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Quinta-feira, 23 de Abril de 2026
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COMPORTAMENTO

O outro te culpa por tudo? Isso tem nome!

Tudo é colocado sobre suas costas, como se você fosse a única responsável pelo fracasso da relação.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O outro te culpa por tudo? Isso tem nome!
📸Izabelly Mendes
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O outro te culpa por tudo? Isso tem nome!

Relacionamentos saudáveis são construídos com base em respeito mútuo, empatia e responsabilidade compartilhada. No entanto, nem todos os vínculos seguem esse caminho. Quando uma das partes constantemente responsabiliza a outra por tudo de ruim que acontece — desde problemas do dia a dia até conflitos maiores — é preciso acender um alerta. Essa dinâmica tóxica tem nome: transferência de culpa, um comportamento típico de pessoas manipuladoras ou emocionalmente imaturas, e muitas vezes está ligado a gaslighting ou até abuso emocional.

A sutileza da manipulação

No início, pode parecer apenas uma crítica pontual. A pessoa diz que você exagerou em uma reação, que está sendo dramática, ou que está sempre “causando problema”. Aos poucos, o padrão se estabelece: ela nunca admite seus erros. Se houve uma discussão, a culpa foi da sua "forma de falar". Se ela mentiu, foi porque você "não sabe lidar com a verdade". Se algo deu errado, é porque você "não apoiou o suficiente". Tudo é colocado sobre suas costas, como se você fosse a única responsável pelo fracasso da relação.

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Esse tipo de manipulação emocional mina lentamente a autoestima. Você começa a se questionar, duvidar das suas intenções, revisar suas atitudes o tempo todo, tentando evitar novos conflitos. Isso é perigoso, porque te coloca em um ciclo de autossabotagem e culpa, enquanto a outra pessoa sai ilesa de qualquer responsabilidade.

O nome disso é projeção

A psicologia chama esse comportamento de projeção. Trata-se de um mecanismo de defesa no qual o indivíduo projeta nos outros sentimentos, falhas ou atitudes que, na verdade, são seus. Em vez de assumir que errou, ele aponta no outro aquilo que não quer ver em si mesmo. Isso se agrava quando há traços narcisistas envolvidos — pessoas com esse perfil têm enorme dificuldade em lidar com críticas e jamais admitem culpa. Assim, preferem manipular a situação para preservar sua imagem, mesmo que isso signifique destruir a do outro.

Gaslighting: te fazer duvidar de si

Em muitos casos, a culpa constante vem acompanhada de um tipo específico de abuso psicológico chamado gaslighting — uma forma sutil de distorcer a realidade para que a vítima duvide da própria percepção. Frases como “você está exagerando”, “isso nunca aconteceu assim”, “você entendeu tudo errado” são comuns nesse cenário. O objetivo é te desestabilizar emocionalmente para que você se sinta sempre errada e dependente da validação do outro.

As consequências emocionais

Viver sob esse tipo de manipulação pode trazer consequências profundas. Entre elas:

  • Culpa constante: a sensação de estar sempre fazendo algo errado.

  • Baixa autoestima: você começa a acreditar que realmente não sabe se expressar, que exagera, que é difícil de lidar.

  • Ansiedade: o medo constante de provocar uma nova crise.

  • Isolamento: você pode se afastar de amigos ou familiares, por vergonha ou por acreditar que ninguém vai entender.

  • Codependência: a crença de que só estará bem se conseguir agradar e "consertar" o outro.

É possível sair dessa?

Sim, mas o primeiro passo é reconhecer o padrão. Não é normal ser o alvo constante de críticas, ser responsabilizada por todos os problemas ou ter seus sentimentos invalidados o tempo todo. Identificar o comportamento abusivo é fundamental para quebrar o ciclo.

Buscar terapia pode ser um caminho importante para reconstruir sua autoestima e compreender por que você tolera esse tipo de dinâmica. Às vezes, padrões de relacionamento abusivos se repetem porque carregamos feridas emocionais não resolvidas ou porque fomos ensinadas a nos responsabilizar demais pelos outros.

Também é essencial entender que você não é responsável pelas escolhas, falhas ou desequilíbrios emocionais de ninguém. Cada adulto é responsável por suas ações e por como lida com os próprios sentimentos. Relacionamento não é tribunal, onde alguém sempre precisa ser culpado. É parceria — com erros, sim, mas também com empatia, diálogo e crescimento mútuo.

Quando a culpa vira controle

Quando alguém te culpa por tudo, não é apenas uma questão de opinião — é uma forma de controle emocional. Te deixar sempre na defensiva é uma maneira de manter o poder sobre a relação. Se você está sempre tentando “provar que é boa”, “se explicar melhor”, “melhorar sua comunicação”, a atenção se volta toda para você. E o comportamento da outra pessoa? Fica fora de foco.  

Por isso, ao perceber esse padrão, questiona-se: esse relacionamento me fortalece ou me destrói aos poucos? Me faz crescer ou me faz duvidar de quem eu sou?

Você merece uma relação com sugar baby em que os dois assumam responsabilidades, em que erros sejam discutidos com maturidade e que sentimentos sejam validados — não ridicularizados ou usados contra você.  Private55

Se o outro te culpa por tudo, isso tem nome. E mais que isso: tem solução. E começa pelo seu despertar.

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Izabelly Mendes/Colaboradora
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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