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Domingo, 2 de Junho de 2024

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MDB:prefeiturável sim, e com uma histórico de respeito no desenvolvimento de Ibiporã

Em quase todas as ocasiões em que teve candidatura própria, a legenda manteve a tradição nas urnas

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
MDB:prefeiturável sim, e com uma histórico de respeito no desenvolvimento de Ibiporã
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  O MDB, Movimento Democrático Brasileiro, que no passado foi conhecido como Manda Brasa, ainda é a sigla mais cobiçada para abraçar o governo. Mas a nível de Paraná, apesar de fazer parte do governo, existe a independência dos diretórios.  Caso não haja nenhuma surpresa, o MDB deve confirmar este ano candidatura própria e chapa completa de vereadores. A conversa que corre de que a legenda está rachada, não abala os membros do maior partido do município. O que ocorre é que o MDB respira novos ares, com novas pessoas e novas ideias. Mas com o mesmo ideal que elegeu o maior número de prefeitos da história de Ibiporã. O partido tem identidade própria e tem o apoio da executiva estadual para qualquer que seja as decisões tomadas no futuro. 

   Como se diz na gíria, divergências de opiniões dentro de um partido não é novidade. Acontece em qualquer sigla e quando os rumos desagradam alguns, a mesma porta que serviu para entrada, está aberta para saída, embora há quem prefira sair pelos fundos. Outros preferem caminhar em cima do muro, esperando com isso, talvez enxergar mais longe. Mas no particular, o MDB de Ibiporã é como uma família. E como tal, tudo se resolve sem interferência externa. Para entender o MDB é preciso conhecer sua história. Ele é feito de grupo e não de indivíduos. Por isso, quando interesses pessoais se sobrepõem ao grupo, não permanecem, como o caso da família Requião, por exemplo.

Quem é o MDB?

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   O MDB é o partido que antagonizou com a Arena no período da ditadura civil-militar, e pós-democratização chegou a eleger todos os governadores do país, exceção ao de Sergipe, em 1986, fazendo ainda 38 dos 49 senadores e 261 dos 487 deputados federais naquele ano. Mesmo com tamanho poderio, não chegou forte e tampouco unido nas primeiras eleições presidenciais diretas após o fim do regime autoritário, em 1989. E não seria diferente aqui, mesmo tendo um legado histórico de representantes que aliás, tem um tabú a quebrar. Nenhuma mulher conseguiu chegar a prefeitura de Ibiporã pela legenda assim como a senadora do Mato Grosso do Sul, Simone Tebet, não chegou a presidência.

  No auge do MDB a nível nacional àquela altura, o "Senhor Diretas", presidente da Assembleia Constituinte e figura histórica da luta contra a ditadura, Ulysses Guimarães, foi o candidato de uma legenda castigada pela impopularidade do governo Sarney e pelo papel dúbio que exercia frente à opinião pública. No ano da eleição, a sigla havia se retirado do governo, mas mantinha alguns ministérios e cargos importantes.

   E se Ulysses seria o nome certo da legenda em uma eventual eleição direta em 1985, a história foi bem diferente em 1989. Em 29 de abril daquele ano, o MDB realizou sua convenção nacional com quatro candidatos. No primeiro turno da escolha, Ulysses Guimarães foi o mais votado com 302 votos, seguido pelo então governador da Bahia Waldyr Pires, com 272, vindo em seguida Iris Rezende (251) e o paranaense Álvaro Dias (72). Para evitar um segundo turno, Ulysses e Waldir formaram uma chapa única, que na prática não representou a unidade esperada, ainda mais por conta de uma parte significativa da sigla sonhar com a candidatura do governador paulista Orestes Quércia.

   O presidenciável emedebista foi "cristianizado" e viu muitos daqueles que deveriam ser seus correligionários aderirem a outras candidaturas, em especial a de Fernando Collor (PRN). Ao fim, terminou a eleição com parcos 4,6%, ficando em sétimo lugar. Ao menos o jingle de sua campanha, "Bote fé no velhinho", entrou para a história como um dos mais marcantes das campanhas eleitorais.

O MDB e o revés histórico

   Em 1994, se Ulysses seria um nome natural para uma eleição direta que não aconteceu em 1985, a candidatura mais forte da legenda em 1989 talvez fosse a de Orestes Quércia. Mas quando ele se tornou de fato presidenciável em 1994, seu tempo tinha passado. Àquela altura já havia sofrido com inúmeras denúncias de irregularidades que abalaram sua popularidade, tendo ainda problemas internos em São Paulo e desavenças com seu ex-afilhado político, o então governador Luiz Antônio Fleury.

   Disputou a prévia com o ex-governador do Paraná Roberto Requião e saiu vitorioso. A declaração de seu rival após o resultado já dava o tom que iria imperar nas hostes da sigla dali em diante. "Com Quércia concorrendo à Presidência, o MDB mostra sua face horrível e corrupta", disse Requião. Ironia do destino, suas palavras recaem sobre sua atitude como uma luva ao deixar o MDB para juntar-se ao PT. A face horrível e corrupta é da sigla, ou é do indivíduo?

   O CPDOC da Fundação Getulio Vargas relembra a divisão daquele momento apontando o alto índice de abstenção daquela prévia, sobretudo no Rio Grande do Sul, foco da dissidência comandada por Antônio Brito e Pedro Simon, e no Maranhão, reduto do ex-presidente José Sarney. O senador José Fogaça, dissidente da bancada gaúcha, lamentou que o ex-presidente do MDB não tivesse compreendido, antes da convenção, o 'desajuste' provocado por sua candidatura e afirmou que Quércia era 'sinônimo de inadequação ao pensamento político do partido, uma dificuldade de contexto. Num país de proporções continentais, era natural que isso viesse a acontecer.

   Seu último comício, na Praça da Sé, em São Paulo, marcou o fim de uma campanha melancólica em 30 de setembro. Na ocasião, atacou o candidato tucano Fernando Henrique Cardoso afirmando que "o PSDB é um partido fraco, sem tradição, sem estrutura. Com Fernando Henrique, quem vai comandar? "O governo vai ser como um monstro, com várias cabeças e vários braços". E não poupou seu colega de legenda José Sarney, que apoiava FHC, chamando-o de "canalha". Quércia terminou a eleição com 4,38%, atrás de Enéas Carneiro, do Prona. Talvez um dos fatos mais lembrados daquela disputa presidencial tenha sido seu embate com o jornalista Rui Xavier no programa Roda Viva, da TV Cultura, com um desfile de xingamentos, ofensas e ameaças nada usual na grade televisiva.

Sem candidatos do MDB

   A candidatura presidencial de Quércia foi a última do MDB durante um bom período. Em 1998, a base da legenda aliada a FHC conseguiu barrar a candidatura própria na convenção realizada em março daquele ano. O placar de 389 contrários com 303 a favor já deixava à vista o diagnóstico recorrente de desunião.  "Houve uma descortesia. Humilharam o Itamar Franco. Vai ser difícil reconstruir a unidade do partido", disse o senador Ronaldo Cunha Lima, defensor da candidatura própria, em referência ao ex-presidente que acabou candidato vitorioso ao governo de Minas Gerais. O partido não fechou apoio formal à reeleição do tucano, mas a maioria seguiu esse caminho.

    Já em 2002, com a implosão da aliança dentre o então PFL, hoje DEM, e o PSDB, os emedebistas indicaram a deputada federal capixaba Rita Camata como vice na chapa de José Serra. Mais uma vez a tese da candidatura própria foi vencida, assim como a pretensão renovada de Itamar Franco de ser o candidato emedebista. Em 2006, nova derrota para os defensores de um presidenciável da sigla: a disputa teve a ala governista (agora pró-Lula) com 351 votos contra 303, mas não houve a formalização da aliança.

    Em 2010, a vitória dos governistas foi expressiva com 560 dos 660 votos apurados na convenção nacional optando pela coalizão com o PT e a indicação de Michel Temer para vice de Dilma Rousseff. O então ex-governador do Paraná, Roberto Requião, e Antônio Pedreira, do MDB do Distrito Federal, que buscavam a vaga para disputar a Presidência, conseguiram 95 e 4 votos, respectivamente. Em junho de 2014 a manutenção da aliança foi aprovada com 69,7% dos votos dos convencionais. Ali, Temer fez um discurso profético por vias tortas ao seus correligionários pedindo unidade (que efetivamente não ocorreu). "Uma maior presença do MDB na área social, assim como teve no passado. São ações relativas à saúde, à educação, à integração nacional, entre outras", prometeu o vice.

A falta de um projeto nacional, estadual e municipal...

   O atual MDB já há algumas eleições tem mostrado que não tem um projeto nacional. Ou ele embarca numa candidatura a vice ou em uma candidatura como a do Henrique Meirelles que não chegava a ser sequer uma aventura, com números insignificantes para um partido que ainda tem uma bancada de senadores e deputados federais expressiva.  Fica sempre numa negociação ou de uma candidatura à vice-presidência ou numa composição governamental em que possa ter alguns ministérios.

   O que aconteceu no Paraná é uma prova disso, com a sigla comandada pelo deputado Anibelli Neto abraçando o Governador Ratinho Junior, passando a fazer parte do governo. Parece que isso lhe é suficiente, mas não é o que entra na cabeça dos MDbistas de berço ou de carteirinha como se diz por aí. Um partido que tem uma história importante, desde antes da democratização tem que saber se impor, e dar a volta por cima e disputar uma eleição sem medo, seja qual for o adversário.

   Não é porque tivemos a candidatura do ex-ministro do impopular governo Temer às eleições de 2018, que cumpriu o rito de candidatos pouco expressivos ao Planalto por parte da sigla, se deve desanimar. Temer teve o governo apontado como o pior desempenho de um presidenciável do partido. Henrique Meirelles, mesmo tendo investido R$ 54 milhões em sua própria campanha, teve somente 1,2% dos votos válidos, finalizando sua participação atrás do Cabo Daciolo (Patriotas). Logo, dinheiro também não é tudo. 

    Com a candidatura de Simone Tebet, o MDB colocou a mulher na vitrine. Porém a inspiração da possibilidade de vitória sucumbiu por questões relacionadas ao recebimento do fundo eleitoral, que são importantes para o partido. Outro fator é novamente a divisão de opiniões quando parte de membros do partido não viam em sua candidatura alguma possibilidade de representar o partido nacionalmente. O acordo com o governo Lula, volta a minar o campo da mulher em sua condição de liderança num cargo Executivo.

   A questão local, falando sobre o MDB de Ibiporã é vital para a sobrevivência não apenas de políticos mas da história construída com o próprio poderio da legenda. O partido continua sendo o líder no ranking de prefeituras comandadas no Brasil, mas vivem um recuo expressivo desde a última eleição municipal elegendo apenas um vereador, quando a média histórica é três.  Isso pode ser um indicativo de redução de bancadas, com a perda de espaço para outras agremiações, em especial do chamado Centrão. No Senado, os emedebistas ainda são a maior sigla com 12 parlamentares, mas na Câmara ocupam um hoje modesto sétimo lugar, com 37 deputados.

    O que pode ser dado como certo, independentemente dos resultados o MDB vai para a disputa seja com quem for. Uma composição com a atual administração é a última e inimaginável opção. O que vai além disso, é especulação. O desgaste da administração José Maria é maior que seu canteiro de obras. Especialmente nos bairros, onde que está sofrendo é a população mais simples. Na contra-mão de administrar como o MDB, o prefeito age como o Robin Wood as avessas. Tira do pobre para beneficiar os ricos. O que fez no centro e detrimento dos bairros é um exemplo disso. Portanto, não se deve subjugar uma sigla pela ausência de alguns dissidentes. Até a natureza nos ensina que para crescer forte e saudável, uma boa poda de galhos secos e frutos podres devem ser retirados para que a árvore possa voltar a produzir bons frutos.
E o MDB de Ibiporã está aí, para o que der e vier, mas jamais abrirá mão de seu legado, de seus grande nomes, e de sua história que hoje orgulha-se em ter uma mulher na sua liderança.

 

 

 

 

 

 

 

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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