A denúncia, ecoada no Grande Expediente da Câmara Municipal de Ibiporã, expõe o descompasso entre a propaganda oficial e a realidade enfrentada pela comunidade. Sob a gestão do prefeito José Maria Ferreira, o acesso a tratamentos essenciais tornou-se alvo de forte contestação política e social.
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O Raio-X do Descaso: A Fisioterapia em Xeque
O requerimento protocolado pelo vereador Hugo Furrier (MDB) não é um ato isolado, mas o reflexo de relatos desesperados de moradores que enfrentam meses de espera para iniciar sessões pós-cirúrgicas ou pós-acidentes. O parlamentar exige que o Executivo detalhe a estrutura organizacional, o número de profissionais ativos, os afastamentos e o tamanho real da fila.
A gravidade do cenário é evidente:
- Prejuízo econômico: Sem o tratamento célere, o trabalhador lesionado prolonga seu tempo de afastamento, penalizando o sustento familiar e onerando a previdência pública.
- Sequelas irreversíveis: Casos classificados como urgentes perdem a janela ideal de recuperação biológica devido à lentidão do município.
- Desigualdade no acesso: Quem depende exclusivamente do SUS vê seu direito à saúde negligenciado, enquanto apenas aqueles que podem pagar pela iniciativa privada garantem a reabilitação funcional.
O Labirinto Político e a Blindagem no Executivo
A crise na saúde de Ibiporã se choca com um cenário de apagão de transparência denunciado pelo próprio Legislativo. Vereadores de oposição apontam que pedidos de informação e requerimentos enfrentam descumprimentos sistemáticos de prazos e manobras políticas para blindar a administração de José Maria Ferreira.
Enquanto a prefeitura promove entregas pontuais de veículos e micro-ônibus para a frota, a falta de médicos especialistas — como pediatras e ginecologistas — e o travamento das filas de fisioterapia evidenciam que o problema da saúde local é estrutural e humano, e não meramente logístico. A retenção de dados públicos impede que a sociedade conheça a dimensão exata da demanda reprimida.
"O médico do hospital disse que eu tinha que começar a fisioterapia em no máximo 15 dias para não perder os movimentos da perna. Já faz mais de 120 dias que o meu pedido está na fila e a resposta é sempre a mesma: 'tem que aguardar'. Estou encostado pelo INSS, recebendo menos, vendo as contas acumularem e sem saber se um dia vou conseguir voltar a trabalhar na obra", lamenta Antônio dos Santos Silva.O drama se repete na rotina de Maria Aparecida Oliveira, de 61 anos, que necessita de atendimento neurológico após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). "A gente paga imposto a vida inteira para, na hora que mais precisa, ser tratada como um número descartável. Minha filha tenta reabilitar meu braço em casa, lendo dicas na internet, porque o poder público virou as costas para nós", desabafa a aposentada.
O Papel de Fiscalização do Legislativo
A cobrança apresentada na tribuna cumpre o papel constitucional de fiscalização. Mais do que respostas burocráticas, a população de Ibiporã exige uma reformulação na gerência da saúde pública local. O avanço do município não pode ser medido apenas por obras visuais e eventos se os serviços básicos de sobrevivência e dignidade continuam operando abaixo da necessidade de seus mais de 50 mil habitantes.
A Radiografia do Caos da Demanda Reprimida
Estimativas de bastidores da saúde pública local e projeções com base no fluxo de atendimento desenham um cenário alarmante, que o requerimento de Furrier junto ao Legislativo tenta arrancar formalmente do Executivo:
- 350 pacientes: É o tamanho estimado da fila de espera ativa que aguarda por uma vaga na fisioterapia municipal.
- 120 a 150 dias: É o tempo médio estimado de espera para casos considerados de média e alta complexidade (pós-operatórios).
- Defasagem profissional: Aponta-se que o quadro atual de fisioterapeutas concursados da rede atende a menos da metade da demanda ideal para o tamanho da população de Ibiporã.
A gravidade do cenário é evidente. Sem o tratamento célere, o trabalhador lesionado prolonga seu tempo de afastamento, penalizando o sustento familiar e onerando a previdência pública. Além disso, casos urgentes perdem a janela ideal de recuperação biológica, gerando sequelas irreversíveis.
Essa crise se choca com um cenário de apagão de transparência denunciado pelo próprio Legislativo. Há meses, vereadores apontam que pedidos de informação enfrentam descumprimentos sistemáticos de prazos e manobras políticas na gestão dessa presidência para blindar a administração municipal.
Enquanto a prefeitura promove entregas visuais e publicidade institucional, as filas invisíveis da saúde evidenciam que o problema local é estrutural e humano, e não meramente logístico. As reuniões do Conselho Municipal de Saúde é vista como "cortina de fumaça" para camuflar a realidade observada na prática. A falta de interesse da população em participar é reflexo do descrédito no comando na saúde.
A cobrança apresentada na tribuna cumpre o papel constitucional de fiscalização. O avanço de Ibiporã não pode ser medido apenas por asfalto e eventos se os serviços básicos de sobrevivência e dignidade continuam operando abaixo da necessidade de seus habitantes. E vem aí muito dinheiro jogado fora nas contratações milionárias e sem licitação para promover shows na fantástica Festa Junina de Ibiporã. Já a saúde...
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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