O hacker conhecido como “Sorb” alega ter exposto cerca de 88 GB de informações do Instituto Nacional de Previdência Social em incidente, ocorrido em 4 de fevereiro, envolvendo registros do sistema de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Esse banco de dados armazena informações sobre doenças ocupacionais, trajetos e óbitos.
O suposto vazamento de dados pode ter afetado milhões de idosos do INSS e outros segurados. Segundo o hacker, aproximadamente 39 milhões de registros foram expostos. A denúncia veio à tona por meio do canal Tech Mundo, que revelou detalhes sobre a invasão. O caso levanta preocupações sobre a segurança digital dos beneficiários.
Quais dados dos idosos do INSS foram vazados?
O incidente pode ter exposto informações sigilosas, afetando trabalhadores e idosos do INSS. O hacker alega que a vulnerabilidade comprometeu dados sensíveis. Entre as informações supostamente vazadas estão registros de empresas e segurados. A gravidade da falha reforça a necessidade de medidas para proteger os beneficiários. Veja a seguir, os dados que foram vazados:
Nome da empresa; CNPJ; Número de telefone das empresas; Nome completo dos trabalhadores; Sexo; Número da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ; CPF; Número de celular dos trabalhadores; E-mail dos trabalhadores; Código do registro de acidente de trabalho.
O sistema CAT permite que empresas e segurados, incluindo idosos do INSS, registrem acidentes de trabalho. Caso o empregador não comunique a ocorrência, o próprio trabalhador ou seus familiares podem fazê-lo. Diante da denúncia de vazamento de dados, a preocupação com a segurança digital aumenta. Até agora, a Dataprev não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
O que o Dataprev disse sobre o vazamento de dados do INSS?
O portal TecMundo solicitou esclarecimentos ao INSS sobre o suposto ataque, especialmente no que diz respeito aos idosos do INSS. Em resposta, o Dataprev se manifestou sobre o caso. Responsável pela gestão de diversas bases de dados no Brasil, a Dataprev é a empresa pública encarregada do armazenamento das informações previdenciárias. A Dataprev declarou que investiga possíveis falhas de segurança no sistema de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), que pode afetar dados de idosos do INSS. A entidade reforçou seu compromisso com a proteção das informações.
Até a última sexta-feira, 7, o Dataprev afirmou não ter encontrado indícios de comprometimento em sua infraestrutura que sustente esse sistema. “A Dataprev reforça seu compromisso com a transparência e a proteção dos dados sob sua guarda e trabalha com protocolos rigorosos e em conjunto com seus clientes para assegurar a segurança de seus sistemas”, finalizou o órgão público.
Histórico de falhas de segurança junto aos idosos do INSS
Esta não é a primeira vez que o INSS enfrenta problemas relacionados à segurança de dados. Em junho de 2024, o Instituto confirmou a exposição de dados de aproximadamente 40 milhões de beneficiários. A falha ocorreu devido a acessos não autorizados ao Sistema Único de Informações de Benefícios (Suibe), possibilitados por credenciais de ex-servidores que não foram devidamente desativadas.
Na ocasião, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, reconheceu que o instituto acumulou um grande número de senhas concedidas a usuários externos ao longo das décadas, sem jamais revisar ou revogar essas autorizações. Essa negligência permitiu que dados sensíveis ficassem vulneráveis a acessos indevidos. A prova de vida, fundamental para garantir a continuidade dos pagamentos do INSS, segue sendo realizada, mas com um formato atualizado. Agora, o procedimento é automático, utilizando dados disponíveis em bases oficiais para evitar bloqueios indevidos.
Apesar das mudanças, muitos seguros confundiram a nova regra com o fim da prova de vida. Na verdade, o processo continua obrigatório, mas sem a necessidade de deslocamentos frequentes às agências. O objetivo da atualização é simplificar a rotina dos beneficiários, garantindo que o INSS atualize os pagamentos sem incidentes desnecessários. A prova de vida, essencial para garantir o pagamento de benefícios do INSS, passou por alterações em 2023. O procedimento agora é realizado de forma automatizada, sem a necessidade de deslocamentos dos segurados.
“O INSS não vai bloquear ou suspender benefícios por falta de comprovação de vida mesmo com o fim da vigência da portaria 723 no final de dezembro. O dever de provar que os beneficiários estão vivos é do INSS, que tem feito o cruzamento de dados com outras bases governamentais e busca mais parcerias para ampliar o batimento de informações”, declarou o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Idoso corre o risco de ter o pagamento bloqueado por falta de prova de vida no INSS?

A prova de vida é realizada automaticamente pelo INSS, mas, caso os dados do beneficiário não sejam validados, ele poderá ser convocado para algumas etapas. Entre elas está o comparecimento presencial em uma agência ou a realização de perícia médica, que pode ser presencial ou remota. O INSS permanece como o único responsável por confirmar a situação dos segurados, sem que os aposentados ou pensionistas precisem tomar a iniciativa. Beneficiários que recebem um salário mínimo, atualmente fixado em R$ 1.518, são notificados caso seja necessário um procedimento presencial.
É importante lembrar que, mesmo diante de falhas na prova de vida, o INSS garante o pagamento por até seis meses. O seguro será avisado sobre os próximos passos, evitando complicações desnecessárias.
Mudanças no procedimento da prova de vida do INSS
A prova de vida do INSS passou a ser realizada de forma automatizada desde março de 2024, após a publicação da Portaria MPS Nº 723. O novo modelo dispensa a necessidade de deslocamento, utilizando dados de transações financeiras e atualizações no Cadastro Único (CadÚnico). A mudança substituiu o método tradicional, que prevê a presença em agências ou bancos, por um sistema digital que cruza informações de bancos de dados públicos e privados. O uso de biometria em operações financeiras também contribui para a validação automática. O formato antigo gerou críticas, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Agora, ações simples, como saques ou o uso do aplicativo Meu INSS, são suficientes para garantir a comprovação de vida.
Ações válidas para prova de vida do INSS:

Acesso ao aplicativo Meu INSS com o selo ouro ou outros aplicativos e sistemas dos órgãos e entidades públicas que tenham certificação e controle de acesso, no Brasil ou no exterior; Realização de empréstimo consignado por meio de reconhecimento biométrico; Atendimento presencial em agências do INSS ou por reconhecimento biométrico em entidades ou instituições parceiras; Atendimento de perícia médica, por telemedicina ou presencial; Atendimento no sistema público de saúde ou na rede conveniada; Vacinação; Cadastro ou recadastramento nos órgãos de trânsito ou segurança pública; Atualizações no CadÚnico, somente quando for feita pelo responsável pelo grupo; Votação nas eleições; Emissão ou renovação de passaporte, carteira de motorista, carteira de trabalho, alistamento militar, carteira de identidade ou outros documentos oficiais que necessitem de presença física do usuário ou reconhecimento biométrico; Recebimento do pagamento de benefício com reconhecimento biométrico; Declaração de Imposto de Renda, como titular ou dependente.
Novos prazos da prova de vida em 2025
O INSS teve seu prazo de comprovação de vida alterado pela nova portaria ministerial. A prova de vida será realizada por meio de consultas a registros em bases de dados nos dez meses seguintes à última atualização do benefício. Isso significa que o prazo de 10 meses passa a ser contado a partir da última atualização do benefício ou da última prova de vida. Com essa mudança, o INSS pode aproveitar qualquer movimentação oficial fora da data de aniversário do segurado para realizar a comprovação.

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