Uma verdadeira bomba pode estar prestes a explodir em Ibiporã caso seja confirmada a participação de políticos, filhos de políticos, empresários, e cartórios, na utilização de holdings criminosas também conhecidas como empresas de fachada patrimoniais utilizadas para fins ilícitos na venda de imóveis irregulares em áreas de preservação ambiental em Ibiporã.
Diferente de uma holding legítima, voltada para o planejamento sucessório ou gestão de ativos, a estrutura criminosa foca em uso de empresas "fantasmas" ou "prateleira" dificultando a identificação dos reais beneficiários do loteamento ilegal também conhecidos como "laranjas". Imóveis em áreas de proteção são transferidos entre diversas empresas do mesmo grupo para simular uma cadeia de propriedade legal. O lucro da venda de lotes irregulares é reinvestido na holding, integrando capital ilícito ao sistema financeiro sob a aparência de rendimentos imobiliários.
O Ministério Público do Paraná, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã, com apoio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), já cumpriu na semana passada, quatro mandados de busca e apreensão na Operação Miragem, que investiga crimes relacionados a loteamento sem autorização (Lei 6.766/79) e à instalação de atividade potencialmente poluidora sem licença ambiental (Lei 9.605/98), além de crimes correlatos, como falsidade ideológica. As medidas foram cumpridas em quatro endereços vinculados aos investigados. Os nomes por enquanto estão mantidos em sigilo de Justiça mas não se descarta o envolvimento de políticos da cidade.
Já há algum tempo o Ministério Público de Ibiporã vinha investigando e promovendo ações para coibir esta modalidade sofisticada de grilagem moderna e lavagem de dinheiro. Agora vaza a informação de que uma grande investigação está em curso correndo em segredo de justiça que pode culminar no maior escândalo imobiliário/financeiro já visto na história de Ibiporã. Fala-se na cifra milionária que pode render a quadrilha cerca de R$ 70 milhões de reais.
Segundo o Ministério Público do Paraná, durante o cumprimento das ordens judiciais, expedidas pela Vara Criminal de Ibiporã, foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos, além de documentos, e um dos investigados foi preso em flagrante por porte ilegal de munição. O material apreendido já foi periciado e deverá auxiliar na continuidade das investigações.
Ainda segundo a fonte, o caso tomou ainda proporções mais sérias após a perícia nos telefones celulares apreendidos durante o curso das investigações pelo Gaeco onde estariam supostamente envolvidos, políticos influentes e gente importante da sociedade na cidade ligados a cartórios e imobiliárias.
Essa prática combina a destruição da Mata Atlântica e áreas de mananciais com fraudes documentais e financeiras. Ao contrário da grilagem tradicional, que envolvia apenas falsificação de papéis, o esquema de "holding criminosa" atua como uma empresa estruturada. Criminosos criam imobiliárias de fachada ou holdings patrimoniais para dar uma aparência de legalidade à posse de terras públicas ou Áreas de Proteção Ambiental (APAs).
Segundo apurado pela 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã, em um dos casos foi formado no município um loteamento irregular com área de 68.100 m², subdividida em 62 lotes de aproximadamente 1.000 m² cada, em desacordo com o módulo rural mínimo de 20.000 m². Para evitar o comércio irregular dos terrenos, o MPPR acionou a Justiça e obteve uma liminar em 10 de outubro de 2025.
No entanto, um dia antes da decisão que proibia o recebimento de valores dos compradores, o investigado criou uma nova empresa em nome de sua irmã e orientou os adquirentes a pagarem as parcelas via Pix para uma nova conta, alegando “instabilidade no sistema”. Além disso, mesmo ciente da interdição judicial, ofereceu descontos de 15% para quitação antecipada dos lotes, visando captar recursos rapidamente antes de um possível bloqueio.
Também é investigada a possível ocultação de provas, uma vez que o investigado descumpriu a ordem de apresentar em juízo a íntegra de todos os contratos de compra e venda. Para isso, alegou inicialmente proteção de dados (com base na Lei Geral de Proteção de Dados) e, posteriormente, afirmou que todos os contratos foram perdidos devido à “corrosão do disco rígido” de seu computador.
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A investigação apurou que o grupo operacional desmata áreas de preservação (Mata Atlântica), remove a vegetação e divide o terreno em lotes clandestinos. A holding criminosa utiliza imobiliárias para registrar documentos de compra e venda falsos ou "contratos de gaveta" em cartórios, simulando uma regularidade que não existe. Os lotes são anunciados a preços abaixo do mercado, atraindo compradores de boa-fé, muitas vezes aceitando veículos como pagamento.
A organização criminosa frequentemente vende terrenos em áreas como a de mananciais a margem do Rio Tibagi prometendo infraestrutura (água, luz, pavimentação) que, quando construída, é ilegal. O comprador não recebe a escritura definitiva, apenas a posse, o que configura fraude imobiliária. Quem compra essas chácaras ou lotes corre o alto risco de perder todo o investimento, já que construções em áreas de preservação permanente (APP) estão sujeitas a demolição e o comprador pode ser responsabilizado por crimes ambientais.
Investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam que esses grupos são organizados, com núcleos operacionais, comerciais e financeiro-administrativos. Tal organismo criminoso não teria êxito nas negociações mediante fraudes, sem a participação de agentes públicos, intermediação de políticos e influenciadores no mercado imobiliário e cartórios para a "lavagem de documentos" dando a impressão de legalidade nos crimes. E a investigação não se restringe apenas a um caso específico.
O dinheiro gerado é frequentemente lavado por meio da própria estrutura da empresa e, em muitos casos, há envolvimento de facções criminosas, o que também abre o leque das investigações. A "holding" nesse contexto não passa de um mecanismo de lavagem de dinheiro, focado em lucrar com a destruição ambiental. O combate a essas organizações envolve não apenas a prisão dos envolvidos, mas o bloqueio de bens para reflorestamento da área, visando mitigar o dano ambiental, que muitas vezes é insuperável. Uma farta documentação de posse da Justiça aponta, segundo a fonte a participação de políticos, e servidores públicos o que pode culminar além da cassação de mandato, exoneração e até na prisão dos envolvidos.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno/MPPR
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