A "eterna" reforma no prédio da prefeitura de Ibiporã arrasta-se há mais de três anos consumindo cifras milionárias. Enquanto o prefeito José Maria Ferreira (PSD) anuncia 90% de conclusão para mais de R$ 11 milhões investidos, a "fase final" de três meses parece virar uma obra de arte que nunca fica pronta. Quase uma década de planejamento e três anos de obras não foram suficientes para devolver o Palácio do Povo aos ibiporanense.
O Paço Municipal de Ibiporã virou uma espécie de "Sagrada Família" paranaense, onde o tempo passa, os milhões voam, mas a fita de inauguração recusa-se a ser cortada. Três longos anos e aditivos depois, a prefeitura celebra com pompa a impressionante marca de 90% de execução.
Há quem diga que o tempo é relativo, mas em Ibiporã ele é medido em medições da Administração Municipal. O prédio, erguido na década de 1960, cansou de receber os famosos "remendos e gambiarras" — vulgo medidas paliativas como limpar calhas e trocar azulejos que insistiam em saltar do chão.A situação era tão caótica que o imóvel parecia uma pista de obstáculos:Goteiras que funcionavam como fontes decorativas internas indesejadas. Esquadrias enferrujadas que davam um toque "industrial-decadente" ao ambiente.Rachaduras e trincas que desafiavam as leis da física e o bom senso. Interdição do Corpo de Bombeiros, provando que o perigo morava ao lado do gabinete.

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Para resolver o fiasco, o arquiteto finalmente descobriu os "brises". Estruturas dignas de resort para "controlar a incidência de luz". São os painéis modernos instalados na fachada para controlar a luz e abafar o som do funcionalismo clamando pelo fim da poeira.
O secretário de Planejamento garante que a estrutura trará um "ambiente acolhedor". Resta saber se iluminam a incompetência administrativa ou se apenas servem para dar um visual moderno a um canteiro de obras vitalício. A população, por sua vez, acolheria muito bem o fim dos tapumes.
O prefeito reforça que o gasto milionário no terreno de 13,4 mil metros quadrados valorizará o entorno. Enquanto o estacionamento não fica pronto e os 10% restantes da obra entram no misterioso cronograma público, resta aos cidadãos esperar mais 90 dias — um prazo que, no calendário das obras municipais, costuma ter uma elasticidade impressionante. O secretário de planejamento jura de pés juntos que faltam apenas 90 dias para a conclusão. O detalhe é que os cidadãos já ouviram essa história mais vezes do que conseguem contar.

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