
As novas diretrizes de prestação de serviços e obrigações contratuais entre o município de Ibiporã e o Hospital Cristo Rei, foram os temas da 80ª reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde na semana passada que reuniu interessados das duas partes. As medidas exigem celeridade tanto para a manutenção dos serviços e assistência a população, como a garantia de condições financeiras para tal. Divergências entre itens do contrato e cumprimento do mesmo foram debatidos e deverão ser ajustados em novo documento a ser finalizado esta semana. Um novo plano operativo sugerido pela Procuradoria do Município e apresentado pelo Conselho à direção do hospital devem nortear as questões jurídicas e por um ponto final nas discussões o que significa na prática, segurança para ambas as partes. Outro ponto definido foi a questão da escala de médicos que demanda um tempo de ajuste já que, fora desta esfera, pode significar a perda do profissional para qualquer outro hospital. São problemas pontuais que pedem uma flexibilização da secretaria.
Outra dificuldade está na questão da pediatria e da ginecologia que sempre apresentará problema porque são demandas que não acompanham o ritmo de formação dos profissionais. A falta de formandos em pediatria acarreta em problemas sérios até mesmo para o Hospital Universitário que só pode contar com dois ou três residentes. O mesmo ocorre com ginecologistas.
O atraso no pagamento aos médicos foi outra questão debatida. Com as discussões de renovação de contrato e a suspensão parcial dos pagamentos pela prefeitura, acabou provocando um certo descrédito a instituição daí a importância de se ter um dia fixo para o pagamento. “Pagar médicos em dia é uma ferramenta para atrair o profissional. Pode parecer um detalhe, mas tem grande importância”, ressaltou o interventor Paulo Bolçois de Oliveira. Questões de ordem clínica/administrativa foram debatidas por horas, bem como a cobrança de responsabilidades em cuidar, não atrasar e recolher os impostos por parte do hospital.
Por sua vez, o HCR também questiona uma redução de R$10 mil reais na proposta original devido a análise da prefeitura/secretaria de saúde em não fazer a aquisição do médico internista, reduzindo de R$ 279 mil mensais, para R$ 268,9 mil.
O município alega que foram utilizados os critérios seguindo a tabela do Cismepar e também seguindo uma orientação do Conselho Federal de Medicina que os plantões a distância sejam remunerados no mínimo com 30% da hora praticada pelo plantão presencial. As discussões se arrastaram por horas. Bolçois frisou que “os recursos que estão sendo aplicados no hospital são utilizados no hospital. A discussão é muito sadia e que seja expandida para a micro região já que o Hospital Cristo Rei atende outras cinco cidades, que tem na liderança a figura do prefeito. Este, poderia, por sua vez, levantar a bandeira e conscientizar demais prefeitos e a contribuírem com a diferença”, observou.
Para encerrar o assunto foi esclarecido que o Cismepar não faz nenhum repasse para o HCR, que hoje tem custo operacional na ordem de R$ 1.200.000,00 por mês. Entre os contratos do hospital e o contrato com o município, hoje dá-se o valor em torno de R$1.160.000,00. O HCR ainda tem bloqueado pela Justiça do Trabalho cerca de R$ 40.000,00 mil reais para garantia de Unimed. Junto ao Governo do Estado, o HCR pleiteia um reajuste para R$ 900 mil. Nenhum vereador sequer acompanhou a reunião para se inteirar destas questões.
Reformas no Hospital
As reformas do Hospital Cristo Rei estão sendo realizadas através das emendas recebidas como: 1 milhão de reais do deputado boca aberta, R$ 200 mil reais da deputada Luiza Canziani e mais R$ 100 mil reais do deputado Sargento Fahur. A reforma do pronto socorro, com a instalação do tomógrafo e mais 40% do hospital em instalação da parte elétrica já estão no valor de R$ 700.000,00. Vale lembrar que desde novembro de 2020 o Governo do Estado não renova o Convênio quer era de R$165 mil, cujo contrato também está em discussão. O Hospital Cristo Rei é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, com 90% dos atendimentos pelos SUS. Atende uma região estimada em 120 mil habitantes, incluindo Ibiporã e outros 5 municípios da região: Alvorada do Sul, Assaí, Jataizinho, Primeiro de Maio e Sertanópolis. Estes não contribuem com o hospital em um centavo sequer!
Nota da Redação: Temos acompanhado aqui as reuniões e discussões acerca das questões entre as duas partes. Mas cabe aqui uma ressalva. Para evitar questionamentos de absurda ignorância que revelam total desconhecimento de causa e efeito, para não dizer medíocres, seria de bom grado que todos os membros da Comissão realmente tivessem o mínimo de entendimento da causa. Até para que não haja constrangimento de algum profissional na hora de precisar dar uma resposta indelicada. Por questão de ética, vamos omitir certos detalhes mas fica aqui a dica. Um mecânico não pode discutir medicina num centro cirúrgico e vice e versa. É muita perda de tempo tentar explicar o sexo dos anjos para quem nunca esteve no céu.

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