“O futuro da industrialização em Ibiporã é o Nenê Favoretto”, já dizia o prefeito José Maria Ferreira (PSD) lá atrás “profetizando” que em cinco anos, o condomínio empresarial já estaria empregando 1000 colaboradores, estimulando o comércio da cidade, ajudando na elevação do valor agregado do município e proporcionando uma situação econômica inédita para Ibiporã.
Será que a situação inédita econômica que previu, seria mesmo para a cidade, ou para meia dúzia de bolsos de familiares conforme apontou resultado de investigações ao longo de dois anos pelo GAECO - Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado e recentemente ganhado as mídias sociais no vazamento de informações.

Localizado às margens da PR-090, próximo a outras indústrias agroindustriais, saída para Sertanópolis, o novo polo industrial constituído em Ibiporã que, posteriormente recebeu significativos investimentos em infraestrutura tornou-se o astro principal da maior maracutaia imobiliária já visto na história do município.

Investimentos significativos com precisão cirúrgica, era o empurrão que faltava para a supervalorização de um imóvel que já era “carta marcada” num decreto de desapropriação assinado pelo próprio prefeito José Maria Ferreira em 2020. Entra então em ação, a segunda parte do plano, onde o então presidente da Câmara à época, Pedro Luiz Chimentão ficou encarregado de “reger a orquestra”, convencendo os pares que o Projeto de Lei enviado pelo prefeito ao legislativo carecia de votação em regime de urgência, atropelando os trâmites em nome do desenvolvimento.

Era o apagar das luzes do ano. O projeto justificava a necessidade de um empréstimo de R$ 7 milhões de reais junto a Caixa Econômica Federal com a finalidade de executar obras de melhoria na infraestrutura do local para a “atração de novos investidores". Indispensável dizer, que o presidente Chimentão colocou o PL 060/2021 em votação a toque de caixa, em apenas duas Sessões Extraordinárias seguidas (dia 20 e 21/12) assim que protocoladas na casa.

Em seguida, veio o recesso parlamentar já para ninguém ser encontrado para ser questionado. Tudo planejado? Alguém questionou a pressa? O presidente já sabia do “esquema”? Foi conivente ou fez parte da divisão do bolo? Fica a dúvida...e perguntar, não ofende!
Fato é que lotes no Parque Industrial de Ibiporã transformou-se em sete dias no Eldorado onde a terra virou ouro, mas só para os filhos ou sobrinho do prefeito ou quem tiver a chave da sala de licitações apontou as informações que correm pelas redes sociais.

Com metros quadrados que valorizaram em uma semana, mais que a grama de “Rodium” na Bolsa de Nova York, que faz ouro parecer fichinha, a supervalorização é tamanha que, reza a lenda, que nem em Dubai onde a areia vira diamante se viu tamanha valorização em tão poucos dias. Depois dizem que 7 é conta de mentiroso. Agora não deve faltar dinheiro para campanha de deputado!

Nessa administração, o desenvolvimento industrial é tão veloz que nem o plano diretor consegue acompanhar — ou melhor, ele é “ajustado” na medida em que possa beneficiar os terrenos da família do gestor. Aliás outro assunto já investigado pelo GAECO no caso das construções de casas geminadas (QUE CULMINOU TAMBÉM NESSA INVESTIGAÇÃO) onde de novo a mesma Câmara aprovou mudança na Lei em relação as medidas de testadas de lotes. E quem foi o construtor beneficiado? Nesse caso teve até vereador que mudou de partido para fazer média com o prefeito.

A “Mágica” da lingua portuguesa.
A Ação Civil Pública, fruto das investigações do GAECO em parceria com o Ministério Público do Paraná através da 1ª Promotoria de Patrimônio Público de Ibiporã, trás agora uma nomenclatura mais delicada para referir-se a “formação de quadrilha” usando o termo “grupamento ímprobo constituído” mediante a prática de atos ilícitos, notadamente ímprobos que ensejou enriquecimento ilícito.
O terreno ontem era uma área de preservação rural? Hoje é um loteamento industrial de “alto padrão” valorizado com dinheiro de empréstimo. O chamado "Ouro de Tolo". A promessa era “criação de emprego”, mas o resultado apontado foi enriquecimento de parentes que, por coincidência, compraram o local por centavos e venderam por milhões.
Gestão Familiar: A prefeitura virou holding imobiliária. A valorização é garantida por decretos urgentes, assinados na calada da noite, transformando o “loteamento modesto” em “condomínio empresarial”. O município contrai empréstimos milionários com a parceria dos vereadores que o prefeito por sua vez, repassa a dívida para a população pagar com superfaturamento do IPTU (outra vez com a participação dos vereadores) beneficiando assim a quadrilha constituída que embolsou mais de R$ 7 milhões.
Os relatórios do Ministério Público não são denúncias apenas, mas fatos comprovados não por “estudos de viabilidade”, mas fartamente documentados e comprovados com registros em cartórios e a quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos. Enquanto o pequeno empresário tenta entender como assinar um contrato, empresas milionárias tem seus sócios proprietários envergonhados, com a “política de industrialização” como aconteceu no caso A.Yoshi Engenharia onde empresários aceitaram um TAC- Termo de Ajuste de Conduta, proposto pelo Ministério Público em 2019 devolvendo R$ 3 milhões aos cofres públicos. O que de fato aconteceu, ficou no "Segredo de Justiça".
Em Ibiporã, o futuro é agora, e ele está à venda. Um caso dessa gravidade, o Eldorado de Ibiporã não pode ficar somente em mais uma Ação Civil Pública que não venha prosperar. O caso pede afastamento imediato tanto do prefeito municipal, como do atual presidente da Câmara. O que aconteceu nessa administração há muito já deixou de ser caso de polícia. Não é a primeira vez e se, não tiver basta vai continuar. Segundo fontes, a denúncia do MP já está nas mãos da Juíza Dra. Sonia Leifa Yeh Fuzinato.

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