website page view counter

Folha Regional Online

Segunda-feira, 04 de Maio de 2026
laboratório
laboratório

Local

Mais uma pérola do livro "Segredos no Reino da Dinamarca"

A Calçada Invisível do Hospital público no Reino da Dinamarca

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Mais uma pérola do livro
📸Ilustração/"Segredos no Reino da Dinamarca".
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

    Reza a lenda que em um ato de rara sensibilidade (e agilidade bancária), sua majestade, Rei da Dinamarca recebeu uma doação de um dos Ministros da Corte. A verba carimbada de 100 mil Coroas, era para a construção da calçada do Hospital do Reino. Pequeno e modesto, o Hospital Santa Maria era o único que além do reino, atendia também a população das províncias vizinhas.  O dinheiro caiu na conta na velocidade da luz. 

     A obra? Essa, dizem os místicos, havia sido concluída apenas no plano das ideias, ou melhor, na pasta de “Projetos para a próxima Dinastia”, já que o Rei, preparava o varão mais velho para por a bunda no trono quando partisse dessa para melhor.

       Sem a calçada, e quando questionado onde foi parar o dinheiro, o Rei, em coletiva, justificou com brilhantismo: “Calçada é perigoso. O paciente sai do hospital, tropeça, e volta para o hospital. É um ciclo vicioso. Ao engavetar o dinheiro, não apenas calçamos a conta bancária do reino, como evitamos acidentes”. O Rei não era só dado a licitações suspeitas, má gestão do dinheiro do reino, ou empregar parentes nos Ministérios da Casa Real. Tinha um feeling apurado, era um visionário da gestão pública.

Publicidade

Leia Também:

   O dinheiro, agora, descansa em paz, em uma gaveta nobre, longe da poeira e da lama que os pacientes enfrentam para chegar à emergência. Dizem que, se você encostar o ouvido na gaveta da Secretaria de Finanças, ainda pode ouvir o barulho das notas de cem fazendo natação no fundo do cofre.

   A calçada? Continuava invisível, mas o Rei garantia: “O projeto é transparente, tanto, que ninguém vê nada".  E o mistério continuava até o Rei ser encostado na parede por um dos súditos. _" Vou contar a verdade à Tribuna do Reino, único jornal local que denunciava as mazelas do Rei e de seus bobos da corte", conclamou o súdito. 

   Diante do episódio e temendo ser desmascarado e manchar sua “ilibada conduta”, mantida na mídia com dinheiro público "Sua Alteza" deu um jeito na situação.  Em um movimento digno de um mestre do ilusionismo, realizou então um milagre administrativo: ele fez o dinheiro da calçada do hospital aparecer sem precisar assentar um único tijolo.

   Como todos sabem, caminhar até o hospital em meio aos buracos era, na verdade, um programa de treinamento intensivo criado pelo Rei. “Por que dar conforto ao cidadão se podemos testar o seu equilíbrio e agilidade antes mesmo dele ser atendido? É a triagem preventiva: quem chega sem torcer o tornozelo num buraco, claramente não está tão mal assim”, discursava.

   A verba, que deveria virar concreto e acessibilidade, havia encontrado um destino muito mais “aconchegante”: Dizem as más línguas, que de fato, nem mesmo estaria no fundo de uma gaveta bem trancada no gabinete do Reino. Fontes extraoficiais (e irônicas) chegaram a sugerir que o Rei estava apenas esperando o dinheiro maturar, como um bom vinho, ou quem sabe esperando a calçada nascer espontaneamente por força do pensamento positivo dos súditos pagadores de impostos do Reino.

   Enquanto o hospital continuava cercado por um cenário de rali, o Rei buscava tranquilizar a todos.  “O dinheiro está seguro. Tão seguro que ninguém consegue usar”. Afinal, para quê calçada plana se o povo já está acostumado a andar na corda bamba todo final de mês?

   Mas enfim, depois do vexame e o rabo preso com o financiador da calçada, o Rei executou finalmente a obra com aqueles clássicos tijolinhos assentados com areia, os quais já havia calçado quase todo o reino.  A ideia no entanto, era transformar infraestrutura em estoque de papel e, sem dúvida, comemorar mais uma obra de engenharia sólida deste seu reinado.

   Resta agora, a direção do hospital dar a Cesar, o que é de Cesar. Colocar naquele seu painel de doações, o devido mérito ao Ministro que, assim como os demais ali registrados, fez também a sua parte para a manutenção da importante instituição de saúde do Reino. Por sinal, é mantida mais pelo voluntariado do que pela boa disposição do Rei.

Nota da Redação: Esta é mais uma das crônicas que se encontra no livro "Segredos no Reino da Dinamarca". Qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência.

 

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
Comentários:
Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )