Um pronto-socorro, idealizado para casos de urgência e emergência, operando 24 horas no atendimento infantil. Este é o sonho de todos os pais quando o assunto é a saúde de seus filhos, mesmo que para problemas corriqueiros. "Essa proposta não é utopia. Está ancorado na necessidade e no mito da resolutividade do serviço. E vamos fazer para oferecer não só casos de urgência e emergência, mas também o agendamento de consultas pediátricas periódicas, promovendo a medicina preventiva garantindo o desenvolvimento e bem-estar infantil de nossas crianças", relata o pré candidato a prefeito de Ibiporã, Emerson Petriv, o Boca Aberta.
"Vamos já no primeiro ano, construir o PAI-I. O Pronto Atendimento Infantil de Ibiporã, oferecendo a comodidade do atendimento imediato, sem marcação de horário. Vamos ter o próprio laboratório dentro do PAI-I, para que o médico já peça os exames, faz o diagnóstico e indica o tratamento. Vamos ter uma cantina onde será oferecido aos pacientes enquanto aguardam, leite, café, bolachas, achocolatados e sucos tratando nossas crianças com dignidade que merecem", propõe o pré candidato.

Questionado sobre a falta de profissionais disponíveis no mercado, Boca aberta é enfático na resposta. "Discordo disso. Não faltam profissionais no mercado. O que falta é respeito com o profissional geralmente mau remunerado. Na minha gestão isso vai mudar. Esse negócio de servidor de confiança ganhar mais de R$ 20 mil reais por mês pra coçar o saco do prefeito e quer pagar merreca para um pediatra, não encontra mesmo. Salário de cargo de confiança é para pagar médicos, para suprir as necessidades do atendimento e vamos acabar com isso", relata.

Boca aberta diz que a pediatria é aplicada de maneira errada no serviço de saúde pública. "Pediatria não é uma atividade tão simples assim, para atender a criança no pronto-socorro, apenas na emergência. O pediatra deve estar a disposição para consultas periódicas e não apenas se ater ao atendimento ao problema que a trouxe até a unidade. Portanto, é como apagar um incêndio. Já quando há um agendamento adequado com o pediatra, no qual se acompanha o crescimento e o desenvolvimento e são dadas orientações à família sobre os cuidados que a criança requer, como alimentação e hábitos saudáveis, muitas enfermidades podem ser prevenidas. Afinal, cuidar é muito mais do que só tratar", observa.
"Também é importante dizer que, mesmo depois de ser atendida no serviço de emergência, ainda assim existe a necessidade de marcar uma consulta com o pediatra. É no consultório que se dará seguimento ao tratamento iniciado no pronto-socorro, evitando futuras complicações e promovendo a saúde. E é um serviço assim que vamos implantar com o PAI-I", relata Boca Aberta.
Boca Aberta aponta que por outro lado, "a superlotação dos serviços de urgência e emergência para o atendimento infantil, além de se tratar de uma ocorrência ruim, motivada pela crença popular de que rapidez significa eficácia, evidencia outro problema: a falta de pediatras remunerados adequadamente. Segundo ele, a dificuldade de agendar uma consulta com estes especialistas quase ausentes no serviço público é mais um reflexo da não valorização destes profissionais pelos prefeitos. Logo, quando uma criança fica doente, os pais correm para o pronto-socorro e a falta destes profissionais fazem com que os poucos disponíveis fiquem sobrecarregados. Daí a conhecida demora no atendimento", explica o pré candidato.
"Como ex-deputado, conhecí muitos pediatras em exercício no serviço público de saúde e posso dizer com segurança que o maior motivo para essa carência é a desvalorização profissional promovida também pelos planos de saúde. Diferentemente de outras especialidades médicas, que têm a possibilidade de realizar exames ou procedimentos, a única fonte de renda do pediatra no Brasil é a remuneração pela consulta ou por plantões. E em Ibiporã, vamos dar exemplo ao Brasil de como se conduz um atendimento digno ao profissional e aos pequenos pacientes", observou.
Boca Aberta fala da situação com propriedade e cita números apontados pela Associação Paulista de Medicina. Relata que atualmente, o valor pago por consulta em Pediatria na rede de saúde suplementar beira R$70,00 brutos. Descontados impostos, despesas com estrutura e pessoal, não sobra mais do que R$ 6 por consulta. Simultaneamente, os salários pagos na rede pública para um médico é muito inferior ao pago para profissionais de nível superior de outras áreas, como o judiciário, por exemplo. Para conseguir ter uma vida digna, que proporcione conforto para sua família, considerando ainda os investimentos com material e a imprescindível atualização científica, o pediatra precisa submeter-se a uma rotina com uma carga horária brutal de trabalho.
"Alguém pode me chamar de louco, mas sei o que estou propondo. Essa condição tem afastado os estudantes de Medicina da especialidade. No decorrer da década de 90, a procura pela especialização em Pediatria por parte dos acadêmicos de medicina que se formavam aumentou 67%. Se compararmos os números de 1999 com os de 2013, houve queda de 45% dos candidatos ao título de especialista em Pediatria, mesmo com o grande aumento do número de escolas médicas. Nossas crianças estão em risco! É preciso que o pediatra seja mais valorizado. Isso depende de uma mudança de atitude por parte do gestor público que deve priorizar as consultas pediátricas periódicas ao invés do atendimento emergencial", pontuou.
Desta forma, Boca Aberta acredita que a valorização destes profissionais podem motivar maior número de acadêmicos de Medicina a optarem pela Pediatria como especialidade, oferecendo-lhes uma carreira profissional tão promissora quanto a de muitas outras especialidades médicas, e motivar os pediatras a atenderem em consultórios para realizarem o principal objetivo da Pediatria, que é orientar a criação de cidadãos saudáveis capazes de construir uma sociedade melhor.

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