Desde que a Polícia Civil do Paraná (PCPR) abriu investigação para apurar o envolvimento de servidores municipais, e a participação de um vereador suspeito de “indicar clientes” para uma organização criminosa que estaria realizando a venda ilegal de terrenos no Cemitério Municipal de São Lucas em Ibiporã, não se falou mais no assunto.
A investigação em 2020 foi pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR) e fez parte da Operação Necrópole, deflagrada pela PCPR no mês de outubro de 2019, com o objetivo de apurar o caso. Na ocasião 13 pessoas foram investigadas sob suspeita de colaborar com crime, entre elas o diretor do cemitério, preso acusado de liderar a organização criminosa e posteriormente exonerado do quadro de servidores dado à providencias administrativas tomadas pelo ex-prefeito.
Fato é que passados cinco anos, a ação de investigação contra o grupo criminoso na cidade parece não ter chegado ao fim. O julgamento do caso foi transferido para o Tribunal de Justiça, em Curitiba, onde permanece sem novidades. No inquérito policial foi levantado mais de 250 vítima que pagaram valores que variavam entre R$ 2 mil a R$ 22 mil reais e cada caso vem sendo analisado.
Após assumir a administração municipal, o prefeito José Maria Ferreira (PSD) nomeou uma nova administração para os serviços do Cemitério São Lucas. Porém após a investigação da Policia Civil, os números de jazigos existentes no cemitério como os espaços ocupados e os disponíveis são desconhecidos. Este é um dos tópicos do pedido de informações feitas pelo vereador Hugo Furrier (MDB) ao chefe do executivo municipal.
O vereador requer informações detalhadas sobre a área total ocupada e área livre no cemitério com indicação de eventuais expansões ou projetos em andamento até porque a cidade cresceu, duplicou-se a população e o município não possui outro cemitério.
Administração
Outro ponto questionado pelo vereador Hugo Furrier requer informações sobre a manutenção do cemitério incluindo a frequência de limpeza, conservação e quaisquer outras ações realizadas para garantir a infraestrutura adequada ao local. Os gastos financeiros anuais ou por período fiscal com a administração e manutenção discriminando as principais despesas (como limpeza, segurança, infraestrutura, entre outras também requerem fiscalização.
A quantidade de sepultamentos realizados anualmente, com a indicação de eventuais variações ou tendências observadas nos últimos anos, bem como projetos em andamento ou previstos para ampliação, melhoria ou reforma do cemitério também são solicitados como prazos e custos estimados. O cemitério em alguns corredores bem como o acesso a área “mais nova”, aos fundos não possuem acessibilidade, estando limitado apenas a escadas. Neste quesito o vereador também cobra informações sobre a acessibilidade e segurança do local, incluindo condições de mobilidade para pessoas com deficiência e medidas adotadas para evitar atos de vandalismo.
Regulamentação e critérios
O vereador também requisita no pedido de informações dados sobre os critérios e regulamentações para a concessão de jazigos, incluindo valores cobrados, formas de pagamento e qualquer outro procedimento, considerando que tais informações são de grande relevância para o acompanhamento das ações da administração municipal de Ibiporã para garantir a transparência da gestão pública. Furrier lembra o caso citado no início desta matéria e os grandes problemas acerca deste assunto em nosso município, especialmente nesse tema de interesse social tão significativo como o cemitério municipal. O vereador dará publicidade à população aos efeitos de sua solicitação tão logo receba as informações requisitadas.

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