Cerca de quinhentas pessoas participaram na manhã de ontem de um protesto pacífico organizado por moradores, agricultores, e pequenos empresários da agricultura familiar contra a retomada da cobrança de pedágios na praça de Jataizinho. O grupo organizou o movimento na intensão de abrir discussões sobre as questões de impacto social e econômico, especialmente de quem mora na zona rural e necessita passar diariamente pela nova praça de pedágio. O movimento teve grande adesão especialmente de senhoras de agricultores e membros dos sindicatos rurais patronais.

A implantação da praças de pedágio em Jataizinho, ocorreu no âmbito do chamado "Anel de Integração", cujos contratos foram assinados durante a gestão do governador Jaime Lerner em 1997. Antes da ocupação da praça pela concessionária Econorte, a população local já havia se mobilizado contra a instalação da praça. Na época não faltaram políticos usando o movimento para tirarem vantagem da situação e ganharem notoriedade frente a opinião pública. Ah, e nem padre!

O que a população não sabe, é que houve acordos de bastidores que beneficiaram poucos, (com cartões de isenção) inclusive quem mais ganhou foi a classe política, já que prefeitura passou receber recursos provenientes das tarifas de pedágio através do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza). Esse imposto é de competência municipal e incide sobre o valor cobrado nas praças de pedágio situadas dentro do território de Jataizinho. Uma fonte do alto escalão da antiga concessionária, chegou a relatar que nas campanhas eleitorais, políticos "passavam a sacolinha" angariando contribuições para campanha.

A julgar pelos infiltrados no movimento de ontem, a banda ainda deve tocar no mesmo tom. Uma das preocupações dos organizadores do movimento que teve início por volta das 08h00 da manhã, é o alto custo da tarifa, estimada incialmente em R$ 14,36 reais. Uma das tarifas mais caras do país, à exemplo de como já foi anteriormente. A retomada da cobrança trás impactos sociais e econômicos aos cidadãos atingidos, que precisam cruzar a praça diversas vezes ao dia para trabalhar. O valor sem dúvida é discutível e desproporcional à realidade econômica do município. Além do impacto imediato na logística, o setor produtivo alerta para uma reação em cadeia no custo de vida da população.

Em nota a imprensa, "a concessionária EPR Paraná reafirmou o compromisso com o diálogo junto à comunidade e destacou que o novo contrato prevê benefícios financeiros aos condutores, como o Desconto Básico de Tarifa (DBT) de 5% para veículos com TAG e o Desconto para Usuários Frequentes (DUF), que pode reduzir o valor da taxa em até 93% conforme a recorrência de passagens". Na prática isso pode significar que não haverá "isenção zero". Só o tempo dirá.
A empresa recomenda que os usuários realizem o cadastro prévio pelo aplicativo ou site oficial da concessionária para evitar falhas de saldo e esclarece que a data de início da cobrança eletrônica será divulgada somente após definição do poder concedente, respeitando as etapas regulatórias.

Outra preocupação apontada pelos organizadores é que a cobrança de tarifas provocará também o aumento nos custos de transporte que acaba sendo repassado ao consumidor final, elevando os preços de produtos e serviços básicos em Jataizinho e cidades vizinhas. Embora a nova concessão prometa tecnologias como o sistema de cobrança automática, para agilizar o fluxo de veículos, os líderes do protesto afirmam que a modernização não compensa o prejuízo financeiro imposto às famílias e empresas da região


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