"Está muito sério. Estou internada desde ontem no Hospital Cristo Rei com Dengue Hemorrágica. O Pronto Socorro está um caos. A equipe médica e de enfermagem se desdobrando mas a demanda é gigantesca. Não adianta hipocrisia e só meter a boca. A UPA não dá conta de toda essa demanda. Não tem estrutura para isso".
Este é o relato de uma paciente ao descrever o drama que a cidade enfrentou na tarde de ontem até conseguir internação. Ontem recebemos várias reclamações e algumas advindas de servidores da saúde. E o desabafo desta cidadã, revela o raio X do que acontece. A saúde do município, mesmo diante dos indícios apontados em números coletados pelos agentes comunitários de saúde em campo, leva-nos a crer que não se prepararam para enfrentar a situação. Faltou planejamento.
Vamos culpar a grande incidência de chuvas desde novembro, o mato que não damos conta de cortar, e o relapso da população em não manter os quintais limpos. Muito bem. A desculpa é aceitável até certo ponto. Choveu além da média dos últimos cinco anos, e o problema já deu sinais de agravamento já em novembro. E a prefeitura veio intensificar a campanha contra Dengue em suas redes sociais somente no final de janeiro.

Como relata a cidadã, se a UPA não dá conta da demanda e não tem estrutura para isso faltou planejamento. Faltou cabeça pensante, competência e responsabilidade. Na eminência de uma epidemia, o mínimo que se espera, é que haja um plano B. Quando se espera o aumento do número de médicos e enfermeiros para atender uma situação emergencial que se anuncia, o que se vê na pratica é exatamente o contrário. Na tarde de ontem, conversamos com alguns servidores que relataram a falta de funcionários e médicos.
A UPA estava um caos, e não é por falta de estrutura, é por negligência da administração. Depois que o circo pegou fogo não adianta os palhaços correrem para tentar apagá-lo. A movimentação de ontem na UPA resultou em alguma medida prática? O prefeito vai fazer contratação emergencial de médicos? Já que está mexendo na estrutura da administração, vai mudar também na saúde? Porque do jeito que está, não dá pra ficar. A saúde da população precisa estar acima dos compromissos políticos. Isto é fato!
O prefeito está torrando dinheiro em obras desnecessárias, falando em fazer outro lago, maquiar a prefeitura com R$ 11 milhões, promover uma readequação e asfalto nas avenidas centrais e a saúde está largada. Sem falar na população de alguns bairros. Dá aumento substancial aos seus puxa-sacos acomodados em cargos comissionados, e não contrata mais médicos para atender a população. Como alegam os servidores, diminuiu. "Tinha quatro médicos na UPA e agora só tem três... e não estão conseguindo dar conta. Há pessoas aqui desde as 10h00 da manhã e são 16h30 e ainda não foram atendidos", relatou um servidor na tarde de ontem. Onde estão os vereadores que aumentaram seus próprios salários?
A opinião de quem conhece a situação
"Em alguns municípios, a campanha de combate ao Aedes aegypti costuma ser lançada em novembro, porém no meu entender, a julgar pelos prenúncios do clima, ideal seria que a campanha tivesse seu início antes do período de chuvas, já em setembro por exemplo," observa o agente de endemias Aldemar Galassi. Ele incentiva que cada pessoa tome dez minutos de sua semana para verificar se há focos de água parada em suas casas. A população deve reportar focos do mosquito à prefeitura para que assim sejam tomadas as devidas providências. Isto pode evitar o agravamento de uma situação.
Na verdade, a coisa é complicada à partir de que o próprio município não cuida de suas áreas abandonadas. E algumas dentro da cidade como já foi mostrado aqui nesse "Portal" em várias reportagens. A preocupação da população provocou aumento de procura de exames também nos laboratórios. Quem tem condições, corre do serviço público de saúde e vale-se de consultas e exames através de convênios. É o que observa a bio-farmacêutica do Laboratório Carlos Chagas, Dra. Carolina Sacca Colognesi.
Ela explica que "a dengue tem como agentes etiológicos quatro vírus, os quais desencadeiam a mesma doença clínica, no entanto, a imunidade conferida pela doença é específica para cada tipo. Na última década, predominou o tipo um, mas agora, o vírus dengue dois está em evidência e as pessoas ainda não desenvolveram resistência a ele. Ainda não há vacina com alta eficácia para dengue, existe apenas um produto no mercado, mas que possui limitações em seu uso. O Aedes aegypti, causador da dengue, pode transmitir, também, zika, chikungunya e, potencialmente, febre amarela. Logo, o controle do vetor torna-se imprescindível. Todavia, isso é algo difícil de ser feito pois é um inseto urbano que acompanha o ser humano e já está adaptado ao meio", observa.
A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), 80 milhões de pessoas são infectadas anualmente, das quais 550 mil necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da doença. Cidadãos que apresentam sintomas devem procurar os serviços de saúde. Repouso e ingestão de líquidos, geralmente fazem parte do tratamento. Não existe um medicamento específico para combater o vírus ou prevenir a dengue. A solução ainda é prevenir a proliferação do mosquito, eliminando os focos de proliferação.

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