
Júlio Cesar Fôlego em entrevista ao Jornal Folha Regional, conta os detalhes da criação da AMEI
Diante da necessidade de encontrar apoio, ou mesmo de ser um membro útil e não apenas mais um número que contribui com a entidade, geralmente comandada sempre pelo mesmo grupo de pessoas revezando-se no comando, nasce em Ibiporã uma nova Associação para abrigar pequenos comerciantes e empreendedores. A ideia partiu do coletivo, um grupo de pequenos empresários “descartados” pelos tubarões da Associação Comercial, Empresaria e Industrial que Ibiporã que, na ótica dos pequenos, são ignorados e contribuintes sem vez e voz.
Em nome do grupo, nossa reportagem conversou com o jovem empreendedor, Júlio Cesar Fôlego que sempre gostou de frequentar reuniões públicas e conhecer novas entidades, viu no “descaso” da ACEIBI, a oportunidade de usar o seu conhecimento na área para contribuir com uma causa que sempre defendeu. A necessidade de apoio aos pequenos e médios comerciantes, empreendedores e quem ganha a vida na informalidade. “Sempre acreditei na livre-iniciativa, e a Associação Comercial deveria ser mais do que uma defensora desse princípio, e infelizmente a cada mudança de diretoria, é apenas a dança das cadeiras, onde o propósito me parece longe do objetivo pelo qual foi criada”, comenta Fôlego. Temos visto que os importantes projetos de fomento, empreendedorismo e capacitação que deveriam ser iniciativa da Associação, nos últimos quatro anos, foi uma das prioridades da gestão do ex-prefeito João Coloniezi. Agora é uma incógnita, já que o atual prefeito promoveu devassa em parte da estrutura no CTTI.
Para Fôlego, defender o empreendedorismo é apoiar o desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, lutar por uma classe a qual ele pertence. É um jovem que acredita na força do trabalhador, pois acerca de 20 anos, saiu da estiva onde puxava um carrinho no Ceasa, para uma grande e moderna loja no centro da cidade. “Eu acho que, em uma sociedade, o pior que pode acontecer é os indivíduos se sentirem inúteis. E é assim que muitos como eu, desejam contribuir mas não encontram oportunidade. É sempre a mesma panela decidindo pela maioria”, relata. Assim estão, está nascendo a “AMEI”, Associação Municipal dos Empreendedores de Ibiporã, que agregará uma gama de interessados, inclusive, dissidentes que estão deixando a ACEIBI.
Cidade em transformação
Todos nós temos percebido que Ibiporã passa por um ritmo muito dinâmico. A cidade saiu do marasmo e, embora haja quem não enxergue isso, cresceu muito nos últimos anos. Não tem, hoje, as mesmas características que tinha há 20 anos quando a cidade inteira, só tinha a avenida Paraná e a Santos Dumont para encontrar o que precisava. "Hoje os pequenos comércios cresceram, ganharam uma força maior, na medida em que a população foi ocupando os bairros mais afastados. E onde tem mais gente, surgem mais negócios, logo, esta parcela de novos empreendedores, precisam de apoio, de instrução enfim de atenção que não recebem da Associação Comercial. É uma espécie de clube dos excluídos. Precisamos estar atentos a isso para que nossas ações estejam sempre alinhadas às necessidades e características dos bairros”, complementa.
Por isso a AMEI vem com o propósito para agregar esta categoria de pequenos lojistas para oferecer-lhes suporte seja administrativo, seja jurídico, ou mesmo profissional, buscando mecanismos juntos a órgãos como o Sebrae, Senac, Agências de Fomento e outras.
Mudanças necessárias
É notório que a maioria do grupo, concorda que a Associação Comercial de Ibiporã, deveria sofrer as mudanças necessárias para se tornar mais moderna, sair do arcaico que impera no comando dos bastidores. Muda-se a diretoria, mas o sistema é o mesmo. Os presidentes não tem autonomia, e via de regra, seguem a risca a cartilha, escrita sempre pelos mesmos. Desde a sua criação é assim, embora jurem de pés juntos que nunca sofreram intervenção política. Mas na prática, não se vê isso.
Mas a AMEI não vem com o propósito de “confrontar ninguém”, mas para atuar de forma mais abrangente, agregando os excluídos e dissidentes.
“Toda instituição precisa rejuvenescer constantemente, e com a Associação não é diferente. Essa é a nossa preocupação: atrair mais jovens, criar uma comunidade empreendedora mais ativa e mais moderna, que acompanhe as tendências. Porque o comércio que a gente conheceu lá atrás era diferente: a gente só comprava alguma coisa se fosse buscar na loja; e hoje, graças aos meios eletrônicos, o comércio vai até você. Precisamos acompanhar as tendências”, observou.
Em nosso grupo que, em breve reunião vamos definir a diretoria e cuidar da papelada legal, acreditamos na força do empreendedorismo ibiporaense e queremos contribuir para o fortalecimento dessa atividade. Que os novos venham fazer parte da nossa comunidade de empreendedores e aproveitar as atividades que planejamos desenvolver oferecendo serviços e condições de apoio para associados. A AMEI chega para lutar e defender sua classe. Do ambulante até o grande empresário. Para tal, uma equipe de Marketing que reuniu alguns profissionais liberais da cidade, já estão trabalhando em campanha para atrair empreendedores. A primeira reunião já está marcada para o dia 22/02 onde na pauta figura, a oficialização da AMEI, sugestões, eleição da primeira diretoria e organização geral.


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