A percepção de que a falta de energia é recorrente no norte do Paraná desde a privatização da Copel é uma preocupação levantada por consumidores e noticiada na imprensa local. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são usados em discussões públicas para analisar a qualidade do serviço que por sinal, só piorou depois da terceirização de serviços.
A Companhia Paranaense de Energia (Copel), responsável pela distribuição de energia em quase todo o estado, foi privatizada recentemente. Desde então, houve relatos e discussões nas redes sociais e na Assembleia Legislativa sobre o aumento da frequência e da duração dos apagões o que compromete vários municípios atendidos também pela Sanepar.

Em Ibiporã a situação não é diferente onde a energia elétrica chega a faltar por até 11 horas, comprometendo o abastecimento de água no município. Preocupado com a situação, o vereador Professor Mohamed (PL), foi até o Samae conversar com a presidente da autarquia, Mari de Sá para entender o que de fato está ocorrendo, e o que está sendo feito para regularizar a situação diante de muitos reclames.
A presidente relatou que embora a autarquia tenha duas fontes de captação de água com 60% do ribeirão Jacutinga e 40% do Aquífero Guaraní, esta água precisa ser bombeada até a estação de tratamento e para isso, necessita de energia elétrica. Mari observou que até bem pouco tempo isto não acontecia e raramente faltava energia e, quando isso ocorria, era por pouco tempo e não chegava a comprometer o abastecimento. “Hoje a energia chega a faltar por períodos prolongados, comprometendo a captação para reposição nos reservatórios”, explicou.
A presidente disse também que a autarquia tem um reservatório com capacidade para cinco milhões e cinquenta mil litros de água, o que garante um abastecimento por cerca de 11 horas. Porém quando falta energia, compromete todo o sistema, até porque além da captação, a água também precisa passar pelo tratamento. E sem energia, nada disso é possível.

Segundo a Copel, grande parte das interrupções recentes de energia no Paraná tem sido atribuída a eventos climáticos extremos, como fortes temporais, que causam danos extensos à rede elétrica. Em setembro de 2025, por exemplo, temporais deixaram mais de 460 mil unidades sem luz em todo o estado. O estado também foi afetado por apagões de grandes proporções no sistema elétrico nacional, causados por falhas pontuais em subestações ou na interligação entre regiões, que resultaram em desligamentos automáticos para restabelecer a frequência do sistema. Ou seja, a Copel justifica, mas não convence.
Para resolver o problema de Ibiporã, estudos e análises de viabilidade estão sendo feitos para a compra de um gerador que custar cerca de R$ 2 milhões de reais, ou paliativamente a locação de um deles ao custo de R$ 50 mil reais mensais, mais a manutenção. “Isto ainda está sendo avaliado”, disse a presidente concordando que esta é uma necessidade urgente e que novos reservatórios também estão em estudos para resolver o problema.

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