Ah, a política do Reino... onde o destino da civilização repousa sobre 20 degraus de concreto chapiscado. Em uma decisão histórica, que promete mudar o paradigma da segurança pública no Reino da Dinamarca, o Excelentíssimo Primeiro Ministro, por sinal filho do Rei Serpentino I, (PER- Partido da Enrolação do Reino) protocolou um requerimento solicitando “estudo técnico de viabilidade orçamentária e impacto de engenharia” para a instalação de um corrimão na escadaria de uma escola do Reino. Esta aliás, já deveria ter recebido o corrimão instalado, antes da inauguração. Mas o superfaturamento do mesmo poderia levantar a suspeita de que havia maracutaia na obra.
Realmente, vivemos tempos de um rigor científico invejável. Não se pode simplesmente aparafusar um cano de ferro na parede; é preciso convocar o “Conselho Superior de Erudição em Alumínio e Ergonomia de Escadarias. Imaginem a cena: o nobre parlamentar, preocupado com a gravidade (essa força opressora que insiste em derrubar contribuintes), protocola o pedido. O “estudo técnico” provavelmente deve responder a dilemas existenciais profundos, como: Será que o ferro, ao ser tocado, manterá a dignidade do cidadão em queda livre?
Qual o impacto sociológico de um corrimão no ecossistema local de tropeços? A escada é perigosa por natureza ou apenas uma incompreendida pelo planejamento urbano? Enquanto o estudo não fica pronto (daqui a dois mandatos, talvez), a população segue praticando o “parkour compulsório”. Afinal, para que uma solução prática de 200 Coroas se podemos gastar 5 mil Coroas em um laudo assinado por um especialista em “atrito humano-superficial”?
É a burocracia transformando a segurança pública em uma tese de doutorado. No Reino da Dinamarca, até para não cair, é preciso ter o selo do Inmetro e três vias carimbadas no cartório de “Equilíbrio e Postura” A escadaria, conhecida popularmente como “Ladeira do Tombo”, tem 20 degraus de altura, não tem corrimão, está com os degraus esfarelando e já causou mais quedas do que patinador iniciante.
“Não podemos instalar um corrimão de qualquer jeito”, declarou o o Primeiro Ministro em nota oficial. “Precisamos avaliar a resistência do concreto, o impacto ambiental, a cor do aço inoxidável para não agredir a paisagem e, claro, abrir uma licitação de 18 meses para garantir a transparência. Se colocarmos um corrimão sem um estudo de 50 mil Coroas, como saberei se ele é realmente seguro?”, questionou o nobre edil, preocupado com a segurança de quem sobrevive à ladeira.
Moradores da região, que já haviam comprado canos de ferro e cimento para fazer o serviço em um domingo, ficaram aliviados com a notícia. “Graças a Deus o filho do Rei agiu. Agora, enquanto a gente cai, cai com estilo e sabendo que o processo está sendo analisado com estudo técnico”, disse uma idosa que utiliza a escada para buscar a neta na escola, enquanto mancava. E não era só ela, a maioria dos responsáveis em buscar os alunos, já estavam na melhor idade, mijando na meia ou pessoas de mobilidade reduzida. Logo era para ser emergencial!
O estudo deve ficar pronto até o fim do mandato do Rei, Até lá, o Rei promete colocar uma placa de “Cuidado: Risco de Queda”, feita, claro, após um estudo sobre a melhor fonte e cor da placa. A burocracia agradece. A segurança também.

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