
Prefeitura de Ibiporã está gastando R$ 17,9 mil reais mensais com aluguel de tendas. Este é o mesmo valor de um imóvel com 8 salas na região da Gleba Palhano, zona nobre de Londrina. Desde o início do ano, a prefeitura vem alugando sem prazo determinado, barracas para diversas atividades, entre elas, as instaladas no estacionamento da UPA a qual o prefeito chama de “Hospital de Campanha” para enfrentamento ao coronavírus. Até o momento, os valores que a prefeitura dispunha para pagar por estes aluguéis não eram questionados nem pelos vereadores. Os recursos foram disponibilizados pela Fonte 3361 - Enfrentamento do coronavírus (covid-19) - Portaria MS 1.579.
Até porque, por conta da pandemia, alguns itens a julgar de primeira necessidade, dispensam sua licitação entretanto, o contrato é resultado do Pregão Presencial nº 013 realizado em 2017. Embora Ibiporã tenha por tradição, ser uma cidade festiva, onde não raramente, são montadas tendas nas praças, nas ruas e até em estacionamentos de prédios públicos, neste ano atípico de pandemia seria desnecessário estas locações até para que se evitassem aglomerações. A julgar pelo números de pessoas que passaram diariamente pela triagem de suspeita de Covid, os munícipes estariam sendo atendidos em melhores condições como foi feito no ano passado, sem necessidade de aluguel de barracas e no confortável interior da UPA. A medida de descentralização, foi outro fator que confirmou a não necessidade da estrutura.
O que se questiona, não é a necessidade nem a atividade a qual se destina seu uso, mas o quanto isto custa aos cofres públicos.
É muito dinheiro! Para se ter uma ideia, com o aluguel de um mês, é possível construir duas tendas por mês, adquirindo material na indústria e utilizando a mão de obra dos profissionais concursados. Ibiporã tem engenheiro, arquiteto, serralheiro, oficina e muita mão de obra no barracão. Isto significa que, desde janeiro para cá, o município já seria proprietário de suas próprias tendas, e com utilização múltipla e de tempo indefinido. O que não falta é local para guardá-las desmontadas, tarefa que também pode ser facilmente executado por servidores municipais.
Neste mês, nossa reportagem teve acesso a documento que revela o empenho e liquidação de pagamento das tendas instaladas na UPA, pagas a uma empresa de Apucarana, a MPL Estruturas para Eventos. São quase 18 mil reais mensais, a julgar que é a mesma empresa que está recebendo estes valores desde o início do ano.
Até a compra dos equipamentos sairia mais barato não fosse o caso de construí-las no barracão da prefeitura. Não seria mais econômico para o município, adquirir estas tendas por tempo indeterminado do que gastar absurdos com aluguéis? Será que os valores pagos são justos? A disponibilidade destes recursos, hoje voltados para a saúde, não estariam motivando a redução dos números de exames e o corte na lista de medicação básica oferecidas pela administração passada até dezembro? Isto não poderá incidir também numa possível falta de oxigênio momentâneo até para uma inalação de emergência? Não incidirá na requisição de exames complexos por parte do quadro clínico? Seriam estes fatores determinantes para o afastamento da diretora da UPA? Fatos estes que o Conselho Municipal de Saúde deve ficar atento pois, em se tratando de assunto tão sério, gastos desnecessários podem estar fazendo falta e comprometendo a saúde da população.



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