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Sabado, 27 de Junho de 2026
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O Crepúsculo da Arte: De Santuário da Cultura a Reduto do Abandono

Este é o retrato do "fino trato" com a coisa pública. Um memorial riquíssimo em obras de arte esquecido do meio do mato

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O Crepúsculo da Arte: De Santuário da Cultura a Reduto do Abandono
📸Folha Portal/Fotos: Ely Damasceno
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   Onde hoje deveria continuar ecoando risos de crianças e o deslumbramento de olhos atentos às curvas da arte, (como outrora), reina o silêncio fúnebre da negligência. O que deveria ser o orgulho de uma gestão e um legado para as futuras gerações — um parque temático de 32 mil metros quadrados (1,5 alqueire) de mata nativa, adornado por obras de valor inestimável — transformou-se em um esqueleto de concreto e metal, devorado lentamente pelo mato e pelo descaso do poder público.

   A promessa projetada e executada de um oásis cultural no coração da nossa cidade ruiu. Sob a administração municipal atual, o projeto, que consumiu meio milhão de reais, sonhos e recursos, foi sumariamente entregue à própria sorte. No lugar da manutenção, o esquecimento. No lugar de curadores e visitantes, a visão agora é dominado pela degradação humana e estrutural. Um cenário que abrigou dezenas de espécies nativas advindas de vários estados, recebe apenas a visita de animais silvestres e degradados animais sub-humanos.

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    Ao caminhar pelas trilhas antes pavimentadas, o cenário é desolador. A casa que outrora simbolizava a genialidade de nosso maior artista, Henrique de Aragão hoje está parcialmente destelhada, janelas quebradas, paredes rachadas. Seu ambiente interno é sujo e fétido.  Além de insalubre, tornou-se abrigo de moradores de rua, viciados e palco de degradação humana.

Na entrada do parque, um pórtico de 10 metros de comprimento e envergadura invejável, foi derrubado na motosserra e toda a madeira roubada

   O Portal que ostentava imperioso o caminho de trilhas até o lago, foi cortado e sua madeira roubada,  obras de artes de valor incalculável foram arrancadas, bases pichadas e estruturas metálicas corroídas pela ferrugem comprovam descaso com o patrimônio cultural de nossa cidade.  Os quase mil metros de pista de caminhada calçadas em paver, estão cobertas de musgo, lodo e o próprio mato quase intransponível. E a prefeitura gastando R$ 25 milhões para fazer lago se já não cuida do que tem.

Esculturas em metal e formas de concreto contrastam com o aspecto de abandono por todos os lados da edificação

    Acaso a Promotoria de Meio Ambiente já foi notificada sobre a mortandade de peixes no Lago Dom Pedro Zilli? O esgoto a céu aberto que outrora vazava naquele local voltou a poluir o lago? No patrimônio que clama pela preservação, a cultura sucumbiu, e o “mato alto” não é apenas vegetação; é o manto que esconde a vergonha de uma prefeitura que deu as costas para o próprio patrimônio.

   O local que outrora, era roteiro de visitas agendadas para os alunos de Ibiporã, hoje é área de risco e insegurança para quem passa. O quiosque de sapé, antes espaço ao ar livre, para oficinas de pintura e cerâmica do curso de artes hoje é cenário de um filme triste que macula a imagem de Aragão e envergonha os cidadãos, à exemplo do que também ocorre em nossos fundos de vale. O abandono pede soccoro!

A Arte que Chora, a Droga que Ocupa
   Onde deveriam estar famílias em momentos de lazer, instalam-se agora o medo e a vulnerabilidade. Sem vigilância ou iluminação, o parque tornou-se um refúgio sombrio para a criminalidade e o uso de entorpecentes. Moradores das redondezas relatam que o “lugar de cultura” hoje é um ponto de consumo de drogas e prostituição à luz do dia, um território sem lei onde o cidadão comum não ousa mais pisar.

Um patrimônio incalculável em obra de arte, abandonado. Depois do material elétrico, telhado já começou a ser roubado!

   A situação é deplorável. O odor de urina e o lixo acumulado entre as obras de arte formam um contraste violento com a proposta original de beleza e elevação espiritual. É um crime contra a identidade da cidade e um tapa na cara do contribuinte.  E o prefeito faz o que? Ocupado demais com seus negócios?

   No lago jaz um poço de foco de vetores, bem como gomos de bambus servindo como “tubos de ensaio” para proliferação de toda a sorte de transmissores de dengue, zikavírus e chikungunya. Aquela casa que guardava memórias de um artista nato, sofre a violência da indiferença junto com um pavimento que já foi berço das nossas histórias. O prefeito não está construindo uma cidade. Está edificando um mausoléu de memórias apagadas. De uma carreira política, fadada a culminar na maior vergonha de nossa história.

Um Apelo ao Resgate
   A depredação do parque não é apenas física; é moral. Cada dano causado em uma escultura é uma ferida na história da nossa comunidade. Até quando o administrador municipal assistirá, de braços cruzados, ao apodrecimento deste espaço? Onde estão os vereadores que deveriam “fiscalizar” as ações e a depredação desse patrimônio?

   O mato ao redor pode até ser cortado, até porque já está encobrindo vias de acesso mas a confiança da população na gestão desse patrimônio está, assim como as obras ali deixadas, em pedaços. A cultura pede socorro, e o povo exige dignidade. O parque não precisa de promessas de campanha; precisa de ordem, respeito e vida.

   Quero convidar aqui os Excelentíssimos Senhores Promotores de Justiça de Patrimônio Público e Meio Ambiente para que esta semana, seja agendado uma visita ao local em companhia dos demais colegas de imprensa de Londrina, para que o Paraná, e o Brasil, possam tomar conhecimento de tamanho descaso injustificável da situação que se encontra este patrimônio.

   Preservar o meio ambiente, não é derrubar mata-nativa para fazer lago. É preservar o que já existe. Fala-se muito em evoluir...
Será que evolução para o senhor prefeito é terra arrasada? É transformar o oxigênio que respiramos em cinzas de um passado que o senhor não respeita? O senhor vende a nossa alma por um metro quadrado a mais de concreto em forma de paver?
O senhor troca o "nosso" pelo "seu"? Que tipo de administrador se sente orgulhoso de deixar, como legado, uma paisagem vazia de natureza e um centro histórico cheio de vazio?

Onde jazia um belo lago, hoje resta apenas um empossado de lodo e mato com focos de dengue

   O patrimônio que o senhor abandonou vai voltar com uma placa de "inauguração"? Para quem se gaba de ser "gestor", suas ações estão mais para quem age como um bárbaro. A história – aquela que o senhor insiste em destruir – não será esquecida.
    Cada raiz exposta, cada memória soterrada, ainda vai erguer o dedo para o senhor.  Hoje o senhor tem o poder da caneta, mas acredite... no final, o senhor terá apenas a ruína do seu próprio descaso, e de sua própria sana em fazer "negócios faraônicos"! 

    No Reino da Dinamarca temos um questionamento: O que acontece com a Rainha quando o Rei, o bispo e os peões caem da torre? Acabam no fundo do tabuleiro, ou terminam o jogo no xadrez?  A vida é um jogo... e o último lance é conhecido por Xeque-mate!

Embaixo de toda essa sujeira, corre água de nascente que forma o lago

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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