Existe hoje um grande problema quanto ao tempo de espera para atendimento médico. Talvez movidos pelo valor pago pelos planos de saúde, ou pelo costume dos brasileiros em não serem tão pontuais ou em não avisar o não comparecimento, existe um verdadeiro acúmulo de horários, de tal forma que o atendimento no horário marcado tornou-se raridade, e mais uma fonte de incômodo para pessoas já combalidas pela doença.
Uma vez mais, o atraso de médico no atendimento a pacientes que aguardam consulta na UBS da Vila Esperança (foto abaixo) é motivo de reclamação. Uma paciente narra história em que esperou por cerca de uma hora para receber atendimento médico em consulta de rotina. A pessoa alega que por conta disso, pode perder o dia de serviço, pois sem a consulta, não tem como justificar o atraso no trabalho, porque teve que ir embora sem atestado.

Atraso de médicos e demora no atendimento são reclamações de usuários das UBS de forma geral
Apesar de não querer se identificar, a paciente fez questão de registrar sua indignação com a situação nas redes sociais. Ao comentar a situação, uma outra munícipe, desabafa. "A saúde está uma vergonha. É um jogo de empurra". Outro cidadão também registra. "É triste! Já passei por isso. Perder dia de trabalho por causa da irresponsabilidade dos outros". Uma outra paciente conta que procura chegar ao postinho sempre com certa antecedência justamente para não correr o risco de perder a consulta, "mas mesmo com horário marcado, ficamos uma ou até duas horas aguardando médico", relata.
Assim como estes cidadãos, muita gente tem vivido esse tipo de situação diariamente nas UBSs e até nos consultórios médicos que atendem por convênios. No entanto, o que pouca gente sabe é que casos desse tipo podem ser denunciados ao órgão de defesa do consumidor, o Procon. Para quem não sabe, o ofício médico está subordinado às leis de proteção ao consumidor, por se tratar de um serviço prestado como qualquer outro.
Apesar de não existir (mas deveria) uma resolução especifica no Conselho Regional de Medicina (CRM) que regule esse tipo de conduta, salvo nos casos em que o paciente venha a sofrer algum tipo de agravo no seu quadro de saúde, e que tenha sido comprovadamente causado pelo atraso ou eventual falta do médico à consulta, esta atitude do profissional, deve ser vista e cobrada da administração municipal, que responde pela saúde pública. Aliás, num caso como este, cabe ao cidadão fazer uma denúncia direta no CRM, através da qual será aberta uma sindicância na corregedoria do conselho, que resolverá sobre a abertura de um possível processo contra o médico denunciado.
Diz o Código de Ética Médica no seu art. 8º: “O médico não pode, em qualquer circunstância, ou sob qualquer pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, devendo evitar que quaisquer restrições ou imposições possam prejudicar a eficácia e correção de seu trabalho".
Uma vez que o município se propõe a atender nas UBSs, todos os usuários em geral e tem ciência de que haverá sobreposição de horários, deve tomar medidas para evitar que o tempo de espera pelas consultas ultrapasse um tempo razoável, lembrando que lida com pessoas fragilizadas. Ninguém procura médico se estiver são. Onde está a secretária de saúde que não resolve isso?

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