O uso político de projetos sociais históricos para alavancar candidaturas familiares é uma velha prática que ignora o esforço de gerações e apaga a memória coletiva de um município. Senão vejamos a "Verdadeira História das Hortas Comunitárias em Ibiporã".
A tentativa do prefeito José Maria Ferreira de personificar o sucesso das hortas comunitárias urbanas na figura de seu filho, Rafael Eik Ferreira, desrespeita uma trajetória pública que já dura mais de quatro décadas. O projeto não nasceu ontem, tampouco é fruto de uma sacada genial de um herdeiro político em pré-campanha eleitoral.

A linha do tempo do programa mostra que a iniciativa é um patrimônio do município:1980
(Origem): O projeto pioneiro surge no Centro Comunitário do Bairro Bom Pastor, sob a gestão do então prefeito Chiquito Deliberador (MDB).
Anos 2000 (Retomada): Após perder força, o programa formal é reestruturado e ganha o formato atual na administração do ex-prefeito Nadir Bigati.2012

(Expansão): Por sugestão do então vereador Rafael do Nascimento de Oliveira (Rafael da Farmácia), o cultivo orgânico passa a integrar alunos em contraturno escolar e voluntários da comunidade no terreno da associação dos servidores.

2022 (Legislação): A iniciativa é institucionalizada pela Lei Municipal nº 3.205/22, que regulamenta o uso de áreas públicas e o projeto-piloto no Residencial Granville Pelisson.

A Manobra Eleitoreira no Alvo da Crítica Local
A comunidade e as lideranças locais começam a reagir ao que chamam de “paternidade fabricada”. Ao tentar conceder o título de “pai da criança” ao filho em uma evidente pré-campanha, o prefeito fere a ética e o princípio da impessoalidade. Nas redes sociais dezenas de comentários, reavivaram a verdade com mensagens alusivas a iniciativa do vereador Rafael da Farmácia, que nunca carregou os louros comunitário para sí, mas dando sua contribuição social sem o viés de dividendos eleitorais.

Engenheiro agrônomo Luiz Hiroshi Shimizu, foi um dos coordenadores da horta na Secretaria Municipal de Agricultura
Quem conhece Rafael da Farmácia sabe de sua humildade, e de sua seriedade como parlamentar. O cultivo orgânico urbano não pertence a uma dinastia familiar como quer fazer crer o prefeito. A horta é um patrimônio do trabalhador voluntário, do estudante e dos prefeitos do passado que plantaram essa semente. Transformar segurança alimentar em palanque privado é marketing de má-fé e fruto geralmente de político que se aplica a "Lei de Gérson". Quer levar vantagem em tudo!

O “Pai da Criança” e o Oportunismo Eleitoral
Ao publicar vídeos nas redes sociais atravéd de “mensagem subliminar”, o prefeito de Ibiporã tenta atribuir o selo de inovação e a paternidade da horta urbana ao próprio filho, mascarando a realidade. Citar apenas o primeiro nome (Rafael) é um artifício torpe para não configurar uma campanha antecipada já escancarada há dois meses.
O que se vê não é o fomento genuíno a uma política de segurança alimentar, mas sim uma estratégia de marketing político com viés eleitoreiro. Promover parentes às custas de leis e programas consolidados por gestões anteriores fere o princípio da impessoalidade na administração pública. A comunidade colhe os frutos da terra porque houve continuidade e engajamento social ao longo de 46 anos, e não por causa de uma campanha coreografada para as redes sociais. A horta pertence ao cidadão, não a uma árvore genealógica política.
O que o prefeito está fazendo é o uso da máquina pública para criar herdeiro político nas hortas urbanas. O Ministério Público Eleitoral vai tomar alguma providência?
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