A Praça Eugênio Sperandio, localizada em frente à antiga Estação Ferroviária de Ibiporã, transformou-se em um retrato vivo do abandono e da negligência do poder público municipal. O espaço, que deveria ser um ponto de lazer e preservação histórica para a comunidade, hoje acumula muita sujeira, mato e vandalismo, gerando indignação entre os moradores e comerciantes da região.
Desde que a administração municipal realizou a demolição de uma antiga estrutura no local — outrora utilizada como abrigo improvisado por pessoas em situação de rua —, a praça foi completamente esquecida pelas equipes de manutenção urbana. O cenário atual é de degradação visível: bancos e mesas quebrados, lixeiras arrebentadas e o mato tomando conta de calçadas e canteiros, impedindo o trânsito seguro de pedestres.
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O ponto mais crítico da deterioração é o chafariz da praça. Atualmente desativado e tomado pela imundície, a estrutura acumulou água parada e sujeira, transformando-se em uma "piscina pública" ideal para a reprodução de insetos. Em um período em que a saúde pública exige vigilância constante, o local opera como um criadouro a céu aberto para o mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças graves e potencialmente letais como a dengue, o zika vírus e a chikungunya. A omissão da prefeitura expõe diretamente a população do entorno a um severo risco epidemiológico.

Além do perigo sanitário, a situação da praça representa um profundo desrespeito à história do município. O espaço carrega o nome de Eugênio Sperandio, pioneiro e antigo morador de Ibiporã, cuja trajetória se confunde com o desenvolvimento da cidade. Sperandio foi uma figura emblemática e muito conhecida na região por ter sido o proprietário de um bar tradicional situado justamente em frente à Estação Ferroviária, ponto de encontro que marcou gerações.

Deixar que a praça que homenageia sua memória sucumba ao lixo e ao esquecimento é apagar um pedaço da identidade cultural de Ibiporã. A comunidade cobra uma atitude imediata da administração municipal para que realize a limpeza, o reparo dos mobiliários urbanos e o tratamento adequado do chafariz, devolvendo a dignidade ao espaço e garantindo a segurança de todos.

O Insulto à Arte e ao Patrimônio Histórico
Como se não bastasse o flagrante risco à saúde pública e o abandono estrutural, o descaso da administração municipal atinge contornos de crime contra o patrimônio cultural. A mesma praça abriga a escultura Lady in Mytica, obra do renomado artista plástico Henrique de Aragão. Reconhecido internacionalmente como um dos maiores expoentes da arte sacra no país e cidadão que escolheu Ibiporã para viver e eternizar seu legado, Aragão recebe do poder público o pior dos pagamentos: o esquecimento.

A escultura, que deveria ser reverenciada como patrimônio estético e orgulho da comunidade, hoje repousa emoldurada por sujeira, matagal e lixo. Ver uma criação de Henrique de Aragão sitiada pela degradação urbana é um tapa na face da identidade cultural de Ibiporã. É a prova definitiva de que a prefeitura não apenas falha na zeladoria básica, mas também demonstra um profundo desprezo pela memória de seus grandes nomes, tratando arte de nível internacional com a mesma indiferença com que trata o mato que cresce sem controle.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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