A Justiça Eleitoral de Cambé recebeu um pedido de “Ação de Investigação Judicial Eleitoral” (AIJE), em face a supostos e deliberados delitos praticados em tese pelo prefeito eleito Conrado Angelo Scheeller (PSD) e seu vice José Carlos Camargo. A lista de objetos da denúncia é imensa. Faz o caso do mesmo tipo de ocorrência ocorrido em Jataizinho parecer irrisório. A peça protocolada pela Coligação “por uma Cambé Melhor” possui 368 páginas e reúne dezenas de documentos e vídeos que apontam a prática de reiteradas e sistemáticas condutas que configuram abuso de poder político, uso indevido dos meios de comunicação social, abuso do poder econômico, propaganda eleitoral antecipada com o objetivo de influenciar o eleitorado nas Eleições Municipais de 2024.
Soma-se ainda a denúncia, a Secretária Municipal de Educação, Estela de Fátima Camata Lopes Mendonça e o Reitor do Instituto Federal do Paraná Adriano Willian da Silva Viana Pereira. Conrado Scheller é acusado entre outras ações de valer-se do cargo de prefeito para usar suas redes sociais (Instagram e facebook) como palanque eleitoral, divulgando obras públicas e informações privilegiadas instrumentalizando servidores e recursos públicos em horário de trabalho para promover sua imagem pessoal com o intuito de obter vantagem indevida em período pré eleitoral sobre os demais concorrentes ao pleito.
A Ação tem amparo legal na Lei Complementar n°64/90 em seu artigo 22 que garante a intervenção da Justiça Eleitoral para garantir a lisura do pleito, a igualdade e oportunidade entre os candidatos além da soberania do voto popular. A Secretária de Educação Estela Camata é acusada de utilizar a entrega de uniformes aos alunos da rede municipal de ensino protagonizando um vídeo de enaltecimento contribuindo para a prática de conduta vedada e abuso de poder político em benefício ao prefeito, enquanto candidato a reeleição. Já o Reitor do Instituto Federal do Paraná, Adriano Viana Pereira teria contribuído com “elogios” à administração por ocasião de instalação da IFPR em Cambé, usando do cargo público para beneficiar eleitoralmente Conrado Scheller.
Numa das dezenas de supostas provas apresentadas a Justiça Eleitoral, o então prefeito teria se valido de informações junto ao Governador Ratinho Junior, uma parceria onde o município “em tese” receberia R$ 5 milhões de reais para um projeto de um “Pronto Atendimento”, divulgando ainda, a data da licitação da obra. “É a sáude de Cambé avançando como nunca antes”, teria declarado o que supostamente violaria o princípio da impessoalidade previsto no artigo 37, caput da Constituição Federal. Tal declaração teria alçançado mais de 40 mil visualizações, praticamente metade do eleitorado de Cambé.
Dezenas de fotos, prints de conversas, vídeos e farto material comprobatório recheiam minuciosamente a extensa representação em suas 368 páginas. A Juíza Eleitoral Dra. Luciene Oliveira Vizzotto Zanettti, ao tomar conhecimento dos fatos, abriu procedimento investigativo através dos Autos (11527) N°-0600471-34.2024.6.16.0078 e já despachou intimações direcionadas aos denunciados dando prazo de 15 dias para apresentarem defesa. Este Portal de Notícias estará acompanhando os desdobramentos da Ação e deixa o espaço aberto a defesa dos denunciados se assim o acharem pertinente.

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