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Quarta-feira, 10 de Junho de 2026
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Política

O Choro de Vereador: Negociata no Gabinete e Vitimismo na Internet

Nada como ano eleitoral para nos depararmos com pérolas da hipocresia e o ataque as redes sociais

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O Choro de Vereador: Negociata no Gabinete e Vitimismo na Internet
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    O dia a dia vivenciando a política, seja aqui, seja na capital ou nos bastidores em Brasília nos tem revelado que não há nada mais previsível na política paroquial do que o cinismo dos parlamentares de ocasião. O roteiro é sempre o mesmo: nos bastidores, opera-se o balcão de negócios; publicamente, veste-se o manto da santidade ofendida.

   O alvo da vez desses paladinos da própria moral são as redes sociais, convenientemente acusadas de promover “ataques anônimos” contra agentes públicos. Uma cortina de fumaça perfeita para quem precisa desviar o foco do verdadeiro escândalo: a total inutilidade de seu mandato para o cidadão comum.

   O modus operandi desse tipo de político é cirúrgico. Para justificar as sumidas da cidade e as constantes romarias a gabinetes distantes, saca-se do bolso a velha desculpa do “convite partidário”. O sujeito jura que foi escolhido a dedo pela cúpula da legenda para integrar uma lista de pré-candidatura a deputado.

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   Romântico, se não fosse mercenário. O que este tipo de vereador chama de “missão partidária” nada mais é do que uma negociata explícita com deputados, de olho gordo nas fatias milionárias do fundo eleitoral. O plano não é debater as necessidades de seu município; é garantir o caixa da próxima eleição. E este ano vai estar gordo!

   Enquanto sonham com os milhões de Brasília, a realidade nos municípios é de puro parasitismo legislativo. Em vez de fiscalizar o Poder Executivo — o papel constitucional para o qual foram eleitos —, esse tipo de parlamentar prefere se aninhar nos braços do prefeito. Transforma o próprio mandato em uma extensão do gabinete do chefe do Executivo, atuando como o engenheiro-chefe de maiorias compradas e articulador de projetos sob encomenda. 

   É a pavimentação de falcatruas feita com o verniz da legalidade parlamentar.  Para a cidade, destes cidadãos, o saldo dessa atuação é o zero absoluto. Não há um projeto de lei relevante, uma melhoria concreta nos serviços públicos ou uma defesa real dos interesses de suas  comunidades. O que existe é uma máquina de coordenar esquemas de poder.

   Por isso, o choro contra os comentários e críticas aos órgãos de imprensa ou comentários nas redes sociais via internet soa tão falso. Quem opera na sombra das maracutaias naturalmente teme a luz do debate público. Classificar a indignação popular como “ataque” é a tentativa derradeira de amordaçar quem paga a conta.

   O político oportunista detesta a internet porque ela quebrou o monopólio da narrativa oficial; ali, as alianças espúrias e o legado nulo são expostos sem filtros.    O eleitor precisa entender que choro de vereador não é por democracia ou respeito às instituições, mas pelo incômodo de ser vigiado. Quem usa o legislativo como trampolim financeiro e balcão de negócios com prefeitos não merece o silêncio obsequioso da população. Merece, sim, o rigor da crítica ácida e, acima de tudo, o despejo soberano nas urnas.

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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