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Quarta-feira, 20 de Maio de 2026
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Política

Listas em WhatsApp divulgam Empresas, Comércios e profissionais liberais "Petistas"

O objetivo é "boicote total" aos estabelecidos simpatizantes dos candidatos de esquerda

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Listas em WhatsApp divulgam Empresas, Comércios e profissionais liberais
G1/Rio Grande do Sul/
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    O segundo turno das eleições terminou no dia 30 de outubro, com a discutível vitória de Lula (PT) na disputa pela presidência da República.              Contudo, para uma série de empresas e profissionais liberais em várias cidades do Rio Grande do Sul, iniciou-se um clima tenso pós período eleitoral com um movimento a favor de boicote à empresas, comércios e profissionais liberais, a quem é declaradamente "petista" ou quem ostenta em suas redes sociais ou comércio simpatia pelos movimentos de esquerda.

    Pelo menos em quatro relatos de pessoas de diferentes regiões do estado como Sananduva, Gravataí, Teutônia e Porto Alegre, segmentos comerciais e profissionais liberais foram apontados em uma lista nas redes sociais como "apoiadores de comunistas" após terem expostos seus posicionamentos políticos (ou da falta de posicionamento explícito) nestas eleições. Vitimados, os atingidos relatam como isso afetou o dia a dia de seus trabalhos. Alguns casos já foram informados à Polícia Civil.

    A população por sua vez, está aderindo ao movimento que se espalha por vários municípios e a preocupação é que este sentimento de revolta tome conta do país. Para um especialista em direito administrativo e eleitoral os casos podem representar "dano moral ou concorrência desleal e devem ser denunciados", sugerindo "assédio invertido". O posicionamento chega a ser cômico, até porque influi diretamente na opinião de cada indivíduo que tem o livre arbítrio para comprar ou contratar serviço de quem queira.  "É uma opção do consumidor, deixar de comprar com quem não comunga com sua ideologia", diz um dos cidadãos ouvidos.

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    As mensagens que circulam em grupos do WhatsApp e já foram registradas em diversas regiões do estado, sugerem que cada comerciante simpatizante do PT, coloque um adesivo ou placa na porta de seu estabelecimento, ou ainda em seus sites de negócios, a identificação de seu "orgulho partidário" . E a iniciativa está tomando corpo que já assusta quem vive do comércio. Em Sananduva, no Noroeste do RS, por exemplo, um casal de comerciantes procurou a polícia para relatar o constrangimento sofrido nas redes. O homem, que prefere não ser identificado, teme ameaças. "A cidade é pequena, e eles criaram esse grupo começando a retaliar esse pessoal, colocando que eram todos petistas, dizendo que não era para colocar dinheiro ali", diz. Por outro lado há quem defenda a iniciativa. "A gente compra onde quer, quem se sentir incomodado, que mude sua loja para Cuba, Venezuela...".

    Nos grupos, apoiadores de Bolsonaro a defesa ao boicote de estabelecimentos e profissionais esquerdistas, cresce dia a dia. Em prints de uma das conversas. Uma pessoa elogia a iniciativa de divulgar listas: "esse tipo de comerciante não valoriza o povo", diz. Outro sugere que os empresários devem ser "sustentados pelo PT", em vez da circulação de clientes.  Enquanto uma pessoa pondera, dizendo que a reprodução da lista pode "dar treta", outra responde que só cita empresas das quais teria provas de que seriam administradas por apoiadores de Lula.

    O delegado de Sananduva, Hugo Rigo Júnior afirma que a Polícia Civil recebeu ao menos três ocorrências do tipo. A linha de investigação ainda é incerta, uma vez que não haveria a concretização do boicote. "Inicialmente, do que chegou até agora, não chegou a ter boicote. A gente vai aguardar, vamos ver se ter alguma coisa a mais para ver se configura algum crime", comenta. 

   

Sananduva, cidade de 30 mil habitantes no Noroeste do RS — Foto: Prefeitura de Sananduva/Divulgação

   Os casos variam entre relatos feitos pessoalmente na delegacia e boletins registrados online, no site da Polícia Civil. Como as ocorrências virtuais levam alguns dias para ser distribuídas ao município, o número pode mudar com o passar do tempo.   A indefinição preocupa o casal de lojistas citado na lista de Sananduva, que viu o movimento diminuir após a eleição.  Pouco menor que Ibiporã, com cerca de 30 mil habitantes, Sananduva deu 7.685 votos (70,12%) a Bolsonaro e 3.273 votos (29,87) para Lula. 

Adesivo de 'petista'

   Em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, um profissional que atua no ramo de imóveis também foi incluído em uma lista. Segundo ele, outros empresários sugerem que aqueles que não teriam apoiado Bolsonaro coloquem um adesivo em seus estabelecimentos dizendo ser petistas, como forma de constrangimento. "Num primeiro momento, a reação foi de surpresa. Achei infantil e bastante pequeno", diz o homem, que também prefere manter anonimato.   De acordo com o homem, outras pessoas citadas na lista ficaram preocupadas com "o ganha pão" em razão das publicações. Ele, no entanto, diz não ter medo de perder clientes, mas lamenta que esse tipo de ação exista.

    "Fazer o mal para alguém não é protesto. Eu posso fazer um protesto contra um governo ou candidato, desde que de uma forma tranquila. Mas aí não é legal", fala.  Ele cogitaria ingressar na Justiça caso tivesse provas de quem foi responsável pela publicação da lista, mas acredita ser difícil chegar à origem das mensagens. O que entristece o profissional é a atitude de outros empresários em divulgar o índice. Gravataí, com 285 mil moradores, é um dos maiores colégios eleitorais do estado. No município, Bolsonaro venceu com 87,219 votos (60,17%) frente a 57.730 (39,83%) do petista.

Discussão nas redes

    Em Teutônia, no Vale do Taquari, a 108 km de Porto Alegre, as pressões contra uma lojista surgiram nas redes sociais. Uma influenciadora digital que trabalha com a divulgação de seu estabelecimento na internet sofreu pressão de conhecidas da família. "A loja fez uma live de vendas, e a gente mandou numa lista de transmissão para todas as clientes pra nos darem uma força. Eu recebi mensagens dessas duas pessoas, que disseram que iam aguardar as eleições passarem porque, se o Lula ganhasse, elas não iriam mais comprar", conta a mulher, que também prefere manter a identidade preservada. E Ibiporã, por conta de servidores municipais "manifestarem comemoração em redes sociais pela vitória de Lula", levou grande parte da cidade a "cancelar" a reserva de convite para o Baile do Município. Quem esteve lá, conta que foi um fiasco. Só a "nata " da Associação Comercial e meia dúzia de puxa-sacos do prefeito. O ônus fica para a APMIF que deverá arcar com as despesas. A pergunta é, "tem dinheiro em caixa"? Quem vai fiscalizar este "acerto de contas"?

Lista de boicote a empresas e profissionais considerados petistas no Vale do Taquari, no RS — Foto: Reprodução/WhatsApp

    A influenciadora de Teutônia, ainda cita a diferença entre pequenos empresários, caso dela, e grandes estabelecimentos no país. Já circulam exemplos que pedem boicotes nas redes sociais para Lojas Magalú (Magazine Luíza) e até o Banco Itaú, como supostos contribuintes à campanha de Lula.  Depois da lista, ela diz ter recebido apenas uma cliente na loja.  A cidade tem 34 mil habitantes. Por lá, jair Bolsonaro também derrotou Lula nas urnas. O presidente e candidato à reeleição recebeu 12.726 votos (64,10%), enquanto o candidato do PT obteve 7.126 votos (35,90%).

  Em Porto Alegre, não houve nenhum registro de intolerância ou mesmo violência com as manifestações dos petistas pelo resultado das urnas.  Segundo a Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI) de Porto Alegre, nenhum caso do tipo dos relatados acima havia sido registrado na última semana.

Eleitores comemoram a vitória de Lula em Porto Alegre — Foto: Vitor Rosa/RBS TV

FONTE/CRÉDITOS: G1/Rio Grande do Sul/Folha Portal
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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