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Terça-feira, 25 de Agosto de 2026
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O candidato real e a Máquina Pública do Oportunismo

Como a Velha Política Usa a Saúde de Ibiporã como Palanque Eleitoral

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O candidato real e a Máquina Pública do Oportunismo
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   A véspera de eleição em Ibiporã traz consigo um fenômeno tão previsível quanto lamentável: o despertar abrupto de gestores que passaram anos em letargia. O mecanismo é velho, mas o ardil ganha contornos ainda mais ácidos quando a máquina pública é descaradamente sequestrada para inflar a candidatura de Rafael Eik Ferreira, atual presidente da Câmara Municipal, ao cargo de deputado estadual, sob as bênçãos e o oportunismo forjado por seu pai, o prefeito.
 
  Para garantir o rendimento em votos, o roteiro da farsa é rigorosamente seguido. Quando uma promessa esbarra na impossibilidade real de cumprimento, o "pai da criança" aciona a clássica saída de emergência: empurra a culpa para a necessidade de análise de uma comissão permanente, prometendo um retorno idílico à pauta após o pleito. O voto é garantido hoje; a entrega, essa vira fumaça amanhã.
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   A maquiagem da realidade atinge o ápice no descaramento ao tentarem induzir a população a acreditar em uma suposta auditoria de excelência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a transparência da saúde municipal — uma narrativa criada para vender a ilusão de que Ibiporã seria referência para outras cidades. Não seria isto uma ficção conveniente? Ou estamos falando de uma Ibiporã virtual, cuja saúde só funciona nas mídias pagas com dinheiro público de quem fecha os olhos para a realidade?
 
   Até onde se sabe, a atuação pragmática e real do Tribunal na cidade foca na cobrança severa pelas crônicas falhas de manutenção do fundo de previdência municipal, o Ibiprev.  A propaganda oficial também se jacta ao anunciar uma verba de R$ 3 milhões, em parceria com o Governo do Estado, para a construção de um Centro de Especialidades.  Estes recursos não seriam os mesmos dos contratos de reforma e ampliação em pelo menos quatro UBSs da cidade?  Até porque vereador não intermedia verbas do Governo.  Deputados é que são responsáveis por destinar emendas a sua base eleitoral diretamente ao Executivo. O resto é balela e oportunismo clássico de político.
 
   O que esquecem de dizer é que esse tipo de recurso geralmente é previsto por direito e fluxo administrativo, e não uma conquista heroica de última hora do candidato. Se o objetivo nobre sempre foi reunir atendimentos especializados e ampliar a oferta de médicos e dentistas em um único espaço, a pergunta que corrói a paciência do cidadão é óbvia: por que isso não foi feito desde o início da gestão?
 
  Por que o projeto mofou nas gavetas e só agora, convenientemente às vésperas da eleição, é resgatado e direcionado para pavimentar a estrada política do filho do prefeito?  Enquanto o candidato e seu padrinho político tentam capitalizar em cima de maquetes e promessas, os problemas reais da saúde — exaustivamente reclamados pela população ao longo dos anos — continuam jogados para debaixo do tapete.
 
   O parlamentar e candidato a deputado estadual não hesita em comentar o andamento de reformas cosméticas, mas cala-se covardemente diante do cemitério de obras a passos de tartaruga que se arrastam por meses e anos no município. 
  Exemplo categórico disso é o descaso com a Reforma e Ampliação da UPA (Unidade de Pronto Atendimento - Doutor Justino Alves Pereira) e a prometida estrutura do Samu. Uma obra vital que se arrasta entre contratos rompidos e novas licitações, deixando o povo desamparado nas filas enquanto o projeto insiste em não sair definitivamente do papel.
 
   A morosidade crônica e a incompetência gerencial não param por aí: o abandono estende-se a outros setores, como a eterna Reforma e Ampliação do Centro Comunitário do Jardim Canadá (Agência de Inovação), ignorando prazos e o dinheiro do contribuinte. Essa paralisia sistêmica não é mero boato; são as próprias auditorias e recomendações oficiais do TCE-PR que escancaram o fracasso da gestão municipal em concluir o que começa. E ainda tem a reforma do prédio da prefeitura, escolas... e vai por aí.
 
  É lamentável e vergonhoso ver a estrutura pública ser convertida em comitê de campanha. A população de Ibiporã não merece ser tratada como massa de manobra por um projeto familiar de poder, liderado por um candidato moldado pelo oportunismo dinástico e pela política de mais baixo nível.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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