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Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026
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O Preço do Descaso: A UPA Milionária de Ibiporã e a Inércia do Executivo

A saúde pública em Ibiporã virou uma novela arrastada, cara e de péssimo gosto para o cidadão comum.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O Preço do Descaso: A UPA Milionária de Ibiporã e a Inércia do Executivo
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   Recentemente, a Câmara de Vereadores testemunhou mais um capítulo desse enredo de descaso: a cobrança insistente do vereador Professor Mohamed (PL) reiterando solicitações feitas ainda em 2025. O pedido? Medidas urgentes para a retomada das obras de reforma e ampliação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, que seguem vergonhosamente paralisadas.
 
   A mesma solicitação já havia sido feita por outro vereador, Rafael da Farmácia ainda em 2023, quando parte do teto do laboratório despencou e as paredes começaram a apresentar rachaduras e infiltrações.  O argumento técnico do Executivo para o abandono do canteiro de obras se escora na famigerada "necessidade de uma nova licitação".
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   Na prática da gestão pública, essa justificativa soa como um eufemismo conveniente para camuflar a falta de planejamento e a lentidão burocrática. Enquanto papéis tramitam a passos de cágado nos gabinetes, na ponta final da corda estão os profissionais de saúde — trabalhando sob condições improvisadas e de extrema pressão — e a população, que depende da unidade para atendimentos de urgência e emergência e se depara com o caos.
 
   O absurdo ganha contornos ainda mais graves quando puxamos pela memória o histórico dessa edificação. A UPA de Ibiporã, erguida originalmente sob o rótulo de "obra milionária" durante a gestão do atual prefeito, carrega um pecado original de suspeita de super faturamento ou, no mínimo, de uma assustadora ineficiência financeira.
 
   Na época de sua construção, a unidade custou aos cofres públicos praticamente o dobro do que a média nacional gastava para erguer o mesmo tipo de estrutura. Enquanto o país registrava uma média de 280 mil reais por unidade padrão da mesma categoria, a de Ibiporã rompeu barreiras inexplicáveis, aproximando-se de quase meio milhão de reais à época. 
 
   O contraste é revoltante: uma obra que custou o dobro do preço de mercado hoje não consegue sequer ser mantida ou reformada com agilidade pelo atual Poder Executivo. Se o custo foi de ouro no passado, a entrega no presente é de absoluto abandono. 
 
   A indignação parlamentar — que reflete diretamente a voz das ruas — não se limita à retomada da estrutura interna. Chega a ser constrangedor que em pleno ano de 2026, os vereadores precisem protocolar indicações formais exigindo o óbvio: a construção de uma simples cobertura na área externa da entrada da unidade.
 
   Pacientes debilitados, idosos, crianças e acompanhantes são rotineiramente submetidos à humilhação de aguardar atendimento médico debaixo de sol escaldante ou de temporais, sem qualquer proteção climática.  Garantir uma cobertura e acelerar uma licitação de reforma não são favores da prefeitura; são obrigações mínimas de dignidade, acolhimento e humanização.
 
   O silêncio e a inércia do Executivo diante de solicitações ignoradas há mais de um ano dão o tom de uma gestão que parece anestesiada perante o sofrimento alheio. Ibiporã pagou caro por sua UPA no passado e continua pagando um preço ainda mais alto no presente: o preço da negligência com a vida de sua gente.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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