A gestão do prefeito José Maria Ferreira em Ibiporã atingiu um feito inédito: uma surdez política tão crônica que nem os vereadores da sua própria base aliada conseguem romper. O caso da UPA da cidade não é apenas um relatório de má administração, é um monumento ao desperdício e ao descaso com o dinheiro do contribuinte.
A estrutura custou impressionantes R$ 4 milhões num suposto superfaturamento invisível, quando o valor médio das UPAS no país na mesma época e modelos eram por volta de R$ 2,5 milhões. O valor foi o dobro da média nacional de UPAs do mesmo porte. Apesar da dinheirama, o prédio está literalmente desmanchando há três anos. Para uma cidade com orçamento anual que já ultrapassa a casa dos R$ 200 milhões, faltar manutenção básica é uma escolha política, não falta de verba.
O Raio-X do Descaso Absoluto
Enquanto a prefeitura nada em receitas de impostos, a saúde pública sobrevive de sucata. O vereador Rafael da Farmácia (PSD) precisou correr atrás de verba externa para comprar um aparelho de raio-X novo. O dinheiro está na mesa há meses. A resposta da prefeitura? O mais absoluto nada.
O parlamentar gravou um vídeo em frente a UPA, testemunhando sua intervenção pelo recurso e cobra do prefeito a compra do novo aparelho. O cidadão de Ibiporã que quebra um braço precisa contar com a sorte para o aparelho velho e ultrapassado da UPA estar funcionando. A agilidade do prefeito só aparece na hora de ignorar os apelos públicos e desfilar com o filho a tira-colo em festas, inaugurações e agendas políticas pela região em escancarada campanha eleitoral.
Visivelmente decepcionado, o vereador Rafael da Farmácia rasgou o verbo: "Não precisa pedir o raio-X para mim, basta atender a população".
Surdez Seletiva no Gabinete
Se o professor Mohamed El Kadri (foto abaixo) e outros nomes do legislativo vivem falando com as paredes, imagine o cidadão comum.
O prefeito parece governar trancado em uma torre de marfim. Ele desrespeita a quem foi eleito para fiscalizar e castiga quem depende do SUS.
Se o chefe do Executivo não atende sequer quem estende a mão para apoiá-lo, a representatividade política em Ibiporã virou piada de mau gosto. A saúde da população virou refém de um capricho burocrático inexplicável. A pergunta é, até quando?


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