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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026
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COMPORTAMENTO

A busca desesperada por afeto e suas consequências

Ela costuma estar enraizada em vivências de abandono, negligência emocional, traumas de infância ou ausência de vínculos afetivos seguros nas fases iniciais da vida.

Hatsue Kajihara
Por Hatsue Kajihara
A busca desesperada por afeto e suas consequências
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    O ser humano é, por natureza, um ser social. Desde o nascimento, buscamos vínculos afetivos que nos deem segurança, pertencimento e amor. No entanto, quando essa necessidade se torna desesperada, intensa e descontrolada, pode transformar-se em uma armadilha emocional com consequências profundas para a saúde mental, autoestima e relacionamentos.

A raiz do desespero por afeto

    A busca desesperada por afeto geralmente não nasce do nada. Ela costuma estar enraizada em vivências de abandono, negligência emocional, traumas de infância ou ausência de vínculos afetivos seguros nas fases iniciais da vida. Uma criança que não se sente amada, protegida e valorizada pode crescer acreditando que precisa se esforçar constantemente para merecer amor, resultando em um padrão de dependência afetiva na vida adulta.

   Esse padrão também pode ser reforçado por experiências de rejeição, traições e relacionamentos instáveis ao longo da vida. A pessoa passa a acreditar que estar só é intolerável e que precisa do outro a qualquer custo para sentir-se completa ou válida.

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Comportamentos impulsionados pela carência

Quando o desejo por afeto ultrapassa o limite saudável, ele tende a conduzir comportamentos autodestrutivos ou prejudiciais. Alguns deles incluem:

  • Idealização do outro: a pessoa ignora os defeitos e sinais de alerta do parceiro, acreditando que “qualquer amor é melhor do que nenhum”.

  • Submissão: para não perder o afeto do outro, ela aceita abusos, desrespeito e renúncia às próprias vontades e limites.

  • Ciúmes excessivos e controle: movida pelo medo de abandono, tenta controlar o parceiro e o relacionamento.

  • Relacionamentos em sequência: não consegue ficar só e entra em relações sucessivas sem tempo para refletir, se curar ou se conhecer.

  • Ansiedade e insegurança constante: vive com medo de não ser suficiente ou de ser deixada, o que a leva a comportamentos ansiosos e instáveis.

As consequências emocionais

   Essa busca desesperada pelo afeto traz consigo uma série de consequências nocivas. A principal delas é a perda da identidade. Na ânsia de agradar o outro, a pessoa se molda completamente ao parceiro e abandona seus próprios valores, desejos e interesses. Com o tempo, sente-se vazia, sem saber mais quem é fora daquela relação.

   Além disso, há um grande impacto na autoestima. Quando alguém deposita todo o seu valor no amor ou validação de outra pessoa, qualquer frustração ou rejeição pode gerar colapsos emocionais, sentimentos de inadequação, humilhação e até episódios depressivos.

   A dependência emocional também prende a pessoa em relações tóxicas, tornando difícil sair de dinâmicas abusivas ou insatisfatórias. Isso pode levar a anos de sofrimento, baixa qualidade de vida e danos psicológicos profundos.

Rompendo o ciclo da carência afetiva

    Romper com esse padrão não é simples, mas é possível. O primeiro passo é reconhecer a dor e entender que a necessidade de afeto, por mais legítima que seja, não pode ser suprida a qualquer preço.

    Terapia é uma ferramenta essencial nesse processo, pois ajuda a identificar as raízes dessa carência, curar feridas emocionais antigas e desenvolver uma relação mais saudável consigo mesma. Aprender a estar bem sozinha, a valorizar a própria companhia e a cultivar o amor-próprio são pilares para relações futuras mais equilibradas.

     Construir uma autoestima sólida é essencial. Isso significa parar de buscar a validação externa como única fonte de valor pessoal e começar a se reconhecer como alguém digno de amor independentemente de estar em um relacionamento ou não.

   Além disso, é importante desenvolver relacionamentos afetivos saudáveis e recíprocos, com base em respeito, diálogo, confiança e liberdade. Quando se ama com equilíbrio, não há espaço para desespero, e sim para parceria e construção.    sp love

Considerações finais

  Todos nós desejamos ser amados. O afeto é vital, mas não pode ser buscado como quem se agarra a uma boia em alto-mar. Quando o amor-próprio é fortalecido, o amor do outro deixa de ser uma necessidade desesperada e passa a ser uma escolha consciente, serena e livre. O verdadeiro afeto não exige renúncia de si mesmo — ele começa, na verdade, no encontro consigo.

FONTE/CRÉDITOS: Izabelly Mendes
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Hatsue Kajihara

Publicado por:

Hatsue Kajihara

Hatsue Kajihara/Jornalista

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