"A natureza é sábia e justa. O vento sacode as árvores, move os galhos, para que todas as folhas tenham seu momento de sol". Humberto de Campos. Em diferentes pontos de Londrina, nos bosques, capões, matas ciliares e vales preservados, observa-se um fenômeno. E não se trata da foice, do machado, muito menos da motosserra. O problema, muitas vezes invisível aos olhos desatentos, está nas copas: o ataque acelerado e descontrolado das lianas, os populares cipós.
Os cipós ou lianas fazem parte da natureza e têm um papel importante na biodiversidade, contudo, quando seus ciclos naturais se desiquilibram, comprometem a sobrevivência das árvores que lhes servem de suporte. Em estudos da ecologia florestal, o processo conhecido como "morte dinâmica" descreve justamente esta situação: as árvores ficam tomadas por cipós que o peso adicional e a sombra densa impedem a fotossíntese, fragilizam a estrutura e, com o tempo, levam ao declínio e a morte da árvores hospedeira.
Pesquisas mostram que, em florestas tropicais degradadas ou fragmentadas, a presença de lianas pode aumentar em quase 40% o risco de mortalidade das árvores. Isto ocorre porque elas competem intensamente por luz, água e nutrientes, atuando como "parasitas estruturais": usam o tronco da árvores como suporte para crescer.
Esse avanço não é apenas um dano individual. O excesso de cipós afeta toda a dinâmica florestal: reduz o crescimento das árvores, diminui sua capacidade de armazenar carbono, fundamental no combate às mudanças climáticas e impede a regeneração natural, abrindo vantagem para espécies oportunistas.
Em muitos trechos de rodovias, seja no Paraná ou em outros Estados já se veem capões inteiros com árvores estranguladas pelo "abraço" dos cipós, indicando degradação avançada. Assim como a febre no corpo humano a proliferação exagerada dos cipós é um sintoma que alerta para a necessidade de cuidado, por isso a urgência de ações que combatam o seu crescimento sem controle.
Alguns municípios brasileiros já adotam medidas de controle em áreas críticas. A Prefeitura de Maringá, por exemplo, firmou parceria com a universidade local para manejar trechos de mata urbana, reduzindo a infestação de cipós e recuperando árvores debilitadas, com resultados expressivos. Diante deste cenário, torna-se urgente que Londrina e região ampliem as ações de monitoramento das áreas verdes e manejo dos cipós, para garantir que as árvores possam conviver de forma saudável.
A recomposição florestal é lenta e cara, e permitir que nossas matas se deteriorem por falta de cuidado é um risco que não podemos aceitar. Somos ligados à terra e conscientes da responsabilidade ecológica que nos cabe praticar em nossa propriedade ou no trabalho que exercemos, e o fazemos com dedicação e amor à Natureza, por isso, deixamos este alerta aos órgãos competentes e à sociedade. NÃO DEIXEM NOSSA FLORA NATIVA DESAPARECER.
"O crescimento descontrolado dos cipós é apenas o mensageiro; cabe a nós ouvir o chamado".
Créditos do texto:
Gerson Gonçalves: Agropecuarista
Alberto Baccarim: Secretário do Meio Ambiente de Ibiporã

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