A Prefeitura de Ibiporã oficializou, por meio do Decreto nº 416/2026 publicado na última segunda-feira (26) no Jornal Oficial, a ampliação do horário de funcionamento do Cemitério Municipal São Lucas para o Dia de Finados (2/11), que passará a atender das 7h às 19h. A medida da Secretaria Municipal de Administração é padrão e visa diluir o expressivo fluxo de visitantes esperado para a data. No entanto, para além das doze horas de portões abertos, o cenário que aguarda as famílias expõe feridas antigas de uma zeladoria urbana que parece esquecida pelo prefeito José Maria Ferreira.
Mais um ano se passou e a sensação de "dejavu" incomoda quem frequenta o local. Apesar dos esforços recentes na limpeza geral e na tão necessária instalação de placas de identificação das quadras — avanços que merecem registro —, a infraestrutura estrutural do São Lucas clama por socorro.
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As capelas mortuárias e seus respectivos banheiros públicos continuam sem receber a manutenção devida e uma nova pintura, ostentando um aspecto de abandono incompatível com o momento de dor e recolhimento das famílias. Olhando para cima, a situação não melhora: a cobertura de acrílico dos arcos, que deveria proteger os munícipes das intempéries, apresenta goteiras crônicas e uma espessa camada de sujeira acumulada. Há anos a estrutura não vê água e sabão.
O ponto mais alarmante, contudo, está sob os pés dos visitantes. Caminhar pelos corredores entre os túmulos transformou-se em uma atividade de risco. Imperfeições gritantes, rachaduras profundas e buracos no piso moldam um cenário propício para quedas e acidentes graves, ameaçando diretamente a integridade física de idosos e pessoas com mobilidade reduzida — justamente o perfil majoritário daqueles que tiram o dia para homenagear seus entes queridos.
Uma sugestão de prioridade administrativa
Chama a atenção o contraste de prioridades na atual gestão. Enquanto as calçadas de toda a região central da cidade receberam um robusto e questionável calçamento em blocos intertravados (paver) — uma intervenção que muitos consideraram sem nenhuma necessidade urgente —, as ruas internas do cemitério continuam desassistidas.
Cuidar das vias do cemitério e mantê-las seguras não é um favor estético; é uma prioridade de saúde e segurança pública. A substituição do piso deteriorado do São Lucas por pavimentação em paver é uma sugestão antiga desta reportagem que o prefeito José Maria Ferreira deveria, finalmente, tirar do papel.
Garantir um decreto para ampliar o horário de visitação é fácil, mas o respeito à memória dos que partiram e à dignidade dos que ficam exige mais do que burocracia impressa no Jornal Oficial. Exige obras, manutenção real e sensibilidade política. Ibiporã espera que, antes do próximo Finados, o cemitério municipal deixe de ser um depósito de promessas atrasadas.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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