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Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026
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Saúde

"Não é só uma virose": a era das infecções sobrepostas mudou a forma como adoecemos

Com vírus respiratórios, dengue e outras arboviroses circulando ao mesmo tempo, sintomas semelhantes podem esconder doenças diferentes. A infectologista Dra. Paula Pinhão explica por que o diagnóstico correto nunca foi tão importante

Hatsue Kajihara
Por Hatsue Kajihara
📸Divulgação/Prima Donna Comunicação
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  Febre, dor no corpo, dor de cabeça, cansaço e mal-estar. Durante muito tempo, esse conjunto de sintomas costumava ser resumido em uma frase bastante conhecida pelos brasileiros: "é só uma virose". Mas essa resposta, cada vez mais comum nos consultórios e nas conversas do dia a dia, já não acompanha a realidade epidemiológica do país.

  Para a infectologista e diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida Dra. Paula Pinhão, o Brasil entrou em uma nova fase, marcada pela circulação simultânea de diferentes vírus e outros agentes infecciosos. Ela chama esse cenário de "era das infecções sobrepostas": um período em que diversas doenças convivem ao mesmo tempo, compartilham sintomas semelhantes e tornam o diagnóstico mais desafiador do que nunca.

   "Hoje, não lidamos mais com um único surto por vez. Em muitos momentos do ano, vírus respiratórios, dengue, chikungunya, Covid-19, vírus sincicial respiratório e outras infecções circulam simultaneamente. É isso que chamo de 'era das infecções sobrepostas': diferentes doenças competindo pelos mesmos sintomas e exigindo um olhar muito mais cuidadoso do médica", explica a médica.

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   Na prática, isso significa que uma febre acompanhada de dores no corpo pode representar doenças completamente diferentes. Algumas exigem apenas medidas de suporte, enquanto outras podem evoluir rapidamente para complicações neurológicas, cardiovasculares, respiratórias ou hemorrágicas se não forem identificadas precocemente.

    Essa mudança também desafia a percepção da própria população. Acostumadas a associar determinados sintomas a uma única doença, muitas pessoas recorrem à automedicação ou aguardam vários dias antes de procurar atendimento, acreditando que o quadro "vai passar sozinho".

   "Os sintomas deixaram de ser suficientes para diferenciar muitas infecções. O contexto faz toda a diferença: onde a pessoa mora, para onde viajou, quais doenças estão circulando naquele momento, se está vacinada e quais condições de saúde ela já possui. É a soma dessas informações que orienta o diagnóstico", diz Paula.

  Outro aspecto preocupante é o uso indiscriminado de medicamentos. Antibióticos continuam sendo utilizados por muitas pessoas diante de qualquer quadro febril, apesar de não terem ação contra os vírus. Além de não acelerar a recuperação, essa prática contribui para o avanço da resistência bacteriana, considerada uma das maiores ameaças globais à saúde pública.

  Para a infectologista, a chamada era das infecções sobrepostas exige uma mudança de comportamento que vai além dos consultórios: "Precisamos abandonar a ideia de que toda febre é igual ou de que toda virose merece o mesmo tratamento. Hoje, doenças diferentes podem começar exatamente da mesma forma. O que determina a evolução do paciente é justamente a capacidade de reconhecer os sinais de alerta e buscar avaliação médica no momento certo"

   Nesse cenário, a prevenção também ganha uma dimensão mais ampla. Manter o calendário vacinal atualizado, eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, adotar medidas de higiene respiratória e evitar contato com outras pessoas quando estiver doente continuam sendo atitudes fundamentais para reduzir a circulação de diferentes agentes infecciosos.

  Para a Dra. Paula, compreender essa nova realidade é essencial para que a população deixe de enxergar as infecções como eventos isolados. "Vivemos uma época em que vários vírus e outros agentes infecciosos circulam ao mesmo tempo. Entender essa mudança é o primeiro passo para substituir o 'é só uma virose' por uma atitude muito mais importante: procurar um diagnóstico correto", finaliza.

 Sinais que merecem atendimento médico imediato

Segundo a Dra. Paula Pinhão, alguns sintomas nunca devem ser ignorados:

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
  • Dor intensa no peito;
  • Confusão mental ou sonolência excessiva;
  • Febre alta persistente por mais de 48 a 72 horas;
  • Desmaios ou queda importante da pressão arterial;
  • Vômitos persistentes ou sinais de desidratação;
  • Sangramentos ou manchas pelo corpo;
  • Piora importante após uma aparente melhora.

Sobre a Dra. Paula Pinhão
   Dra. Paula Pinhão é médica formada pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), com residência em Infectologia pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, um dos mais importantes centros de referência em doenças infecciosas do país. Também possui certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of Lifestyle Medicine (IBLM). Atualmente é uma das diretoras do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

Durante a pandemia de Covid-19, atuou na linha de frente do atendimento a pacientes em pronto-socorro e unidades de terapia intensiva (UTI), experiência que reforçou sua convicção sobre a importância da prevenção e do cuidado integral na promoção da saúde.

Em sua prática clínica, integra os conhecimentos da Infectologia e da Medicina do Estilo de Vida para oferecer um cuidado baseado em evidências científicas, com foco não apenas no diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas, mas também na adoção de hábitos que favorecem o funcionamento do sistema imunológico e contribuem para uma vida mais saudável. Acredita que alimentação equilibrada, sono de qualidade, atividade física, manejo do estresse, relacionamentos saudáveis e a prevenção por meio da vacinação são pilares fundamentais para reduzir o risco de infecções e promover qualidade de vida.

Seu trabalho é pautado pela ciência, pela educação em saúde e pelo compromisso de traduzir informações complexas em orientações acessíveis, ajudando as pessoas a fazer escolhas conscientes para prevenir doenças e cuidar da saúde de forma duradoura

FONTE/CRÉDITOS: Prima Donna Comunicação/Tatiana Fanti
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Hatsue Kajihara

Publicado por:

Hatsue Kajihara

Hatsue Kajihara/Jornalista

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