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Sexta-feira, 01 de Maio de 2026
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Polícia Civil de Ibiporã intensifica campanha do Disque Denúncia 181.

Números expressivos apontam que região central da cidade é de maior violência contra mulher

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Polícia Civil de Ibiporã intensifica campanha do Disque Denúncia 181.
AEN/Divulgação
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    Ainda que a maioria da população silencie, ainda que haja quem ultrapasse as barreiras do medo e não se cale, números levantados pelos agentes da Policia Civil de Ibiporã, apontam que apesar de todo o trabalho da policia,  a violência ainda impera na sociedade de forma desenfreada.
    Os agentes acreditam que mesmo com todos os casos relatos que chegam à delegacia, o número real da violência doméstica é infinitamente maior e dado a vários fatores, que vão desde temores por represália, conivência alheia ou até mesmo pela falta de informação.
     No que diz respeito a violência contra a mulher, chega a ser surpreendente o relato de alguns fatos, onde dois em particular, chegam a ser inacreditáveis, ao ponto de policial militar mesmo impedido por medida cautelar de aproximar-se da ex-companheira, ainda assim a agrediu novamente (mesmo com medida protetiva). Num outro episódio até um Promotor de Justiça foi obrigado  usar tornozeleira eletrônica. Ambos enquadrados na Lei Maria da Penha por espancar as companheiras.
    Se tais fatos chegam a este ponto, envolvendo agentes que supostamente estariam a serviço da Lei e da Justiça, o que não esperar então da população comum na periferia, esta geralmente discriminada pelas condições sociais a que vivem? 
    As aparências engam. Os maiores índices de violência contra a mulher em Ibiporã, ocorrem na região central e nos bairros de “bacanas”, onde impera o silêncio, segundo os dados da CAMI - Coordenadoria de Atendimento à Mulher de Ibiporã.

Vamos aos números locais, registrados em Ibiporã
    Para se ter uma ideia, entre os dias 24 de agosto e 30 de outubro deste ano, o CAMI atendeu 356 casos, com a conquista de 220 medidas protetivas. De todos estes casos, apenas 43 deles, a procura por ajuda presencial mediante denúncia foi espontânea. Destes com medida protetiva, 118 foram por violência física, seguido de lesão corporal. Isto representa 33,15% das ocorrências no período. 67% dos casos é violência psicológica (ameaça) que correspondem a 239 ocorrências registradas. A violência moral (injúria e difamação) chegaram a 121 casos representando 33,98%. E violência sexual, 17 casos com percentual de 4,78%.
     Estes números podem dobrar caso todas a ocorrências chegassem ao conhecimento da Delegacia da Mulher, ou mesmo na Policia Civil diretamente ou através do CAMI.
     Preocupados com esta questão, e com uma ferramenta importante a disposição (o Disque  Denúncia 181), a equipe comandada pelo Delegado  Victor Dutra de Oliveira, faz um apelo para que a população adote esta campanha. Não só pela questão da violência contra a mulher, mas para todo o tipo de ocorrência, seja violência infantil, contra idosos, tráfico de drogas, roubos, furtos enfim, toda a espécie de delitos. A identidade do denunciante no Disque Denúncia 181 é preservada. O cidadão não precisa se identificar.

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Números do CAMI apontam faixa etária de idade das vítimas
    O mesmo relatório no período descrito acima, aponta que a maioria das vítimas femininas possuem entre 29 a 39 anos num percentual de 40,16% e 143 casos. Em segundo lugar, vítimas entre 18 e 28 anos com 121 casos e 33,99%. De 40 a 50 anos (também ocorrem) 17,41% de agressões com 62 casos. E de 51 a 60 anos, 30 casos.
   A violência contra criança dentro de casa também é assustadora. 245 crianças com 12 anos incompletos foram vítima de agressão ou maus tratos pelos pais ou cuidadores apontando índice de 68,82% de casos. Já os adolescentes de 12 a 18 anos, 30 casos significando 20,50%.

Locais onde imperam as ocorrências de violência
    Como já relatamos, a região central de Ibiporã e bairros nobres imperam os maiores números de agressões correspondendo a 50% das ocorrências em toda cidade. Quem pensou na Zona Sul, está equivocado.
     Em segundo lugar vem a Vila Esperança e bairros adjacentes com 113 casos e 31,74% de índice. A Vila Rural e a Taquara do Reino vem em terceiro com 11 casos e 3,10%. Os bairros Jardim San Rafael, Terra Bonita e Santa Paula juntos, correspondem a 12,08% com 43 casos.
   Segundo dados levantados na Central do Disque Denúncia 181, entre janeiro e setembro deste ano, 953 pessoas entraram em contato com o 181 e relataram alguma situação de violência em todo o Paraná. Um número muito pequeno para uma estrutura à disposição da população que quase não é utilizada pela população dado aos números das ocorrências que chegam as delegacias. Daí o motivo da campanha de esclarecimento.
    O crime de violência infantil por exemplo, pode ser considerado como abandono, negligência, trabalho forçado, agressão física, psicológica e moral, além de abuso sexual. Estas são situações que qualquer cidadão pode ficar atento e tomar uma simples atitude que pode salvar a vida de uma criança: denunciar, anonimamente, no Disque Denúncia 181, do Governo do Paraná. Em média, apenas três denúncias de violência contra crianças são feitas por dia no Estado. Um número irrisório frente a realidade.


     Embora os dados apontem um aumento de 5,5% de denúncias no comparativo com os mesmos meses do ano passado, em plena pandemia, o secretário estadual da Segurança Pública, Romulo Marinho Soares, alertou em entrevista a imprensa que o número poderia ser maior. “Infelizmente, sabemos que a violência contra nossas crianças é quotidiana e enraizada em muitas famílias e ambientes. Porém, é preciso que a sociedade entenda que isto é crime, não educa e ainda acarreta marcas que elas levarão para toda sua vida”, disse.
     De acordo com o Art. 227 da Constituição Brasileira, além da família e do Estado, é dever da sociedade garantir às crianças, entre vários direitos, a preservação delas contra a negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 
    “O anonimato do denunciante é a essência do Disque Denúncia 181. As denúncias sobre qualquer tipo de delito garantem que os casos possam ser devidamente apurados e as vítimas sejam atendidas em tempo, bem como que os denunciados investigados ou presos em caso de flagrante”, observa o escrivão Flaubert Semprebom.  “O anonimato do canal 181 é, justamente, para que a pessoa se tranquilize, porque nem ela e nem o número telefônico vão ser identificados, isso nem sequer vai ser perguntado. Então em todo e qualquer local que haja algum indício de crime, não importa a forma, as pessoas precisam denunciar”, enfatizou o escrivão.
   Neste caso, o denunciante precisa ter conhecimento sobre as informações do que possa estar acontecendo antes de denunciar. É importante saber informar o local, quem é a vítima, o que está acontecendo, enfim a irregularidade e ter dados mínimos para que os servidores do Disque Denúncia 181 possam formular a denúncia no sistema. A ligação pode ser feita de qualquer aparelho e é gratuita.

FONTE/CRÉDITOS: AEN/Divulgação/CAMI/Delegacia de Ibiporã
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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