A morosidade virou regra na Prefeitura Municipal de Ibiporã. Quem acompanha a gestão dos espaços públicos na cidade já se habituou a um roteiro previsível: obras que se arrastam no tempo, tapumes que parecem fazer parte da paisagem permanente e uma enxurrada de justificativas burocráticas para adiar o óbvio.
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O exemplo mais recente desse ciclo de lentidão é o novo termo aditivo ao Contrato nº 297/2.025, assinado pela Prefeita em Exercício, Maricélia Soares de Sá, que se vê obrigada a empurrar o prazo de execução da Praça Jamil Sacca para o final de outubro e estende a vigência do contrato com a empresa Contato Engenharia e Obras Ltda. até novembro de 2.026.

Enquanto praças, quadras e prédios públicos permanecem em eterno estado de reforma, a conta da inércia é repassada diretamente ao contribuinte. A lentidão crônica em entregar as estruturas do município cria um efeito cascata financeiro perverso. Sem prédios públicos prontos, o poder público é obrigado a dispor de montantes expressivos com a locação de imóveis privados para abrigar serviços essenciais.

Diante desse cenário, duas perguntas incômodas, mas necessárias, precisam ser feitas: estamos diante de uma completa e gritante falta de planejamento técnico ou existe alguém se beneficiando diretamente com a eterna dependência desses aluguéis de imóveis?
O prolongamento indefinido de contratos e a necessidade de gastar com locações temporárias que se tornam permanentes revelam que a Secretaria de Planejamento de Ibiporã parece operar no improviso. Praticamente todas as obras do município hoje caminham a passos de cágado, sem nenhuma definição clara ou confiável de prazo de entrega.

Essa paralisia camuflada de "processo digital" e "adequação técnica" não é apenas ineficiência; é um ralo por onde escorre o dinheiro do cidadão. Para romper com essa cultura do aditivo eterno, Ibiporã não precisa de mais prazos ou de novas justificativas jurídicas.
O município necessita, urgentemente, de uma readequação profunda e estrutural em sua Secretaria de Planejamento. É preciso oxigenar a pasta, fiscalizar os contratos com rigor técnico e, acima de tudo, exigir competência. A população não pode continuar pagando duas vezes pelo mesmo espaço: uma para reformar e outra para alugar o substituto. Por maior que seja ao relacionamento do prefeito com seus cúmplices nesta morosidade toda, o respeito aos contribuintes do município deveria vir em primeiro lugar.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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