O Lago Norte, aquele formado pelas águas do Córrego dos Tucanos no fundo de vale entre os bairros Henrique Alves Pereira e Jardim Cinquentenário, também conhecido como Lago do Zé, continua invisível a olho nu. Mas basta fechar os olhos e aguçar a imaginação e lá está ele. Majestoso, imponente, maravilhoso...do jeitinho que parecia na maquete que ao longo de mais de 30 anos, foi atração turística apenas no saguão da prefeitura. O prefeito, autor da proeza, depois de trinta e três anos, é o mesmo. E o lago também. Tão presente como a atuação de José Maria Ferreira nesta administração, imaculada, perfeita e irretocável. O lago norte é a menina dos olhos do prefeito, cuja placa de inauguração de sua barragem, está lá, firme e forte como rocha, vencendo as intempéries como a chuva, o sol quente, e o mato que tomava conta do lugar. Passaram-se três mandatos e o lago do zé está para sua conclusão, como a rotina dos peixes, apenas nada!
Nesta semana, o prefeito tomou a iniciativa de dar prosseguimento a terceira fase do Lago Beltrão Park, com o desassoreamento da área para que a água das nascentes formem de forma definitiva o lago. Para aqueles que imaginavam que a obra iria ter o mesmo destino da biblioteca, ou seja, abandonada por anos a fio, enganaram-se. O prefeito José Maria, apesar de “esconder” que a obra já teve duas fases concluídas e pagas pelo ex-prefeito, vai concluir e gozar dos louros da obra. Espera-se que tenha no mínimo a hombridade de convidar João Coloniezi, para a inauguração.
Mas o assunto aqui é outro. É o lago do zé!



O abandono desta obra, pelo próprio prefeito em 1992, logo após colocar a placa de inauguração da “Barragem Alvino Mendonça” em 10 de dezembro daquele ano (e todos aguardando o majestoso Lago Norte) felizmente, o Córrego dos Tucanos não sofreu graves impactos ambientais, porque a própria natureza tratou de cuidar dele. Já a placa, desapareceu no meio do mato após ser vandalizada e ter a data apagada propositalmente não se sabe por que intensão. Mas está lá, Governador Roberto Requião, prefeito José Maria Ferreira, vice-prefeito Antonio Nadir Bigati, Secretário de Obras, Carlos Roberto Zamarian, e presidente da Câmara, Maria Lucia Pierro. O MDB do passado.
Voltando ao Córrego dos Tucanos, estamos abordando esse assunto porque esta semana, o prefeito deu um jeitinho de mandar algumas máquinas, derrubar o mato, e ressuscitar a placa, localizada no passeio da conhecida curva do “S” na rua Alcides Tonon.

Na tarde de ontem nossa reportagem esteve lá, e constatou que muita terra e galhos derrubados pela máquina, acabaram caindo na correnteza do córrego. Como se sabe, os principais impactos ambientais em fundo de vales são comuns, como a poluição visual causada pela falta de manutenção, ou até mesmo por dejetos e lixo jogados pela má educada população.
A erosão e o assoreamento também estão presentes, juntamente com a possível contaminação do curso hídrico e do lençol freático. Um estudo ambiental de toda a área do fundo de vale, no Córrego dos Tucanos com o intuito de se obter as expectativas da população ao seu redor quanto a sua utilização futura, já foi tema de conclusão de curso universitário em nossas universidades.
No trabalho da universitária Viviane Souza Vieira, (Unifil) verificou-se que apesar do abandono ao longo dos anos, os impactos são reversíveis, porém, exigem tratamento e investimento do poder público e comprometimento da população em adotar o espaço e reusá-lo como outrora, quando havia alí uma área de lazer e atividade física. A ambientalista acredita que em consonância com os aspectos sociais e aspectos ambientais preservacionistas, uma revitalização daquele local, pode atender as expectativas de seus usuários, se explorada toda a sua potencialidade.

As iniciativas do poder público
A falta de áreas de lazer e recreação em localidades urbanizadas é um problema sério. A falta de planejamento urbano e o crescimento exacerbado dos municípios principalmente, causam o fenômeno da tensão ambiental urbana, que se caracteriza quando “o fluxo de migração de fundos” de vale que são exatamente as áreas que constituem os vazios urbanos tentam avançar para as Áreas de Proteção Permanente, apontam estudos da universitária.
A iniciativa do prefeito José Maria Ferreira nos anos 90, não é muito diferente da iniciativa do prefeito João Coloniezi porque ambas as obras, além de sua importância na interligação de bairros, também cumpre um excelente papel na urbanização, na valorização da região e na qualidade de vida da população. Além dos aspectos positivos que o turismo trás naturalmente.
A diferença é que uma obra ficou abandonada, e a outra está praticamente concluída, restando pouco a ser executado e que só não foi inaugurada ainda, porque foi travada por politicagem no ano eleitoral.
Há muitos anos atrás, (os mais velhos lembram) o “fundo de vale” então localizado na Rua Wanderlim Figueira, na área central do município era uma agradável área de lazer. Infelizmente, com o passar do tempo foi sendo degradado e depredado e mesmo com o local em questão não sendo ocupado permanentemente, a urbanização em seu entorno foi afetada e o mato tomou conta.
“Porém, existe a possibilidade de aproveitar o lugar para o lazer, bem como, para o contato da população das proximidades com o verde , já que áreas como esta, que permitem esta aproximação com a população no interior do perímetro urbano do município, com a exceção do Parque Estadual de Ibiporã, não existem”, aponta a universitária em seu trabalho.
Sem dúvida que a retomada da revitalização do local, provocará influência na qualidade de vida da população local. A julgar pele “limpeza” iniciada alí, espera-se que a prefeitura promova ao menos um calçamento de paver, a fim de que os moradores daquela região possam fazer caminhadas, antes impedidas pelo mato que tomava conta das duas margens na curva do “S”.


Preservar a nascente do córrego Tucanos, que é afluente do Ribeirão Ibiporã pode favorecer aspectos comerciais, industriais e financeiros, seja no modo como é administrada e no seu tratamento com os aspectos ambientais a sociais. Oxalá que o prefeito José Maria e seus técnicos de meio-ambiente, tenham acordado para esta necessidade. Uma limpeza no local, uma urbanização descente, e quem sabe, até a conclusão do Lago Norte, deixe de ser apenas um sonho para de fato, tornar-se assim como o Lago do João, uma realidade. Até porque se observada a legislação municipal, a Lei nº 2.167/2008 que instituiu o Plano Diretor, em sua seção II art. 41, que trata do macrozoneamento urbano, considera a área do Córrego dos Tucanos e a água da Forquilha, como “macrozona
de recuperação ambiental e lazer” que possui o objetivo de “recuperação de mata ciliar em sua área de preservação permanente, bem como permitir a implantação do eixo de lazer e recreação para o desenvolvimento de atividades múltiplas”.


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