Recentemente, a Câmara de Vereadores testemunhou mais um capítulo desse enredo de descaso: a cobrança insistente do vereador Professor Mohamed (PL) reiterando solicitações feitas ainda em 2025. O pedido? Medidas urgentes para a retomada das obras de reforma e ampliação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, que seguem vergonhosamente paralisadas.
A mesma solicitação já havia sido feita por outro vereador, Rafael da Farmácia ainda em 2023, quando parte do teto do laboratório despencou e as paredes começaram a apresentar rachaduras e infiltrações. O argumento técnico do Executivo para o abandono do canteiro de obras se escora na famigerada "necessidade de uma nova licitação".
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Na prática da gestão pública, essa justificativa soa como um eufemismo conveniente para camuflar a falta de planejamento e a lentidão burocrática. Enquanto papéis tramitam a passos de cágado nos gabinetes, na ponta final da corda estão os profissionais de saúde — trabalhando sob condições improvisadas e de extrema pressão — e a população, que depende da unidade para atendimentos de urgência e emergência e se depara com o caos.
O absurdo ganha contornos ainda mais graves quando puxamos pela memória o histórico dessa edificação. A UPA de Ibiporã, erguida originalmente sob o rótulo de "obra milionária" durante a gestão do atual prefeito, carrega um pecado original de suspeita de super faturamento ou, no mínimo, de uma assustadora ineficiência financeira.
Na época de sua construção, a unidade custou aos cofres públicos praticamente o dobro do que a média nacional gastava para erguer o mesmo tipo de estrutura. Enquanto o país registrava uma média de 280 mil reais por unidade padrão da mesma categoria, a de Ibiporã rompeu barreiras inexplicáveis, aproximando-se de quase meio milhão de reais à época.
O contraste é revoltante: uma obra que custou o dobro do preço de mercado hoje não consegue sequer ser mantida ou reformada com agilidade pelo atual Poder Executivo. Se o custo foi de ouro no passado, a entrega no presente é de absoluto abandono.
A indignação parlamentar — que reflete diretamente a voz das ruas — não se limita à retomada da estrutura interna. Chega a ser constrangedor que em pleno ano de 2026, os vereadores precisem protocolar indicações formais exigindo o óbvio: a construção de uma simples cobertura na área externa da entrada da unidade.
Pacientes debilitados, idosos, crianças e acompanhantes são rotineiramente submetidos à humilhação de aguardar atendimento médico debaixo de sol escaldante ou de temporais, sem qualquer proteção climática. Garantir uma cobertura e acelerar uma licitação de reforma não são favores da prefeitura; são obrigações mínimas de dignidade, acolhimento e humanização.
O silêncio e a inércia do Executivo diante de solicitações ignoradas há mais de um ano dão o tom de uma gestão que parece anestesiada perante o sofrimento alheio. Ibiporã pagou caro por sua UPA no passado e continua pagando um preço ainda mais alto no presente: o preço da negligência com a vida de sua gente.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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