
Prefeito acena como uma das prioridades os lagos da cidade
Para quem não queria nenhum, agora deseja concluir dois até o final do ano
A política tem mesmo episódios que ninguém explica. No ano passado, quando a administração João Coloniezi apresentou o projeto do Lago Sul, no Residencial Beltrão Park, a panelinha do “quanto pior, melhor” levantou a bandeira da “moralidade” alegando que seria um desperdício de dinheiro público. A corriola do cabresto do prefeito na Câmara, fez do pedido de empréstimo para desapropriação da margem esquerda da avenida Ibrahim Prudente da Silva até a figueira, um verdadeiro terrorismo, fazendo a população crer que os recursos oriundos do empréstimo, (R$ 6 milhões) seriam para fazer um lago. Ninguém fez questão de fazer valer a verdade e explicar que este dinheiro seria para concluir a duplicação da Ibrahim, abrir uma via de ligação com pista dupla entre bairros e, por final, utilizar parte deste recurso para obras de infraestrutura e urbanização na fase final do lago. Pois bem, vale lembrar aqui que os nobres pares que comandaram o movimento pela “reprovação” não foram reeleitos. Hoje chupam o dedo assistindo ao mesmo grupo que “orquestrou” o entrave do empréstimo, não só concluindo a obra, como anunciando a retomada do projeto Lago Norte. Dois lagos para quem não queria nenhum.
E agora? Qual será o lambão que vai dar entrevista sobre o assunto que virou politicagem barata na eleição no ano passado? Cadê os paladinos da falsa moral? Procurando saber onde foram parar seus votos?

Nossa reportagem esteve ontem na Prefeitura de Ibiporã conversando com o Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Luis Hiroshi Shimizu. Entre os assuntos abordados estavam a prioridades da secretaria e assuntos co-relacionados, como a retomada do viveiro municipal de mudas, a conservação das espécies nativas nos fundos de vale, a conclusão da via de acesso entre os residenciais Delta Ville e Morada do Sol, e os lagos de Ibiporã.
O Lago do João e o Lago do Zé
Shimizu explicou que dentre as prioridades da secretaria, a conclusão do Lago Sul é uma delas. A administração está executando a obra, com recursos próprios. A retirada das árvores e algumas pedras de tamanho descomunal encontradas com a retirada do barro, são apenas um dos contratempos encontrados. Toda a madeira retirada dali, está sendo cortada como lenha e levadas para uma área do Samae junto às lagoas de tratamento. Segundo o secretário, nos próximos dias a prefeitura estará licitando a venda da lenha. “O barro em excesso, parte dele misturada com capim, não possui muita serventia, e será descartado. O barro melhor entretanto, mais limpo também será vendido para olarias”, disse o secretário. Uma nascente encontrada ali na margem direita do lado norte do lago, exige um estudo de preservação e cuidado que está sendo tratado pela equipe de biólogos da secretaria. Outro trabalho é identificar as espécies nativas, preservar o que é natural da flora, e erradicar as espécies “invasoras”, o que demanda tempo e muito trabalho. Este talvez seja o maior desafio a ser executado também no Lago Norte, que o prefeito José Maria Ferreira tinha intensão de fazer em seis meses. “O tempo é muito curto, é humanamente impossível fazer este trabalho minucioso em tão pouco tempo. Acredito que vamos precisar de pelo menos, um ano e meio”, avaliou o secretário.
No Lago Norte, a menina dos olhos do prefeito há mais de 30 anos, demanda muito recurso. Desse assunto ninguém fala. Nem mesmo nenhum vereador se situação ou oposição. Todo mundo sentado “em cima do rabo”, como diz o ditado. Ninguém fala por exemplo de uma grande área que pertence a família de um ex-prefeito que precisa ser “desapropriada”. A não ser o secretário, que disse ser necessário desapropriar aquela área para complementar o projeto. Não comentou se há recursos em caixa para isso, se o prefeito fará empréstimo, e quanto vale a propriedade da família (Chiquito) Deliberador. Mas diz que o prefeito tem pressa, quer a obra pronta em menos de um ano.

Valorização imobiliária dispara
Um dos resultados do presente trabalho além das transformações na paisagem a partir da construção do lago como opção de lazer e turismo no próprio local, é a valorização imobiliária. Uma data que custava há um ano atrás, cerca e R$ 90 mil reais, hoje já está sendo avaliada em cerca de 230 mil reais. Por tratar-se de uma área apenas residencial, com a conclusão da obra, fatalmente será necessário ter alí uma zona mista, permitindo alguns pontos comerciais para atender a demanda na circulação de pessoas.
Com efeito, o uso do lago não ficará apenas restrito à população dos bairros periféricos no entorno. Parte-se do pressuposto que a infraestrutura é extremamente necessária como ocorreu em aos outros municípios banhados por lago, como Sertanópolis e até mesmo Londrina. Assim com o apoio ao lazer e ao turismo, a valorização é inevitável. Resta saber se quem adquiriu imóveis no entorno do vale pensava em tranquilidade e não contava com um lago que com o passar do tempo e a atração do turismo, possa trazer junto o desconforto da intranquilidade. O “bônus” entretanto deve vir pela sociedade, de forma desigual, pois são necessários recursos econômicos para investir ou consumir as atividades decorrentes dos lagos, como as atividades náutica, o turismo, casas de veraneio etc. À população mais pobre sobrará a pesca e o lazer de final de semana nas áreas de acesso ao lago. Em ambos os projetos, as ciclovias estão fora de cogitação. “Estamos fazendo um estudo para criar uma rota para o ciclismo turístico, uma vez que há na região inúmeros grupos que fazem do pedal uma atividade de laser nos finais de semana e também precisam ser contemplados”. diz o secretário. Com relação a um projeto de turismo no ponto considerado “histórico” como o pico do Guarani com a instalação de um “Cristo Redentor” voltado para a cidade, está fora de cogitação. “Eu sou contra, porque por tratar-se de um local que precisa ser preservado”, opina considerando entretanto que trata-se de sua opinião pessoal, finalizou o secretário.


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