Toda a trajetória de político brasileiro, traz na bagagem sua história, suas virtudes e as mazelas de sua vida pregressa. No campo de jogo, nem sempre o artilheiro faz o gol. Nem o que se acha mais esperto. E nesta arte de engolir sapos, a politica revela toda a espécie de homens e mulheres. E é na política que se revela o caráter de cada um.
Há os de boa vontade por vezes são crucificados pelo excesso de zelo e postura ilibada, como há os marginais de colarinho branco, idolatrados por eleitores igualmente corruptos que trocam o futuro de seus filhos por uma nota de R$ 50. E há aqueles que se propõem a se candidatar com a promessa de “mudar o sistema” e na primeira oportunidade, se corrompe trocando seu pseudo idealismo, por um carguinho aqui, um favor acolá e por ai vai. Gente oportunista e desprovida de caráter, também conhecido por “vergonha na cara”.
Estamos em via de “reagrupamento” de forças, onde começam as agitações nos bastidores visando as próximas eleições. O vai e vem de reuniões aqui e ali, como formigueiro ao prenúncio de inverno, indicam que é hora de organizar a Casa. E como num mercado de peixe a beira mar, encontramos toda espécie de pescado reunidos num só balaio.
Encontramos até traíra, com o rabo pendurado para fora. Mas querem estar no negócio. Peixes de todos os tamanhos, grande médios e até pequenos que, por vezes, proporcionam melhores pratos que os grandes. Até porque, tamanho não é documento. Mas há aqueles que se acham, e como um jogador “perna de pau”, acredita que seu passe vale mais que de outros. E para alguns neste perfil, o jogo já terminou e o mesmo insiste em permanecer em campo mesmo vaiado pela torcida.
Apesar do resultado absurdo na última eleição presidencial, o “efeito Bolsonaro” não saiu de moda. Ao contrário, nunca esteve mais forte. Esta semana o vice-presidente Geraldo Alkmin e o Ministro Alexandre de Morais, foram expulsos de um restaurante sob reforçada escolta para não serem literalmente linchados. O ex-presidiario Lula, não consegue sair as ruas sem se execrado e chamado de ladrão com “L” maiúsculo. O “bolsonarismo” continua crescendo em todo país, e voltará a ser moda na próxima eleição. Todo mundo quer estar no partido do “presidente patriota”.
É quase impossível superestimar o que isso significa para as forças progressistas no Brasil. Muito mais que um conservador polêmico, Bolsonaro se tornou famoso no cenário político nacional por expressar suas posições abertamente, principalmente anticomunistas. Não seria exagero dizer que o ex-capitão do exército representa o remédio de extrema direita que o país precisa.
E para isso, os partidos estudam estratégias que trarão efeitos sobretudo, já nas próximas eleições municipais. Conservadores de direita, e centro direita, reorganizam as siglas. Mas será que todas as siglas tem na sua liderança, pessoas de reputação ilibada, de passado limpo e de virtudes exemplares que seu passado já tenha comprometido?
Será que quem deseja conduzir partidos com escolha de membros a dedo, tem moral para isso? Já é hora para a arrogância dar espaço para a humildade, porque partido não tem dono, e, não vislumbramos ainda nas fileiras do bolsonarismo local, um “Valdemar da Costa Neto.”
Este por certo, tem cacife para dizer que é “dono de legenda”, porque tem na sua trajetória política, sólidas estruturas que fez de seu partido, o mais desejado do país nos dias de hoje.
Um camarada que é preso, e de dentro da “Papula”, consegue mudar os rumos de uma eleição presidencial, fazendo chegar ao Planalto o pedido de destituição de dois Ministros, para não apoiar adversário, merece respeito. Não só contribuiu com a vitória da candidata Dilma como passou a mandar no Congresso Nacional com a maior bancada.
Logo, dirigente partidário com “mão de ferro”, tem “cacife” para dar as cartas. Um exemplo disso, vimos aqui na última eleição. E para evitar que isto ocorra de novo, é necessário deixar de vitimismo, o beicinho de lado e dar lugar nas fileiras para quem tem poder de fogo. A estrutura do partido mais cobiçado hoje, pode com um simples ato ser destituído em todo o país.
O comando único e forte de “seu dono” acena para dissolver os diretórios estaduais e municipais que pode acabar numa fusão de várias siglas com a mesma ideologia. Ibiporã pode ter o partido, mas não tem “um Valdemar” que tenha a mesma iniciativa de oposição e autonomia para controle de uma Comissão Executiva permanente. Quiçá se auto intitular candidato. Querer nem sempre é poder. Esta sigla, assim como as demais, estão apenas engatinhando, buscando tomar corpo, e fortalecer suas bases. E, se não houve união e bom senso, não haverá time para disputar outra final. Podem ficar no vestiário e deixar o jogo ser encerrado por WO.
Estamos indo na contramão do amadurecimento político. Lançar mão de vitimismo como justificativa para para um mandato pífio, inexpressivo e exacerbando o sentimento de perseguição, como alavanca para uma nova tentativa com grande chance de ser frustrada novamente, não é o caminho mais indicado. É preciso acordar porque não estamos em busca de revanche eleitoral, mas dê um propósito que visa acima de tudo, dar ao cidadão de nossa cidade o que não está recebendo.
Suprir o que foi plantado com dinheiro, mentiras e promessas. Hoje já se vislumbra pela opinião pública que a "balela" do nós contra eles, o bem contra o mal, não existe mais. É questão de atenção, cuidado e zelo com o cidadão. E isto a atual administração perdeu no exercício do poder, revelando retrocesso e desigualdade, fazendo prevalecer interesses dúbios e corporativismo comprado com gordos salários e fartos favores aos vassalos que sustentam o sistema via Legislativo. Como já dizia a historiadora Stella Ghervas: "A paz é para os fortes, a guerra é para os fracos. Não devemos nos deixar levar por eles". Boa Páscoa a todos!


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