Nas próximas eleições, enquanto o eleitor comum gasta sola de sapato e paciência avaliando propostas, uma categoria muito específica de políticos já garantiu a vitória antes mesmo da abertura das urnas. São os "candidatos-turistas" do fundo eleitoral, cujo principal objetivo de campanha não é ocupar uma cadeira no Congresso, mas sim garantir uma generosa mordomia com as verbas partidárias.
Em cidades pequenas, o fenômeno ganha contornos locais perfeitamente ilustrativos. Há vereador que, tomado por uma súbita e inexplicável ambição nacional, já se projeta como pretenso deputado federal. Quem olha de fora pode até enxergar coragem ou uma profunda preocupação com os rumos do país. Quem olha de perto, contudo, percebe que a verdadeira ideologia por trás do movimento é o pragmatismo financeiro: o foco está na "boquinha" do fundo eleitoral.
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Para esses desbravadores das finanças públicas, a campanha é um negócio de risco zero. O roteiro é sempre o mesmo. Sabendo que as chances de vitória são praticamente nulas, o candidato monta uma estrutura burocrática modesta, imprime alguns santinhos e contrata parentes, amigos ou prestadores de serviço camaradas para "coordenar" as redes sociais. O dinheiro do fundo eleitoral entra, irriga os contratos da campanha e, ao final do pleito, o político retorna ao seu mandato local alegando que "foi uma experiência enriquecedora para fortalecer o partido".
Essa farra com o dinheiro do pagador de impostos transforma o processo democrático em um balcão de negócios. Enquanto faltam recursos básicos para saúde e infraestrutura nos municípios, milhões de reais são pulverizados em candidaturas natimortas, criadas apenas para cumprir tabela e enriquecer o ecossistema que gravita em torno do poder. No final das contas, o eleitor fica com as promessas vazias, e o candidato com a conta bancária partidária devidamente abastecida.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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