma mangueira de jardim com baixa pressão, ou um velho precisando de tratamento de Hiperplasia Prostática. O chamado “mijando na meia”. Cômico se não fosse triste!

A Iluminação: Os LEDs prometidos foram substituídos por dois refletores de obra que, à noite, não criam um show de luzes, mas sim um interrogatório policial para quem tenta fazer o retorno. O “Design” Paisagístico: a grama parece estar pedindo asilo político, após a invasão de tiriricas e uma camada de tinta concreto nas laterias, na primeira chuva, foi levada para o bueiro mais próximo.

O Caos Motorizado
A ousadia do projeto não parou na estética; ela avançou sobre a lógica. A rotatória é tão apertada que um ônibus urbano precisa realizar uma manobra de 12 pontos para contorná-la, transformando o fluxo de veículos em um congraçamento social forçado (também conhecido como engarrafamento quilométrico). Isso quando não vai prá frente ou prá tráz. Na primeira semana, um acidente grave com capotamento seguido de colisão com moto. Ah, e na contra-mão!
Enquanto isso, o vento — esse agente do caos — quando acionado a água (só de vez em quando) faz questão de jogar a água do chafariz diretamente no para-brisa dos motoristas. É o primeiro sistema de “Lava-Rápido Compulsório e Gratuito” do mundo. O prefeito chama de “interatividade”; o povo chama de “molhar o banco da moto”.

Conclusão: Um Monumento à Persistência
A obra é, de fato, um marco. Ela marca o ponto exato onde o dinheiro público encontrou o mau gosto e decidiu tirar um cochilo. Mas não reclamem! Afinal, agora temos um lugar oficial para os pombos tomarem banho e para os motoristas exercitarem a paciência e o vocabulário de baixo calão e os cães de rua onde se refrescarem. Essa é a Ibiporã do futuro! Lagos, pavers, e rotatórias!
Ah, o fascinante ecossistema das obras públicas! É um fenômeno que desafia as leis da física, da lógica e, ocasionalmente, da decência. Se você já se perguntou por que aquele projeto de reforma, chega a custar o dobro do que por abaixo e recomeçar do zero? O caso da reforma do prédio da prefeitura, por exemplo. Diferente das obras privadas, regidas pela "entrega do prometido", a obra pública segue a Teoria da Evolução Reversa. Após quase três anos e aditivos, o atraso continua. O resultado disso, veremos após a entrega, como na moderna reforma da rodoviária que assim como o imperioso CEEP, não resistiu a primeira chuva! Mas isso é assunto para daqui alguns dias...

Comentários: