Documentos obtidos pela RPC da investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, norte do estado, que prendeu dois policiais militares suspeitos de integrar uma organização criminosa revelam como eles atuavam. Os PMs Moisés Vieira e Paulo Weslley foram presos em 26 de julho na Operação Mar Vermelho, realizada junto com a Corregedoria da corporação, e supostamente estariam envolvidos em latrocínios, roubos de cargas, falsificação de boletins de ocorrência, dentre outros crimes.
A investigação começa citando que eles compõem um grupo suspeito de simular roubos e desvio de cargas, que era liderado por um empresário responsável pelo transporte. O Gaeco descobriu que o homem teria sido assassinado pelos PMs após um desentendimento. Conforme o Gaeco, outros integrantes se passavam por motoristas que faziam o carregamento das cargas e, durante a viagem, simulavam terem sido roubados para registrar a falsa ocorrência, acionando a Polícia Militar ou indo até uma delegacia.
Os suspeitos diziam que eram vítimas dos roubos e contavam histórias parecidas nos Boletins de Ocorrência (B.Os), que eram falsificados pelos policiais. O Gaeco disse que uma testemunha contou que 4 PMs estavam envolvidos nas fraudes dos boletins, e que o empresário pagava ao policial Moisés cerca de R$ 5 mil por cada registro falsificado.
No depoimento que consta na investigação, a mesma testemunha relatou que o empresário se desentendeu com Moisés porque o PM queria receber mais de R$ 5 mil. O valor não foi aceito pelo empresário. Para o Gaeco, essa discordância fez com que ele fosse morto. O assassinato De acordo com os promotores, Moisés e Paulo eram os líderes de outro grupo criminoso, este formado por policiais militares suspeitos de latrocínio, extorsão, furto, falsidade ideológica e organização criminosa.
O corpo dele foi encontrado em 31 de agosto de 2021, na zona rural de Jataizinho. O veículo dele foi localizado queimado. Segundo a Promotoria, os policiais também são suspeitos de simular um confronto e matar um agiota para ficarem com o dinheiro dele. Proibidos de entrar em batalhões os policiais Moisés e Paulo permanecem presos. Os outros estão usando tornozeleiras eletrônicas e cumprindo outras medidas de restrição. A Justiça proibiu, por exemplo, que eles entrem em qualquer instituição militar ou de segurança pública. Além disso, não podem mais portar armas de fogo.


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