
Desumano ter que aguardar quase três horas para uma sutura num dedo
A situação do atendimento na UPA de Ibiporã já não é mais a mesma do ano passado, quando administrado pelo Dr. José Carlos. Desde que a atual administração assumiu, o estado da saúde só agravou. A UPA parece estar na UTI. A mudança administrativa promovida por duas vezes nesta gestão, parece não surtir o efeito desejado. Ao menos, no tocante ao atendimento à população, está deixando muito a desejar.
O prefeito José Maria Ferreira, que gaba-se de sua bagagem administrativa ao longo dos anos, parece viver em outro planeta. Ou desconhece, ou é conveniente ser ignorante para fechar os olhos para duas resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) publicadas no Diário Oficial da União que os pacientes com problemas menos graves que chegarem ao pronto socorro ou às unidades de pronto atendimento (UPAs) deverão ser classificados imediatamente e, após esse procedimento, deverão ser atendidos no máximo em duas horas.
O que seriam problemas menos graves no pronto socorro? Aqueles que não expõe o paciente diretamente a um risco a vida.
Entretanto, há que se considerar, ferimentos de natureza involuntária como vítimas de acidentes domésticos ou no trânsito, onde geralmente requer um atendimento mais ágil ou, devido à gravidade, um encaminhamento para um hospital mais próximo.
Ontem uma paciente chegou a UPA com um corte num dos dedos da mão e foi obrigada a “entrar na fila” de quase 100 pessoas que aguardavam atendimento médico. Para agravar a situação, a servidora foi orientada a passar pela “triagem” que está sendo praticada na chamada “barraca do inferno”, destinada à diagnóstico do Covid-19. A paciente teve que aguardar por quase três horas para uma sutura no dedo enquanto que apenas dois médicos, trabalhavam a “toque de caixa” para dar conta do plantão. Aponta a nova Resolução que o paciente em sofrimento intenso, por força de ferimentos devem ser imediatamente atendidos ou transferidos a serviço hospitalar após serem estabilizados, se necessário utilizando a ‘vaga zero’”. Por vaga zero, o CFM se refere aos casos em que inexistam leitos vagos para a internação de pacientes.
A Resolução do CFM reza também que “somando-se ao período entre a classificação e o atendimento, não pode passar de duas horas e isso deve ser observado pelo administrador da saúde bem como as autoridades municipais, estaduais e a âmbito federal”, afirmou o presidente em exercício do CFM, Carlos Vital. Apesar da edição das novas normas, o próprio CFM reconhece que isso, de imediato não trará soluções para a saúde a curto prazo, que depende em parte da boa gestão administrativa da saúde. E isto, atualmente em Ibiporã, parece estar cada vez mais distante.
Falta administração e médicos
A cada dia crescem os números de reclamações sobre o atendimento à saúde em Ibiporã. Sobram denúncias de desrespeito ao cronograma de vacinação do corona vírus, cuja aplicação na prática, virou caso de polícia e assunto para o Ministério Público
Segundo o coordenador da Câmara Técnica de Urgência e Emergência do CFM, Mauro Ribeiro, não havia até hoje nenhum instrumento de fiscalização dos serviços de urgência e emergência. As novas resoluções também proíbem que os pacientes sejam internados nos serviços de urgência e emergências e nas UPAs, onde podem ficar por no máximo 24 horas. Essa regra já estava em portaria do Ministério da Saúde e agora é reforçada pelo CFM. Uma das resoluções ainda obriga os hospitais a terem leitos de retaguarda para pacientes vindos da emergência e estabelece que todo o paciente seja assistido por um médico. As resoluções determinam que o médico plantonista ou administrador de UPAs acionem seus superiores caso não haja condições adequadas de atendimento ou inexistência de eleitos vagos para internação de pacientes.
Caberá ao superior acionar o gestor de saúde (como as secretarias municipais e estaduais de Saúde) e comunicar o Conselho Regional de Saúde (CRM). Caso o problema não seja resolvido pelo gestor, o CFM recomenda que seja acionado o Ministério Público. Já o médico que cometer falhas no atendimento enfrentará processo disciplinar no CRM. Por outro lado, torna-se humanamente impossível, apenas dois médicos para atender uma população estimada em mais de 100 mil pessoas, considerando Ibiporã e as cidades agregadas pelo atual prefeito para justificar a edificação de “sua UPA” em Ibiporã. José Maria está experimentando o próprio veneno produzido junto com o grupo corrupto do PT que o apoiou. A UPA de Ibiporã custou quase o dobro das demais UPAs do país, próximo a R$ 4 milhões de reais e, em menos de seis anos, o prédio já está caindo aos pedaços e carente de reforma urgente.

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